Bilionários, Singular e Flash Boys

Sinopse de três livros lidos em fevereiro/2017. Um deles é excelente: Flash Boys.

Bilionários, Singular e Flash Boys são os livros do mês

Semana que vem serei arrastado a Buenos Aires e não terei chance de leitura, ‘tonces acabou o tempo disponível para leitura.

Mas como viajei pra cima e pra baixo; as horas de aeroporto, voo e chimarrão forneceram o ótimo tempo ocioso para leitura de pendências.

Aos livros e avante! Quais são eles?

Bilionários, o que eles têm em comum além de nove zeros antes da vírgula

Obra de Ricardo Geromel, jornalista da famosa revista da área financeira Forbes. Visitou vários países no exterior, morou em Pequim, Paris e hoje reside em Nova York (detesto essa grafia, preferia Nova Iorque ou New York, mas não essa anarquia de combinações).

Como trabalha na área da organização anual da lista de maiores bilionários do mundo – www.forbes.com/billionaires – empreendeu essa busca, entrevistou e pesquisou o que eles tinham em comum (aliás, o que muitos autores de autoajuda já fizeram também, visto Napoleon Hilll e discípulos).

Entre histórias, curiosidades, intimidades das figuras pesquisadas e tal identificou estas oito características:

  1. Bilionário gosta mais de ganhar do que de gastar dinheiro. Cita alguns deles, como Sam Walton e Warren Buffet que seguem (seguiam, pois Sam já foi pro além) uma vida humilde. Não é que não gastem, friso. É que gostam muito mais de ganhar!
  2. Bilionário é empregador e não empregado. Não dá pra ganhar (muito, muito) dinheiro sendo funcionário. O curioso é que Ricardo perguntou a um deles: se o lance é ser empreendedor, quem então trabalhará nas empresas? Resposta: sempre haverá gente que preferirá a segurança ao risco.
  3. Tubarão nada com tubarão, sardinha nada com sardinha. A ideia é clara: precisa estar no mesmo ambiente de gente que ganha grana. Ou, no mínimo, trabalhar com gente que seja mais valioso que o próprio, que traga ideias, inovações, etc. Ou seja, ter um monte de mentecaptos ao seu redor não leva a nada (gestor de suporte, ainda que o sujeito brigue com você, seja ranzinza e tal, se seja talentoso, fiquei com ele!!!).
  4. Bilionário permite-se fracassar e sempre faz novos erros; fracassa até acertar, fracassa rumo ao sucesso! Ricardo descreve várias histórias em que empreendedores perderam grana, ficaram com uma mão na frente e outra atrás, mas tocaram a vida e viraram o jogo (caramba, quantos clichês numa mesma frase). Mas é preciso arriscar, coisa que muita gente que aspira um futuro tranquilo se recusa a fazer.
  5. Bilionário é sensível à filantropia. Mas esclarece que isso não é sinônimo de caridade. Ele investe grana e deseja ver resultados, quer a melhoria do mundo, etc. Aliás, existe um grupo deles que se reuniu para doar toda a fortuna antes de morrer (Warren Buffett, Bil Gates e outros).
  6. Bilionário fica no presente e sabe que não é a pessoa mais importante da sala. Viva o presente intensamente e totalmente, não deixe o passado ser um fardo, e deixe o futuro ser um incentivo. Cada pessoa forja o seu próprio destino.” – CARLOS SLIM, Mexicano que foi o homem mais rico do mundo.
  7. Bilionário tempera tudo com tenacidade e tesão! Modo de preparo: brilhos nos olhos! É isso. Acho que todo mundo sente o mesmo pelos seus filhos. Tem que se empolgar, entusiasmar, dar energia pro negócio.

Resumo: tem mais curiosidades do que coisas interessantes. Inúmeras citações de gente famosa recheiam a obra, engordando a quantidade de páginas para 288.

A impressão que dá é que Geromel foi pago para incentivar os pobres cristãos a serem mais empreendedores. Por outro lado, também parece um genuíno testemunho de alguém que acredita na capacidade de sonhar um negócio e trabalhar para realizá-lo.

Outra curiosidade: ele é irmão do jogador de futebol Pedro Geromel.

Flash Boys, revolta em Wall Street

Livro de Michael Lewis. Gostei muito.

