Ricardo Brognoli assume comando da HPE no Brasil

Executivo quer imprimir marca própria e destaca desafio de reposicionamento

Após 17 anos de casa, Ricardo Brognoli chega ao posto máximo da HPE no Brasil. Os desafios são grandes e passam, principalmente, pelo reposicionamento da marca, como o próprio executivo destaca. A companhia vem passando por uma série de mudanças nos últimos anos, sendo as duas últimas a venda de ativos de software para a Microfocus e a fusão da divisão de Enterprise Services com a CSC, que deu origem à uma nova empresa. Essa HPE que emerge pós-mudança é menor, focada e mais ágil, o que, na visão de Brognoli, trará uma série de vantagens. A seguir, você confere os principais trechos da entrevista.

IT Forum 365 – Você assume a operação da HPE num momento de mudanças. Houve a separação da HP em duas e, mais recentemente, a venda de ativos de software e a criação de uma nova empresa a partir da junção da área de Enterprise Services com a CSC, o que cria um novo momento para a companhia. Que tipo de desafio você acredita que enfrentará?

Ricardo Brognoli –  Sem dúvida é um momento importante para a companhia e tenho falado isso para todos os nossos colaboradores. Não é uma nova HPE, mas uma HPE diferente. Menor, mais ágil e isso é bom para nós e para o mercado. Mas teremos o desafio de reposicionar a organização perante nossos clientes e canais.

Existe uma pergunta que tem sido muito feita quando converso com executivos no mercado: ‘então, Ricardo, a HPE não tem mais serviços?’. E muito pelo contrário, nós temos serviço, tínhamos uma divisão de suporte e consulting e ela está sendo rebatizada agora para HPE Pointnext. Isso para mostrar que temos serviços, é importante e é um dos pilares para a estratégia da companhia.

Então, de novo, o desafio é colocar a HPE no seu novo momento de mercado, de oferta, com portfólio crescendo por meio de aquisições; e vai continuar crescendo para assegurar a estratégia da companhia que é ser líder de mercado na transformação de TI, na TI digital e para intelligence edge, que nada mais é que trazer as informações para dentro do data center muito mais apurada, diferente do que propõe algumas soluções do mercado.

ITF 365 – Então, apenas frisando essa questão dos serviços, vai ser um pouco do que aconteceu com software. Vocês venderam alguns ativos para a Microfocus e ficaram com o que fazia sentido para o portfólio e, agora, o mesmo com serviços?

Brognoli – Exatamente, o serviço que é fundamental para nossa solução de infraestrutura, para nosso ambiente de TI híbrida e intelligence edge continua dentro de HPE Pointnext. E mesmo a Pointnext continuará enriquecendo seu portfólio de serviço, seja por meio de capital próprio, seja por aquisições se for o caso.

ITF 365 – No começo da entrevista você menciona a necessidade de reposicionamento da HPE. Que mensagem você quer passar para clientes e parceiros? O que é essa empresa que não é nova, mas é diferente?

Brognoli – É uma HPE que vai levar para os clientes uma proposição de como eles podem fazer e participar da transformação digital, já que ela é inequívoca. Todos os nossos clientes e todas as empresas que estão aí fora vão passar por ela. Algumas já passaram e outras passarão num futuro próximo, é uma mera questão de quando.

Já falando de canais e parceiros, existe uma oportunidade tremenda perante eles, porque eles passam a ter um papel de integração de soluções muito mais forte do que tinham até recentemente. Esse papel cresce porque, embora esteja crescendo o portfólio da HPE, eu não tenho 100% das soluções disponíveis no mercado, então, vou precisar de parceiras. Muitas delas eu mesmo vou construir, por meio do programa HPE Complete, onde trago para dentro do portfólio parceiros de software e hardware que complementam nosso portfólio como uma Veeam Software, e inserimos a oferta em nossa lista de preço.

ITF 365 – Quando você fala da relação mais forte de integração que o canal passa a ter, existe alguma mudança em curso no programa de canais da HPE ou mesmo na formação ofertada? Pergunto isso porque a indústria como um todo tem discutido o perfil do canal frente a todas as mudanças e inovações.

Brognoli – Nosso programa de canais é tido na indústria como um dos melhores e nossa rede de canais é bastante poderosa e até invejada. Assim, não vamos mudar o programa de canais, mas sim enriquecê-lo, com portfólio e algum incentivo adicional para as soluções que estejam de fato na necessidade do negócio.

O que estamos fazendo com os canais é investir muito em treinamento e capacitação. Não é só a TI que está se transformando, nós também temos que nos transformar. A forma de vendermos, de buscar negócios e ofertas que iremos levar. Então, nós vamos levar essa transformação para os nossos canais, para que eles possam participar disso. E queremos treinar não apenas nos conhecimentos técnicos de nossas soluções, mas também em soft skills, para melhorar negociação, em como posicionar uma solução para um cliente, como ouvir e entender necessidade do cliente e não apenas oferecer pedaços de software e hardware.

ITF 365 – Olhando todo o retrospecto da HP, mesmo depois da divisão em duas empresas. A HPE sempre teve uma imagem muito forte e até de que era uma mini-HPE global aqui no Brasil. Essa imagem fica arranhada ou você acredita num fortalecimento dela a partir do trabalho que você tem pela frente?

Brognoli – Eu entendo que ela tem como se fortalecer. Como mencionei temos um reposicionamento a ser feito, mas essa imagem de ser uma mini-HPE no Brasil ela se mantém, até mesmo porque a manufatura local continua e deve até crescer com o portfólio que estamos trazendo. E o time de P&D que mantemos em Porto Alegre (RS) também segue com o mesmo investimento da empresa no Brasil, sendo que o HPE Labs se aproveita dessa estrutura local, mandando trabalhos para serem feitos por essa equipe.

Hoje eles estão num racional de 50/50 no que eles desenvolvem baseado na Lei da Informática e no que eles criam por encomenda do HPE Labs. Vários produtos nossos que vão ao mercado têm a mão da nossa equipe de P&D local.

ITF 365 – Para encerrar nossa entrevista, gostaria de falar do líder Brognoli. Você tem uma longa experiência em TI e se construiu como líder dentro do mundo HPE ao longo de 17 anos na companhia, passando por diversas áreas, até canais. Como essa experiência te ajudará em sua nova missão e na mensagem que você quer passar para clientes e parceiros?

Brognoli – São 17 anos e isso é uma vida. Um amigo me encontrou recentemente e disse que depois de 9 anos não sabia o que era ele e o que era a empresa. Se ele com 9 falava isso, eu com 17, falo o quê? Embora 17 anos na mesma empresa, este é meu nono trabalho dentro da HPE e isso me trouxe até aqui. O conhecimento dos processos, da forma de trabalhar da empresa, das pessoas, arrisco dizer que um terço dos funcionários que teremos na companhia reportou pra mim em algum momento. Muitos dizem que é preciso liderar caminhando pela empresa e eu faço isso literalmente, converso com quem quer que seja e da mesma forma todos têm liberdade de falar comigo. Com a empresa menor, e ficou menor pelas separações, ela precisa ser mais coesa e mais rápida, olhando para a mesma direção e é o que tenho levado o time.

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