Computação cognitiva vem para balançar o mundo dos negócios

Computação cognitiva vem para balançar o mundo dos negócios

Para CEO da IBM, Marcelo Porto, empresas que não se prepararem para essa nova onda e continuarem focadas em modelos tradicionais de negócios, sucumbirão

Até pouco tempo, a computação cognitiva não passava de trechos de filmes de ficção científica como Minority Report, Inteligência Artificial, ou, para citar um exemplo mais recente, o longa Her, de 2014. Hoje, a tecnologia caminha para se tornar cada vez mais parte integrante – e essencial – da estratégia de empresas de todos os segmentos.

E isso também inclui companhias brasileiras. “Quando o assunto é investimentos em computação cognitiva, vemos um movimento grande, especialmente no Brasil”, afirma Marcelo Porto, CEO da IBM Brasil, em entrevista ao IT Forum 365. O executivo cita que o cenário nacional é diverso, tendo “alguns setores da indústria mais propensos [ao investimento], outros mais conservadores”, comenta.

Apesar de representar grande mudança para empresas, para ele, o grande desafio da computação cognitiva, no entanto, não será a tecnologia em si, mas como lidar com a base dela: as plataformas que, segundo Porto, colocarão em xeque os negócios. Confira abaixo o bate-papo com o executivo:

IT Forum 365 – Como está atualmente o cenário brasileiro na área de computação cognitiva? Como as empresas estão lidando com esse assunto?
Marcelo Porto – Você não vai encontrar um único cenário de computação cognitiva, porque alguns setores da indústria são mais propensos a esse tipo de tecnologia e outros mais conservadores. Mas diria que nos setores predominantes, seja varejo, finanças ou serviços de forma geral, vemos um movimento grande, especialmente no Brasil. Temos uma relação bastante próxima com vários bancos, como Bradesco e Banco do Brasil, e existem outros bancos também que estão realizando um trabalho em computação cognitiva em pontas diferentes – alguns em busca de eficiência, outros com lado mais de inovação.

O mercado brasileiro investe em inovação. Esses segmentos que comentei já são bem maduros e ainda estamos abrindo portas importantes em saúde e educação.

ITF365 – E o País investe em inovação apesar da crise?
Porto – Acredito que quem trabalha com tecnologia tem uma vantagem, porque ela funciona muito bem nas duas pontas: na de inovação pura, aplicada, e também na da busca por eficiência. Sempre vai haver investimento. A beleza de trabalhar com tecnologia está aí.

Por exemplo, com ferramentas analíticas e cognitivas, consegue-se ter um retorno mais rico de uma campanha de marketing do que quando feita por meio de modelo tradicional. Isso significa que com o mesmo investimento, é possível extrair um retorno melhor. Outro exemplo: quando olhamos investimento em call center, o objetivo é melhorar eficiência e satisfação do cliente com respostas, porque começa a ter um índice de assertividade em torno de 95% para obter uma resposta certa na primeira tentativa. Isso resulta em satisfação e acaba vendo acontecendo “contaminação” na cadeia inteira, porque se o cliente está mais satisfeito ele acaba retornando isso para a empresa de outra forma.

ITF365 – Qual o principal desafio para empresas quando se fala em computação cognitiva?
Porto – Acredito que o principal desafio que está por trás disso tudo é que esses modelos de computação cognitiva estão apoiados basicamente em plataformas. Então, volto um passo: acho que o desafio de todas essas companhias está no fato de que essas plataformas – que são apoiadas em cloud, analytics, mobilidade, colaboração e segurança – questionam os modelos tradicionais de negócio. Você tem essas plataformas que estão amplamente difundidas, umas mais conhecidas, outras menos – desde um AirBnB, Uber, e assim sucessivamente -, e elas colocam em xeque modelos tradicionais. Quando você coloca uma camada cognitiva em cima dessa plataforma você exponencializa esse desafio. E acaba tendo uma área cinzenta entre os setores. Até onde vai uma empresa de telco? Onde começa uma empresa de meio de pagamento? Qual o papel de um banco? Você passa a ter essa fronteira entre setores tradicionais um pouco mais confusa.

As pessoas têm de entender que o mundo, de fato, mudou. Seu concorrente futuro pode não ser do seu setor tradicional. Se as empresas não perceberem que, no futuro, concorrentes virão de outro segmento, ou não existem hoje, ou podem ser fornecedores, ou até ser concorrentes tradicionais, a chance de elas sucumbirem é grande.

O maior desafio, portanto, está em as companhias perceberem que com esse modelo, o acesso à tecnologia é democratizado e pode-se criar plataformas disruptivas no meio dessa equação. Se não estiverem preparadas para essa onda e continuarem focadas nesse modelo tradicional, sem se preocupar com a jornada de transformação digital, o modelo de negócio sucumbirá.

ITF365 – Você acredita que startups vieram não somente para romper com esse modelo de negócios tradicional, mas para ajudar empresas?
Porto –
Eu diria que as fintechs e as startups, de forma geral, vieram para estimular. Acho que essas empresas são muito boas, porque começam fazendo esse unbundling dos negócios tradicionais, ou seja, elas não têm a proposta de substituir uma empresa inteira, mas de substituir certos processos que são hoje ineficientes ou não têm o nível de contribuição que o mercado espera. Então elas provocam. Você vai ter situações, sim, em que um conjunto de startups moverá a agulha e provocar uma transformação nas empresas tradicionais.

ITF365 – E a IBM, o que está preparando além da transformação cognitiva?
Porto –
Estamos vivendo uma nova era, que vem em ciclos. Nosso desafio é garantir que, na estrutura de unidades de negócios relacionadas com computação cognitiva, possamos impor a velocidade necessária de transformação. Não precisamos de coisas novas, mas sim de dar a velocidade que o mercado demandará para que possamos impor esses modelos de transformação.

Acreditamos que temos a estratégia correta, estabelecida, calcada em plataformas em nuvem cognitiva. Esse é nosso direcionamento estratégico e está apoiado em uma camada em cloud, analytics, com mobilidade, segurança, colaboração, tudo isso criando um arcabouço analítico. O desafio que temos é: com que velocidade conseguimos levar nossos clientes para essa jornada de transformação? Como os ajudo nesse processo de transição, no qual viverão em um ambiente híbrido – onde terá sistemas tradicionais, o core business, e onde também terá de manter seu negócio funcionando – ao mesmo tempo que, do outro lado, construo uma ponte para novos sistemas de engajamento, de encantamento.

Essa vai ser a realidade: um ambiente híbrido, complexo. Essa nossa estratégia [de dar velocidade a clientes e ajudá-los a conviver em um ambiente híbrido] está correta e vai perdurar não por um, mas por vários anos.

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