Na transformação, mudança perturba, mas é preciso coragem

Tema foi discutido por Mario Sergio Cortella e Clovis de Barros no IT Forum

Os tempos atuais, indiscutivelmente, são de transformação. Ficar parado, no entanto, não é a melhor solução. Foi exatamente essa a discussão proposta pelos filósofos e educadores Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho na abertura do IT Forum 2017, que acontece de 19 a 23 de abril, na Praia do Forte (BA), em linha com o tema do encontro “A vida em três atos: mudança, medo e atitude”.

Falando sobre mudança, Barros Filho lembrou que unidades fundamentais transformam-se o tempo todo. Uma pessoa não se banha duas vezes no mesmo rio, porque ela não é a mesma sempre e o rio também se transformou. O que era uma coisa ontem, pode não ser a mesma amanhã, mas, curiosamente, as pessoas foram criadas para resistir às mudanças.

“Uma banana em uma fruteira deixa ser a mesma banana. Mas continuamos usando o nome banana, acreditando que ela continua a ser a de antes”, exemplificou. Levando a mensagem para o universo corporativo, Barros Filho afirmou que logo a mudança mostra suas garras, e quando decidida pelo homem passa a se chamar inovação.

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Ele lembrou que a inovação está na forma de pensar, agir e sentir. Trata-se de uma ruptura com o passado. Algo obriga a apresentar uma novidade, refletiu. E é o ato que inovar que faz com o ser humano busque a excelência, o melhor de si. Esse exercício não é, no entanto, algo corriqueiro, tradicional. “Tirar o melhor de mim o exige o que jamais fiz, do jeito que jamais realizei e melhor”, afirmou. Barros Filho lembrou que, naturalmente, isso pode não dar certo, mas a inovação tem de, invariavelmente, estar a serviço do homem.

Eu, mudar?
Mudar dá agonia, apontou Cortella, mas somente cada um pode alterar esse senso dentro de si. “[O filósofo} Heraclito dizia que a única coisa permanente é a mudança”, referenciou ele. O ambiente atual é de incertezas, comentou, mas é preciso atitude e coragem para transformar o cenário.

Mas o que é mudar, exatamente? Cortella citou o naturalista inglês Charles Darwin para exemplificar. Ao contrário do que se pensa, Darwin não descreveu em sua teoria que algo muda por necessidade, mas porque melhora. “Ele usava Metanoia, que em grego é mudança. Evoluir é mudar’, comentou. Da mesma forma que sucesso para Darwin não estava relacionado ao fato de que sobrevivia o mais forte, mas, sim, o mais apto. “A força da qual ele fazia menção é da sobrevivência e da capacidade de ter coragem.”

E coragem é justamente o que se precisa para mudar, enfrentar o desconhecido. “Coragem não é ausência de medo, é a capacidade de enfrentar o medo. Gente que não tem medo é leviana”, apontou Cortella. Medo, completou, é fundamental para o ser humano e é um dos mecanismo de proteção. O outro é a dor.

Com a transformação que vive o mundo corporativo, em várias frentes, seja na carreira do CIO ou do CEO, seja na própria revolução dos negócios, olhar para o passado e ter medo é natural. Empresas e pessoas têm raízes, o que não se pode, no entanto, é ter âncoras. “É preciso ter coragem.”

A hora é agora
O famoso pensamento de que “segunda-feira eu começo” é altamente perigoso, alertou Cortella. Barros Filho concordou, usando como exemplo o mundo dos negócios. “Quando se trabalha em um lugar que não vislumbra necessidade de superação de si mesmo, a pessoa acaba sendo tomada por mesmice que só o passar do tempo pode romper”, disse.

Citando o escritor Benjamin Disraeli, Cortella afirmou: ˜ A vida é curta demais para ser pequena.” A hora é agora, completou, incentivando mudanças imediatas. “Os romanos estão certos. A sorte segue a coragem, isto é, a capacidade de atitude, de ir atrás, mover a inteligência.”

É preciso coragem, alertou Cortella. Já dizia François Rabelais, escritor e médico do Renascimento: “Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram quando podiam”. Queremos, podemos, devemos e fazemos, finalizou Cortella.

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