Consumerização ainda é o caminho dos tablets para o mercado corporativo

Uma série de fatores ainda impedem a aquisição de tablets como parte de um modelo de negócios. Quem mais se beneficiou com as vendas do varejo foram as fabricantes de software de gestão da mobilidade

As vendas de tablets em todo o mundo causam furor no mercado de tecnologia, principalmente por serem responsáveis por parte dos baixos resultados do mercado de computadores convencionais. Aliás, as vendas mundiais de PCs totalizaram 80,3 milhões no terceiro trimestre de 2013, uma queda de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com resultados preliminares do Gartner, o que marca o sexto trimestre consecutivo de baixas no segmento.

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No País, as vendas de tablets andam “pra lá de boas”. De abril a junho, foram comercializados 1,92 milhão de tablets, o que representa um crescimento de 151% em relação ao mesmo período no ano passado. Desse montante, 82% das vendas foram para usuários finais, informa a IDC. Os outros 18% das vendas foram destinados ao mercado corporativo, ou seja, adquirido por empresas.

Quando os tablets ainda eram apenas parte de uma tendência em mobilidade, falou-se que o principal beneficiado por esses equipamentos seria o segmento corporativo, pois o tamanho do equipamento e a facilidade para consumo de conteúdo otimizaria o contato com o cliente em diferentes níveis. Mas os números mostram que ainda há um longo período para que o item se torne, de fato, uma ferramenta empresarial.

Para o consultor de TI e ex-IDC Anderson Figueiredo, as restrições deste movimento são diversas. Uma delas é o fato de que as corporações compram computadores em alto volume, levando em consideração o custo-benefício, ou seja, o quanto a produtividade de notebooks, por exemplo, alavancará o trabalho dos colaboradores. Com os tablets, o retorno não seria por completo, tendo em vista que são produzidos para o consumo de conteúdo. “E bons tablets, que realmente causem alguma mudança na empresa, ainda custam caro demais”, diz. Ele pontua outras características que afetam na evolução:

  • Segurança da informação: uma vez que os softwares são trocados por aplicações, como fazer a gestão da troca dos dados de forma coerente e como fazer a troca da informação de forma natural? É o terror do CIO, e redesenhar políticas da organização levaria muito tempo.
  • Armazenamento físico: o empregado leva o dispositivo para casa ou fica na empresa? Se fica na companhia, como armazená-lo da melhor forma?
  • Treinamento, suporte e manutenção: esses são os pontos mais importantes. Tablets impõem uma nova forma de trabalho e interação e uma série de treinamentos serão necessários. Da mesma forma, o suporte à mobilidade dos dispositivos deve ser repensada, para não deixar nem o funcionário e nem a empresa na mão. E a manutenção dos itens é complicada e cara.

“O que acontece com os tablets no mercado corporativo é exatamente o que mesmo com os notebooks quando eles chegaram. Eram muito caros, não se sabia o que fazer para guardar aquele equipamento, as políticas de segurança devido à mobilidade eram diferentes. Vários pontos foram levantados”, diz. “Mas quando o valor do notebook se equiparou com o dos desktops, todo mundo adquiriu. É também um problema cultural”. Para ele, os próximos 18 meses podem redesenhar esse cenário.

Líder da área de pesquisas em TI da Frost & Sullivan, Fernando Belfort acredita que tablets dentro das empresas são e serão unicamente estimulados pela consumerização. E as organizações só tendem a observar benefícios neste sentido. O fato, diz, é que os usuários compraram os dispositivos primeiro que as empresas, e desde então os inseriram na cultura das organizações, o que, embora tenha criado um pânico entre os CIOs, foi positivo para a questão de produtividade e fidelidade dos funcionários.

Para ele, as empresas entenderam a necessidade de validar os tablets dentro de sua rede, então elas investem em software de gestão desses equipamentos, sendo os fornecedores dessas tecnologias os verdadeiros beneficiados em questão de vendas para mobilidade nas corporações. “Software é mais barato que hardware”, pontua.

Ele afirma que, no Brasil, 55% do budget de TI é investido em hardware e este cenário, devido à consumerização, tende a mudar, passando a maior parte desse orçamento para os softwares.

Setores da economia que têm efetivamente investido em tablets como parte do modelo de negócios são, principalmente, farmacêutico, que otimizam as equipes de vendas na rua, e educacional, que por lidarem com as novas gerações se encontram no momento de ampliar a percepção de conteúdo dos professores para alinhar expectativas com alunos. Governo também tem lidado bem com a questão, avalia.

Saiba mais – Especial Tablets:

PARTE 2 – Oportunidade dos tablets está nos serviços

PARTE 3 – Na briga da mobilidade, tablets e smartphones são os vencedores

PARTE 4 – Como fazer negócio em mobilidade?

 

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