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Anúncios na WWDC marcam novo estágio nas decisões da Apple

09/06/2014 às 9h08

Anúncios na WWDC marcam novo estágio nas decisões da Apple
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Os executivos da Apple usaram um tom mais leve durante seus keynotes na Worldwide Developer Conference (WWDC), conferência para desenvolvedores da companhia que aconteceu semana passada, nos Estados Unidos. Com um tom descontraído, as notícias geraram reações positivas não apenas do público alvo, mas de toda a comunidade de tecnologia.

O evento foi palco do lançamento da última versão de seu sistema operacional, mas também pode ter marcado um novo momento da história da fabricante. E eis o porquê.

Geralmente, a Apple evoca uma atitude “meu jeito ou o resto”. Ou seja, ela faz o que ela quer sem se importar com a vontade do mercado ou de seus clientes. Se você não gosta do que a Apple tem para oferecer, bom, você é livre para escolher outra coisa. Por exemplo, a Apple não sucumbiu às pressões dos consumidores para adicionar Blu-ray a seus iMacs e MacBooks. Quando questionado, o CEO na época, Steve Jobs, disse que licenciar a tecnologia daria muito trabalho. E o Blu-ray nunca foi adicionado, e os computadores continuaram a ser vendidos.

Essa mesma atitude foi prevalente o iOS, o sistema operacional móvel. Por exemplo, nunca houve suporte ao Flash. As pessoas reclamaram e taxaram o Safari de “piada” por não rodar o flash. Jobs chegou até a escrever uma longa explicação sobre seus motivos de não gostar do Flash... anos depois, com a web caminhando para padrões abertos, a decisão da Apple fez mais sentido.

Não quer dizer que a empresa estava certa ou errada em cada uma das decisões. Ela simplesmente escolheu fazer seu negócio, que se danem parceiros e consumidores. E o iOS 8 muda tudo isso.

Primeiro, a Apple adicionou recursos que seus clientes pediram muito. Exemplo: teclado. O teclado era alvo de lamentações em todas as versões do iOS, desde 2008. Apesar de algumas modificações, ele permaneceu essencialmente o mesmo – até esta semana. A Apple colocou um novo recurso, de previsão de palavras, e também o suporte a teclados de terceiros. Isso dará aos usuários do iPhone a mesma quantidade de escolhas dos usuários Android. Em outras palavras, a Apple está disposta a trabalhar com terceiros para dar a seus clientes uma experiência que ela não vai oferecer por si própria.

O recurso de Family Sharing também resolve outro ponto para os amantes de iPhone. Com a função habilitada, até seis membros da mesma família, cada um com sua conta da Apple, pode acessar seu conteúdo no aparelho. Isso permite que pais estabeleçam limites de gasto com cartões de crédito no aparelho. Além disso, a ferramenta facilita às famílias o compartilhamento de agendas, fotos, e dados de localização, até mesmo para encontrar um aparelho perdido. De novo, isso mostra que a Apple está escutando seus clientes, não é escolha sua adicionar mais contas de cartões de crédito ao iTunes.

A Apple fez outra concessão aos clientes ao mudar a aplicação de mensagens (apesar de que possam argumentar que é uma resposta à competição de mercado). O app nativo do iOS sempre foi um tanto quanto ultrapassado. Por exemplo, não permitia enviar fotos ou vídeos, anos depois de ter sido lançado. Ainda não consegue enviar múltiplas imagens numa mesma mensagem.

No iOS8, a Apple resolve uma série de problemas do aplicativo de mensagens. Começa pelo suporte de adicionar e remover pessoas de conversas em grupos. Agora, suporta mensagens de voz e pequenos clipes de vídeo, ambos podem feitos com rápidos gestos. Além disso, adiciona a capacidade de compartilhar detalhes de localização e a visualização de anexos em uma conversa, todos de uma vez. Alguns desses recursos foram “emprestados”, vamos assim dizer, de serviços competidores como o WhatsApp ou BBM. Não importa a fonte, são uma vitória para os consumidores.
E não parou por aí. A Apple finalmente deu aos desenvolvedores o que eles queriam: mais acesso à plataforma.

Alguns deles incluem acesso ao sensor de digitais do TouchID, ao software de edição da câmera PhotoKit, e também às APIs da câmera. Há também o HealthKit, HomeKit e CloudKit, para automação de apps de saúde, casa e nuvem, respectivamente.

O kit para desenvolvedores do iOS revisado tem mais de 4 mil APIs novas que vão a fundo no sistema operacional, dando a desenvolvedores o acesso a recursos que nunca tiveram antes no iOS. Um deles é o WebKit da ferramenta de render da Apple. Ela reservou as melhores versões do seu WebKit para o Safari e forçou os desenvolvedores de códigos a usarem códgiso mais antigos e menos otimizados. Aparentemente, a Apple reverteu essa decisão e vai permitir apps de terceiros acessarem a melhor versão do WebKit. Isso é melhor para desenvolvedores, apps e usuários finais.

A maior concessão, contudo, é a nova linguagem de programação da Apple, Swift, feita nos últimos quatro anos. Ela remove muito dos códigos usados no Objective C e agiliza o processo de quem trabalha com código para apps do iOS. Por isso toda a empolgação da plateia quando foi anunciada. Com o Swift, não será tão difícil construir aplicações para iPhones e iPads, o que significa economia de tempo e dinheiro para os desenvolvedores. E a publicação mais rápida de seus softwares na Apple Store.

As APIs e ferramentas adicionais para desenvolvedores mostram que a Apple está se abrindo, ao menos um pouco. Ela mudou sua visão e não vai blindar o iOS como era feito antes. A companhia está disposta de fato a trabalhar com os outros para o benefício de todos. É a melhor notícia que a Apple gerou em muito, muito tempo. Uma mudança bem-vinda, e podemos esperar apenas que seja realmente uma nova era da Apple.

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