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2G, 3G ou 4G? Como será o futuro para IoT?

Déborah Oliveira

25/08/2015 às 6h07

2G
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A data é 3 de agosto de 2012. Depois de alguns meses cheios de rumores, finalmente o gigante de telecomunicações americano, AT&T, comunica formalmente à SEC (órgão regulador da bolsa de valores norte-americana) que irá desligar sua rede 2G e anuncia uma data firme: 2017. E logo após, inicia o processo de "refarming" de sua rede, desligando paulatinamente sua infraestrutura 2G e reaproveitando aos poucos as frequências para outras tecnologias mais avançadas como LTE e 3G. 
 
Quais foram as consequências? Os clientes M2M da AT&T imediatamente perceberam que teriam uma despesa adicional para trocar os SIM Cards e contratar outra operadora ou atualizar os equipamentos por algo que pudesse utilizar a rede 3G, o que significava trocá-los. Despesa não prevista, pelo menos não para o mesmo ano, reduzindo os resultados das empresas prestadoras de serviços M2M como rastreamento, telemática de forma mais genérica, por exemplo. Uma má notícia, mas não para todos. Os fornecedores de equipamentos viram enorme oportunidade para aumentar suas vendas, o que realmente aconteceu, agora com equipamentos capazes de se comunicar em 3G.
 
Os mesmos motivos que levaram a AT&T a se afastar da rede 2G, levaram outras operadoras no mundo a tomar decisões diferentes e manter essa rede por muito mais tempo. As operadoras convivem hoje com três tecnologias diferentes, 2G, 3G e 4G (LTE), o que exige um custo elevado. A rede 2G, com suas limitações de banda (ou velocidade), pode ser ideal para a maioria das aplicações M2M, com baixo tráfego, porém é incompatível com os usuários de smartphones, ávidos por banda, que migram em massa para as redes 3G e 4G. 
 
Para operadoras como EE, KPN, Vodafone e Orange, a lógica é diferente da seguida pela AT&T. O vice-presidente de desenvolvimento de produtos da Orange (operadora celular francesa), Pierre Francois Dubois, declarou durante evento sobre LTE (4G), que o 3G será o primeiro candidato a ser abandonado, embora ainda não tenha anunciado uma data. Essas operadoras europeias parecem muito mais cuidadosas e preocupadas em manter os clientes 2G, preferindo migrar de 3G para LTE e manter o 2G por mais tempo. Boa notícia para os clientes M2M, pelo menos na Europa.
 
De acordo com relatório GSMA Intelligence recente, a tecnologia 2G ainda conta com 58,5% das 7,11 bilhões de conexões mundiais, comparado com 32,5% de 3G e 9% 4G. O mesmo relatório aponta dominância da tecnologia 2G até o começo de 2019. Esses números incluem, tanto equipamentos M2M como celulares pessoais.
 
As mesmas pressões na Europa e EUA são sentidas aqui no Brasil. Custa caro para operadoras, já sujeitas a pesada carga tributária, manter três redes simultaneamente. Além disso, as frequências usadas pelo 2G podem ser necessárias para expansão de outros serviços, o que pode justificar decisões parecidas com a tomada pela AT&T. 

Os aspectos regulatórios também estão sendo analisados, e ainda não foi anunciada nenhuma decisão publicamente. A Claro, de acordo com Rogério Guerra, diretor nacional de Vendas da Claro, preserva os clientes M2M e mantém a rede disponível e com a mesma cobertura provendo serviço de qualidade, uma vez que os celulares deixam de usar essa tecnologia migrando para 3G ou 4G. Não há, no momento, nenhum plano para desligar a rede 2G. 
 
Fontes da Telefônica Vivo confirmam que há grande esforço em migrar os usuários de voz para telefones 3G e 2G, deixando a rede 2G para uso cada vez mais exclusivo dos equipamentos M2M. Manter a rede está se tornando mais difícil, porque os fornecedores de tecnologia começam a dar menos suporte e, recentemente, são enfrentados casos de paralização de ERBS (Estação Rádio Base) por roubo das peças 2G. Aparentemente, vem aumentando o mercado paralelo de peças para outros países menos atualizados. De qualquer forma, não há, na Telefônica Vivo, planos de curto prazo para desligamento da rede 2G.
 
Enquanto isso, o mercado se prepara. Depois da decisão norte americana, para os projetos de longo prazo principalmente para segmentos comoutilities, já são elaborados a partir de equipamentos que podem se conectar a 2G ou 3G, buscando proteger o investimento feito nos equipamentos para qualquer cenário. 
 
O custo é considerável, uma vez que o módulo 3G precisa suportar no mesmo chip as quatro bandas 2G, além das cinco bandas 3G usadas pelas operadoras. Esse custo é facilmente justificado em projetos de longo prazo, como o Edital para Modernização, Otimização, Expansão, Operação e Controle Remoto e em Tempo Real da Infraestrutura da Rede Municipal de Iluminação Pública, PPP proposta pela Prefeitura de São Paulo que estabelece contrato de 24 anos. Nesse caso, é importante para o prestador de serviços manter o mesmo equipamento em operação pelo maior tempo possível e os concorrentes já consideram usar equipamentos 2G/3G desde o início da implementação. 
 
Os grandes fornecedores de módulos já aconselham seus clientes, desenvolvedores de equipamentos conectados, a adotar os novos módulos 3G/2G ou pelo menos usar arquiteturas que permitam a troca dos módulos sem que seja necessário refazer todo o projeto do produto. As inovações e lançamentos também tenderão a se concentrar nos módulos 3G/2G, possivelmente tornando os módulos apenas 2G obsoletos com o tempo, esta foi uma afirmação do Head of Sales para a América Latina da Sierra Wireless, Márcio Fabosi.
 
Para quem busca se posicionar no mercado M2M (ou IoT) ou vai lançar um produto no Brasil, é importante avaliar o projeto do ponto de vista técnico e de negócios para determinar sua estratégia: há necessidade de velocidade na conexão? Se houver, 3G ou LTE pode ser necessário. Se não há, qual a expectativa de vida em campo do equipamento? Se for mais de três anos, talvez seja aconselhável estudar a viabilidade de um projeto 3G/2G com custo inicial mais alto, mas depreciado por mais tempo, já que o custo de troca de equipamento em campo pode ser considerável. Qual a necessidade de cobertura? Se for alta, o uso de 4G não é aconselhável em curto prazo, uma vez que essas redes ainda não possuem cobertura comparável as redes 3G/2G. De qualquer forma a opinião de um especialista para analisar as necessidades do negócio pode trazer vantagens econômicas, técnicas ou estratégicas para seu negócio em M2M (ou IoT). 
 
*Sérgio Souza é especialista em M2M e CEO da Wyless TM Data

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