Brasil mais do que dobrará conexões 4G até 2020

Dados da GSMA mostra expectativa de mais de 141 milhões

O número de conexões 4G na América Latina saltou 121% em 2016, alcançando a marca de 113 milhões em comparação com os 51 milhões do ano anterior, segundo dados da GSMA, que representa os interesses das operadoras móveis de todo o mundo, unindo quase 800 teles e cerca de 300 empresas do ecossistema móvel.

A taxa de crescimento foi quase o dobro da média global e foi impulsionada pelo investimento contínuo em redes e serviços 4G por operadoras móveis na região. Os números foram apresentados durante o Mobile World Congress (MWC) 2017, que acontece nesta semana em Barcelona (Espanha).

O Brasil foi responsável por pouco mais de 60 milhões dessa fatia, o primeiro em volume na região. Para 2020, a associação espera que o número total de conexões 4G chegue à marca de mais de 307 milhões, com o País liderando com mais de 141 milhões. De acordo com a GSMA, as teles investiram mais de US$ 48 bilhões na região para aprimorar suas redes. A previsão é de que elas direcionem, até 2020, mais de US$ 78 bilhões para melhorias.

“Para 2020, acreditamos que 83% da população da América Latina estará coberta por 3G, contra 68% de hoje. Além disso, mais de oito em cada dez pessoas estarão cobertas por redes 4G”, enumerou Sebastian Cabello, líder da GSMA para América Latina.

Ele destacou, ainda, que o salto aconteceu em função da expansão da adoção de smartphones na região. Hoje, os celulares inteligentes representam 55% do total de conexões móveis na América Latina.

Consolidação do mercado
Cabello afirmou que o futuro da indústria de telecom é desafiado pela estagnação do crescimento e que isso motiva a consolidação do mercado. “Esse é um passo natural para continuar mantendo a indústria rentável. Estamos começando a ver uma relação de amor e ódio com as empresas over the top (OTTs)’, comentou.

O executivo acrescentou que relacionado ao tema está a regulamentação, uma vez que, hoje, quase 85% do tráfego de voz e dados é gerado por Wi-Fi via aplicativos de OTTs, como o WhatsApp. “Isso significa que somente 15% está cumprindo com a regulação. A preocupação da indústria é como adaptar o sistema móvel para que se tenha um campo mais nivelado”, observou.

Para ele, o futuro requer uma abordagem mais flexível e tecnologicamente agnóstica da regulação, descartando regras que já não refletem mais a dinâmica da indústria. A GSMA recomenda que governos promovam mais qualidade de serviço e inovação por meio da competição.

Outro tema citado por ele foi a eliminação de impostos para permitir maior universalização do serviço, aproveitando ao máximo um insumo-chave para a indústria como o espectro radioelétrico, como o que deverá ser usado pelo 5G.

5G pela frente

Falando sobre a quinta geração de serviços móveis, Cabello lembrou que as redes 5G devem começar a ser lançadas na América Latina a partir de 2020. Assim, afirmou, o 5G será desenvolvido com base no sucesso do 4G.

Ele lembrou que definição do espectro será ainda discutida, mas que 5G exigirá um espectro móvel novo e amplamente harmonizado (em bandas de frequências baixas e altas) para assegurar a implantação das redes no tempo certo e maximizar o investimento na rede.

“Assim como aconteceu com a TV que teve de liberar a faixa de 700 MHz, haverá a possibilidade de uso da faixa de 28 GHz, atualmente usada por satélites”, comentou. “Vamos atuar para que Brasil trabalhe a Banda L e a 2.8 GHz para serviços móveis”, finalizou.

*A jornalista viajou a Barcelona (Espanha) a convite da Qualcomm

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