É um trecho da vida do sujeito chamado Brad Katsuyama, matemático canadense que trabalhava no banco RBC em Nova York na bolsa de valores. Ele suspeitou de alguma coisa errada quando o mercado, espalhado por mais de 10 bolsas de valores nos EUA, vendia 10.000 ações por US$ 80 (por exemplo). Ao dar o comando para comprar, só conseguia comprar 100 delas pelo valor cotado e nanossegundos depois o valor das ações tinha aumentado. Ridículo.

Foi aí que descobriu um lance bem safado:

Ocorria uma coisa chamada HFT (Negociações de Alta Frequência). As bolsas haviam, por questões de legislação, deixado de ser manuais e passaram a ser eletrônicas.

Dessa maneira, algumas operadoras de negócios tinham acesso mais rápido (computadorizado mesmo, servidores mais próximos, etc.) às bolsas.

Elas jogavam iscas de pequenos lotes de ações em todas as bolsas de valores. Assim que alguém comprava um pequeno lote destes, percebiam que havia comprador na área e rapidamente compravam os lotes nas outras bolsas para vender com ágio a este mesmo comprador.

Qual o grande lance: ter acesso a nanossegundos de diferença.

O curioso: todo o ecossistema se beneficiava da trapaça. Só quem perdia eram investidores obrigados a comprar mais caro por algo que desejavam. Bancos ganhavam, corretoras faturavam e assim por diante.

Brad emputeceu-se indignou-se com esse mecanismo e criou uma bolsa própria – IEX – em que ele DESACELERAVA tudo (enrolou quilômetros de fibra ótica dentro de um espaço do tamanho de uma caixa de sapatos), para dar o mesmo tempo de acesso a todos. Assim, o preço era sempre igual a todos.

Bem fascinante a narrativa, até por que envolve algo que estamos acostumados (tecnologia) e, pqp, a gente percebe como rola MUITO MUITO dinheiro no mundo.

Singular, o poder de ser diferente

Autoria de Jacob Pétry e Valdir Bündchen.

Hey, preste atenção a este último sobrenome.

Lembra algo como Gisele? Exatamente, é o pai dela, professor de sociologia no interior do Rio Grande do Sul. O outro é Pétry, um brasileiro que mora nos EUA e escreve livros sobre um tema denominado “mentalidade”.

O conceito básico do livro, dividido em 12 capítulos, é aprendermos a desenvolver nossa singularidade para alcançar o sucesso.

Singularidade é aquilo que nos diferencia dos outros, aquilo onde somos bons mesmo e podemos nos desenvolver.

Vários exemplos são citados:

  • O sujeito que comprou a ideia dos irmãos McDonalds e fez a marca (e a rede) explodir comercialmente para o mundo.
  • A própria filha Gisele Bündchen que decidiu ser modelo, abriu mão de muitas coisas (escola e estudos por exemplo) e perseverou no caminho até seu objetivo (e surpresa: ela ainda tem quatro irmãs lindaças como ela).
  • Como Mary Kay teve um lampejo ao ser maltratada por um antigo chefe e fundou uma gigantesca empresa de comercialização de produtos cosméticos.
  • Michael Jordan que não era bom em nada e resolveu jogar basquete (e treinou, treinou, treinou) e assim por diante.

Aliás, esse é uma das mentalidades.

Acreditar e treinar muito naquilo que desejamos ser. Quer ser um ótimo gestor de suporte? Tem que estudar, tentar, analisar, conversar com colegas, investir, correr atrás e assim por diante.

O livro aproveita conhecimentos modernos de psicologia comportamental, formas de mudar nossa mentalidade atual para algo mais promissor, ancorar sua vida num ponto futuro (onde deseja chegar), etc.

Aliás, esse é um veio literário interessante: tentar dar (ou vender) o caminho das pedras ao sucesso para as pessoas.

Eu acho que deveria parar de escrever livros técnicos e partir para essa abordagem, haha. Mas já achei minha singularidade.

Conclusões

Gostei mais do Flash Boys. Uma narrativa fluida, cheia de emoções e mostra como todo um ecossistema mama às custas de alguém. Legislativo em Brasília?

Em seguida, recomendo a leitura do livro Bilionários, mais por diversão e passatempo. Quem ler, verá curiosidades, citações, etc. das mais variadas pessoas cheias da grana.

Singular vem em terceiro por que começa bem, mas depois resvala num rio cheio de conteúdo manjado e disponível na internet. A questão não é saber o que precisa ser feito, mas o como.

Abrazon e nos vemos em março aqui em Porto Alegre ou Joinville:

www.4hd.com.br/calendario

EL CO

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