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24,3 milhões de crianças online, mas pais falam pouco sobre segurança

Pesquisas indicam que 83% das crianças e adolescentes estão conectadas, mas pais brasileiros falam por menos de 30 minutos sobre segurança digital.

Wellington Arruda

20/09/2019 às 13h51

Crianças conectadas como garantir a segurança digital
Foto: Shutterstock

Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2018, há cerca de 24,3 milhões de crianças e adolescentes, entre 9 e 17 anos, com acesso à internet no Brasil. Divulgada hoje (17), o número compreende a 83% de toda a população nesta faixa etária.

Esta, inclusive, é uma média ainda mair do que a população em geral que está conectada, "que está em torno de 70%", disse Fabio Senne, coordenador de projetos de pesquisas do Cetic.br. Há três anos, o uso da internet por esse público era de 79%. Entre a população de 15 e 17 anos, o percentual é de 86%.

No ano passado, 3,8 milhões de crianças não tinham a cesso à internet por falta de rede doméstica (8%), ou pela impossibilidade de usar a internet na escola (5%).

As regiões Norte e Nordeste são as que menos usam internet no país (75%), enquanto a região Sul lidera com 95% de crianças e adolescentes conectados.

Nos últimos três meses, cerca de 3,8 milhões de crianças e adolescentes não utilizaram a internet e "estão concentradas nas parcelas mais vulneráveis da população, especialmente nas classes D e E", afirma Senne.

Como usam a internet

Na pesquisa, foi constatado que oito em cada dez crianças e adolescentes do país curtem assistir vídeos, programas, filmes ou séries na internet.

  • 83% usa para atividades multimídia;
  • 77% para o envio de mensagens instantâneas;
  • 55% para jogar online (enquanto 60% jogam offline, mas com outros jogadores);
  • 82% para escutar músicas.

O principal meio de acesso desta parcela é pelo smartphone (93%). O acesso por meio de um dispositivo móvel ultrapassou o de computadores desde 2014, mas Senne afirma que isso ainda deve aumentar.

Nas TVs, 32% costuma acessar a internet; em 2014, o número era de 5%. Nas classes mais vulneráveis da população (D e E), o uso da internet é feito exclusivamente pelo smartphone por 71% das crianças e adolescentes.

Educação. Cerca de 74% das crianças e adolescentes pesquisam trabalhos escolares na internet; cerca de 53% para ler ou assistir notícias; 66% costuma fazer pesquisas por curiosidade ou vontade própria. Dentro das escolas, o uso de internet atinge cerca de 40% das crianças e adolescentes.

Rede sociais. 22 milhões de crianças e adolescentes (82%) possui perfil nas redes sociais. Luísa Adib, coordenadora da pesquisa, diz que, entre 15 e 17 anos, 97% dessa população tem um perfil em redes sociais.

A preocupação fica com os pais

Os números são expressivos também para os pais. De acordo com estudo realizado pela Savanta a pedido da Kaspersky, 93% dos pais brasileiros se preocupam com a cibersegurança das crianças.

As principais preocupações estão relacionadas a privacidade e segurança delas. A mesma pesquisa aponta que nove em cada dez crianças, com idades entre 7 e 12 anos, têm um smartphone ou tablet conectado à internet.

Por outro lado, a pesquisa aponta que os pais conversam com seus filhos sobre segurança na internet por apenas 46 minutos durante toda a infância delas. Somente no Brasil, 62,6% dos entrevistados falaram menos de 30 minutos sobre o assunto.

Sobre o tempo que passam online, dois em cada três pais brasileiros (66,2%) concordam que os filhos trocam parte de suas infâncias por causa de uma tela, além de estarem expostas a diversos riscos. Para os pais, estas são as ciberameaças mais perigosas:

  • Se tornarem viciados na internet (31,7%);
  • Conteúdo impróprio como sexo ou violência (24%);
  • Receber mensagens ou conteúdo impróprio de anônimos ou incentivando a violência (15%).

Segundo pesquisa do We Are Social, no geral, o usuário brasileiro de internet tende a passar cerca de 9h29min navegando por dia.

Como reduzir os riscos?

A mesma pesquisa da Kaspersky aponta que 75% dos pais brasileiros consideram que explicar os perigos da internet é uma responsabilidade deles; ainda que falem pouco, como apontado nos dados listados acima.

Ela ainda aponta que eles "falam de menos" sobre o assunto pela dificuldade em estabelecer um diálogo. Estes foram os principais desafios listados:

  • Explicar ameças de modo que as crianças entendam (66,9%);
  • Fazer com que elas levem as ciberameaças a sério (43,6%);
  • Desencorajá-las/dar-lhes confiança para não seguir a pressão dos colegas (33,7%).

A pesquisa da empresa de segurança estudou pais de crianças de idades entre 7 e 12 anos, investigando tendências, práticas e desafios de mantê-las seguras na internet. Foram quase 20 países e 9 mil pais englobados.

Fonte: Kaspersky, EBC Brasil.

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