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Big data não é a resposta certa, diz analista do Gartner

20/10/2015 às 20h56

Big data não é a resposta certa
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Com o surgimento dos negócios digitais, apareceram no mercado mundial diversas ferramentas que poderiam promover a transformação das empresas nesse quesito: cloud, social, informação e mobilidade são os principais agentes nesse novo cenário.
 
Para David Willis, vice-presidente e analista do Gartner, todas essas mudanças, de alguma forma, parecem ter foco em um segmento específico: big data. “Mas big data não é a resposta”, afirmou o especialista. 

Ele explica que não é que isso significa que o big data em si é algo irrelevante, mas o que complica a situação é o modo como ele é utilizado para agregar valor aos negócios. O analista e outros especialistas apresentaram tendências do mercado durante o Gartner Symposium/ITxpo, que acontece entre os dias 19 e 22 de outubro, em São Paulo.
 
O analista conta que é possível usar a análise de dados para conseguir diferentes resultados sobre um cenário. Eles podem ser ótimos para indicar como lidar com a situação, mas você não tem como saber ao certo que caminho seguir. Já uma plataforma de algoritmos, por exemplo, traria a melhor das opções.
 
Futuro é dos algoritmos
Esse é a principal tendência destacada pelos analistas para o futuro: uma plataforma feita de algoritmos que irá reger a maneira com que lidamos com os negócios e com o mundo. A ideia é decidir melhor quando e o que fazer, é trazer assertividade, de acordo com Val Sribar, vice-presidente e Gartner Fellow. 

“Os algoritmos nos ajudarão em como fazer. E isso se tornará a plataforma do futuro”, diz. “Esses pequenos apps que temos hoje, dentro de cinco anos serão menos importantes, porque assistentes pessoais como Siri e Cortana serão agentes que farão mais por nós”, disse.
 
Além disso, os algoritmos ajudam a criar uma rede de compartilhamento. Todos terão sua fórmula secreta que trará relacionamento mais intenso com cliente e parceiros. “E você pode compartilhar essas informações com outros para construir uma rede mais profunda”, diz a analista do Gartner, Betsy Burton.
 
Esse compartilhamento de informações, também conhecida como economia das conexões, é ponto-chave para os negócios no futuro. “Quando estamos todos conectados, empresas, coisas, algoritmos, informações, isso agrega um valor enorme. E muda fundamentalmente o modo como fazemos nossos investimentos”, observa a especialista.
 
Os três verbos-chave para seguir por esse caminho é: dar, receber e multiplicar. “Dar e receber leva a uma rede de conexões dinâmica e ativa, na qual você é o guia e o principal influenciador. Contudo, o poder ainda é limitado. Todas as pessoas, negócios e coisas têm valor a oferecer. O valor é somente de fato obtido quando eles começam a interagir uns com os outros. A meta é a multiplicação dessas conexões. Elas devem ser facilitadas e encorajadas por você, e não controladas por você. Isso se consegue com a criação de um tecido firme, uma trama de conexões”, diz Willis.
 
Digitalização em foco
Willis também observa que a preocupação com o aumento de investimentos e processos de digitalização aconteceram tanto no setor público quanto no privado.
 
Em cinco anos, os processos digitalizados no setor público irão crescer de 42% - volume encontrado atualmente, para 77%. Já no setor privado, a receita proveniente do digital será de 41%, aumento de 19% do que pode ser encontrado atualmente.
 
Esse aumento significativo representa a confirmação de uma mudança sobre como organizamos nossas empresas e nossos negócios, de acordo com o especialista.
 
Abordagem bimodal
Outro ponto abordado pelos especialistas foi a importância de se ter não apenas uma TI bimodal. “Anteriormente falávamos de TI bimodal, e agora falamos sobre empresa bimodal”, diz Sribar.
 
Para Betsy, “essas forças juntas não dizem respeito somente à tecnologia. Elas têm a capacidade de mudar o business e essa é a coisa mais excitante sobre os negócios digitais: pensar em coisas novas que você nunca havia pensado antes”, diz.
 
Uma maneira de se tornar bimodal e que pode ser interessante, em especial para empresas que não são do ramo de tecnologia ou que não possuem isso como core business, é o investimento ou a compra de empresas, como startups, que o são, observa Siebar.
 
Betsy ressaltou que um dos maiores desafios, no entanto, é saber investir. “Muitas pessoas escutam o que dizemos e pensam ‘isso não é para mim, não tenho dinheiro para isso’. Mas o que estamos falando não é necessariamente sobre colocar mais dinheiro na conta, mas sim sobre gastá-lo de forma inteligente”, afirma.
 
Segundo o também analista Luis Cláudio Mangi, a ideia é poder usar o digital para tornar o seu processo melhor e incrementar a receita a partir disso. “O Cubo, do Itaú, é um bom exemplo desse tipo de transformação”, assinala.
 
Segurança
A expansão do mundo digital não somente traz melhorias e abre portas para novas possibilidades de negócios, mas também representa aumento dos riscos.
 
Por esse motivo, empresas terão de ser mais resilientes, no sentido de entenderem o que aconteceu e responderem adequadamente um ataque. Nesse sentido, o investimento em segurança irá representar um terço do budget da TI.
 
“Parte da solução de tornar as coisas melhores é tornar processos mais resilientes, simples. Se são simples, então rodarão com mais segurança”, afirma Willis. “Você não pode controlar os cibercriminosos, mas você pode controlar o modo como você responde ataques.”
 
Além disso, até 2020, 90% das organizações terão uma abordagem baseada em risco e resiliência, bem como será visto o surgimento de um digital risk officer (DRO), que estará presente em 50% das empresas e será responsável pelo gerenciamento de riscos na TI, incluindo pontos como internet das coisas, bem como qualidade e proteção.
 
A recomendação para a atuação dos CSOs é “mudar o foco para pessoas, porque esse é o principal elo com atacantes”, finaliza Sribar.

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