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5 desafios que as organizações devem solucionar ao adotar IA e automação

Os avanços em inteligência artificial e aprendizado de máquina levaram a uma era de automação, transformando nossa maneira de trabalhar e de viver

*Weslyeh Mohriak

22/08/2019 às 10h36

Foto: Shutterstock

A automação – especificamente de robótica de processos (RPA, na sigla em inglês) – já consegue se igualar ou até ultrapassar o desempenho humano em uma grande variedade de processos nas empresas. Enquanto categoria de tecnologia, a RPA está se expandindo rapidamente em múltiplas indústrias, tais como finanças, saúde, seguros e manufatura, graças à percepção clara de seus benefícios, como precisão, eficiência e produtividade. Porém, sua vantagem principal não é apenas para as organizações, mas também para os colaboradores que se preparam para se beneficiar da tecnologia.

Um novo estudo da Goldsmiths, Universidade de Londres, encomendado pela Automation Anywhere, descobriu que 72% dos quatro mil trabalhadores ouvidos na América do Norte, no Reino Unido, no Japão e na Índia acreditam que a IA e a automação os ajudarão a trabalhar melhor. Os entrevistados afirmam que, quando as organizações transferem tarefas tediosas e repetitivas para bots de RPA, eles ficam livres para se concentrar em desafios mais recompensadores, na criatividade e no desenvolvimento de habilidades. Como seria de se esperar, esses profissionais desejam um engajamento maior e um equilíbrio mais saudável entre o trabalho e a vida pessoal, duas coisas que contribuem para uma maior produtividade.

No entanto, muitas empresas estão implementando tanto a RPA quanto a tecnologia de IA em pequena escala e para casos de prova de conceito no âmbito de suas estratégias de automação. Essa mesma pesquisa da Universidade de Londres revelou que, globalmente, apenas 38% dos trabalhadores usam tecnologias de automação no dia a dia, e apenas 3% dos CEOs afirmam ter implementado IA em escala “fundamentalmente operacional” em suas empresas.
Nossa expectativa é de que haverá um aumento drástico na adoção dessas tecnologias nos próximos anos. Na verdade, um estudo da Deloitte estimou que 72% das empresas estarão usando RPA em 2020, caminhando para a adoção quase universal nos próximos cinco anos.

Percebemos que a implementação da IA e da automação requer mudanças organizacionais. Quando as companhias param para enfrentar os cinco desafios a seguir, conseguem atingir todo o potencial prometido pela IA e pela RPA.

Os desafios são:

  1. Foco maior em cultura e tecnologia: O desafio de aumentar a escala da automação e da IA de ponta a ponta em uma organização muitas vezes não está na tecnologia em si, mas em garantir que a empresa tenha a cultura certa para adotar mudanças em seu ambiente de trabalho. Ao contrário do que se pensa popularmente, descobrimos que 57% dos entrevistados acreditam que sua produtividade aumentaria se eles tivessem a oportunidade de experimentar a IA e a RPA em seu trabalho cotidiano. Porém, muito frequentemente os projetos de automação são iniciativas para uma utilização específica e têm dificuldade de escalar.
    Ao invés de usar a RPA em projetos específicos, recomendamos que as organizações formem uma equipe interna que atue como uma startup simplificada para aprender na prática. Essa abordagem requer a adesão do alto escalão executivo, mas ajuda a direcionar o foco organizacional para a criação de uma estratégia mais ampla de automação. Pode ser uma tarefa difícil, então certifique-se de comemorar as primeiras vitórias e de construir a confiança em tecnologias recém-implementadas.
  2. Desenvolvimento e requalificação de empregados: Estimativas atuais preveem que a automação provavelmente irá substituir 30% ou mais das tarefas, mas apenas 5% dos empregos em si. Isso significa que as companhias precisam desenvolver e requalificar seus funcionários atuais, dando ênfase em habilidades sociais, empatia e criatividade e, ao mesmo tempo, treinando-os para trabalhar juntamente com bots de RPA. Também devem se comprometer em estimular e acolher as pessoas – e não tratar a questão simplesmente como emprego. Os trabalhadores sabem que seus empregos sempre evoluíram e sempre evoluirão.
  3. Investimento na diversidade: A diversidade é fundamental, do ponto de vista tanto humano quanto empresarial, mas globalmente apenas 22% dos profissionais de IA são mulheres, de acordo com o LinkedIn (via Fórum Econômico Mundial). A falta de diversidade no setor de tecnologias cognitivas, especificamente, tem repercussões econômicas e sociais negativas para quem é deixado para trás pelos velozes desenvolvimentos tecnológicos.
    Do ponto de vista do negócio, uma organização homogênea estimula preconceitos e, na prática, limita a inovação e a solução de problemas. Quando se está construindo uma nova estrutura organizacional, essas limitações podem levar a processos e serviços que não conseguem atender a todos os usuários finais e clientes. As companhias devem, ao invés disso, trabalhar para atrair bancos de talentos diversos, que promovam a resiliência organizacional e a variedade de opiniões.
  4. Preservação da autenticidade: O entusiasmo em torno da IA e da automação pode ocasionar uma ambivalência interna acerca da introdução dessas novas tecnologias, prejudicando ganhos de produtividade e eficiência. Isso porque nem tudo se trata das novas tecnologias, mas também de modificar a cultura organizacional. Isso exige a adesão e o engajamento de nossa mão de obra, que se sente encorajada pelo compromisso com a transparência sobre o futuro da companhia e o papel da automação.
    Uma grande parte dos trabalhadores sente que embora a IA seja discutida com frequência, a maioria das pessoas, na verdade, sabe muito pouco sobre ela. Segundo a pesquisa da Universidade de Londres, 53% dos profissionais são céticos quando uma organização alega que seu produto ou serviço tem capacidades relacionadas a isso. É importante evitar exageros na propaganda e deficiências na entrega. Ao invés disso, seja claro e honesto para construir a confiança de funcionários e clientes.
  5. Estímulo à resiliência: Não sabemos todas as competências que serão valorizadas no futuro. Portanto, o desafio agora é promover um pensamento resiliente e dinâmico, que permita que as organizações respondam rapidamente às mudanças causadas pela inteligência aumentada e pela automação. Ou seja, cada trabalhador precisa adotar uma mentalidade de crescimento que enfatize a flexibilidade necessária para prosperar em um ambiente em constante mutação.

*Por Weslyeh Mohriak

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