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3 passos para criar um modelo de negócio digital

Déborah Oliveira

19/06/2015 às 11h33

3 passos para criar um modelo de negócio digital
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Você sabe o que é um modelo de negócio digital, questionou Fiamma Zarife, vice-presidente de Atendimento e Novos Negócios da agência Riot, em sua apresentação no IT Forum Digital, encontro realizado nesta quinta-feira (18/6) em São Paulo pela IT Mídia em parceria com a ESPM e a Korn Ferry.

O conceito parece nebuloso, mas é mais fácil de se compreender do que se pensa. “Estamos falando de como criar valor e engajar clientes no meio digital”, explicou. Segundo a executiva, que tem grande experiência no segmento e participou de cursos no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Singularity University sobre o tema, para possibilitar isso é preciso, de fato, sair da zona de conforto.

“Uma pesquisa do MIT mostra que companhias no topo do ranking de digitalização crescem 8,7% a mais em comparação com as demais”, disse, completando que outras tendências indicam que seguir esse caminho é o mais recomendado nos dias de hoje. Confira abaixo:

1. Digitalização dos diferentes pilares de um negócio
A internet chegou para simplificar a forma de consumo. Música, filme e outros itens são digitalizados, disponíveis a partir de uma série de tecnologias. “O digital está cada vez mais presente na jornada do consumidor. Não há como escapar”, atestou. 

“A migração do mundo tangível, baseado nas transações, para o digital, balizado pelo intangível, com foco na experiência do consumidor, é inevitável.” Por essa razão, disse, é necessário digitalizar diferentes pilares de um negócio.

2. Crescimento dos nativos digitais
Pessoas querem receber conteúdos que sejam relevantes e nobres, escolhidos por eles. Eles querem cocriação, realidade aumentada e outros elementos. “A nova geração vai comprar e influenciar a compra e acredita que qualquer superfície tem dois cliques. Esse é o pessoal de bermuda que citou Guilherme Maciel, líder da prática digital da Korn Ferry”, detalhou.

3. Surgimento da voz do consumidor
Fiamma lembrou que a internet mudou o padrão de consumo e as pessoas acreditam mais em amigos e até em estranhos do que nas próprias marcas. Por isso, empresas têm de saber quem são essas pessoas, entrar na conversa e, mais do que isso, ouvir.  

Pedras no caminho
Em time que está ganhando, não se mexe. Esse pensamento, totalmente arcaico, não pode ser levado mais em consideração com a evolução do digital. Mas por que é tão desafiador seguir esse modelo? Fiamma relata que, essencialmente, são três os motivos.

1Medo de desafiar o modelo tradicional
Empresas gostam da zona de conforto e isso é natural das organizações, mas quem desafia o status quo, sai à frente. “A Amazon por exemplo, fez isso ao sair do modelo de livros físicos para os ebooks. É impossível conseguir resultados diferentes usando as mesmas práticas, ou seja, fazendo mais do mesmo”, refletiu.

2. Estruturas organizacionais
Estruturas top down, nas quais comandos acontecem na alta diretoria e são seguidos pelos demais que estão abaixo, afasta todos. “Há uma clara distância entre informação e execução”, pontuou. Mesmo as grandes empresas podem mudar suas estruturas, assim como fizeram Apple, Samsung e IBM.

3. Integração de diferentes plataformas
Como integrar com o legado? Essa é a primeira pergunta que empresas fazem ao considerar o digital, mas que tal focar nos ganhos. “Se eu conseguisse saber as interações por clientes em redes sociais, telefone e outros canais, terei uma riqueza de dados e poderei gerar muitas oportunidades”, observou Fiamma.

4. Existência de processos
Para que a digitalização seja absorvida de forma indolor, é preciso treinar e contratar pessoas com novas habilidades. “Tudo isso aumenta custos, que é outra barreira, mas lá na frente significa mais economia.”

Afinal, como reduzir a barreira?
Coragem e mais coragem para derrubar a floresta do ‘não’, aconselha a executiva. A Amazon, por exemplo, criou o “Sim Institucional”. Assim, para cada ideia não aceita, o diretor deve argumentar em laudas. Com isso, explicou Fiamma, mais ideias foram levadas adiante e testadas.

Outro ponto importante para reduzir os desafios digitais é mirar a estratégia no cliente e não no concorrente, além de melhorar a cultura interna e não ter medo de eliminar produtos. “Temos de abalar convicções e ideologias ultrapassadas”, ensinou.

Fiamma indica ainda que empresas devem contar com os nativos digitais em suas lideranças. “São eles que vão fechar as lacunas geracionais e tecnológicas, acelerar o processo de aprendizado e fazer mentoria reversa”, contou. Para ela, a mistura de lideranças é onde as empresas estão pecando. “Pessoas com idades e ideias diferentes levam uma riqueza muito grande e iniciam discussões relevantes.”

Fazer parcerias e criar uma estrutura na borda da organização também estão na lista. “Macy’s, Target e Walmart criaram sites de comércio eletrônico de maneira externa e independente para acelerar ações digitais”, exemplificou. A criação de laboratório, que ela batizou de ‘playground tecnológico’, é uma ótima saída para pensar o novo, lidar com erros e construir uma estratégia digital robusta. “De qualquer forma, faça, ou você vai quebrar. Se você não criar sua disrupção, alguém vai fazer. Seja disruptor ou será disruptado”, finalizou.

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