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Conheça histórias de mulheres que decidiram que o lugar delas é sim na tecnologia

Por Amanda Reinert da Dialetto

em Carreira

9 meses atrás

Oito profissionais contam como ingressaram em TI e os desafios que tiveram de superar na área

O lugar de toda mulher, com certeza, é onde ela quiser, e muitas delas vêm se interessando por áreas que ainda são dominadas pelos homens. Um exemplo é o setor de tecnologia. Segundo estudos na área, 15,53% é a porcentagem de mulheres em cursos de computação. Além disso, 41% das mulheres que trabalham com tecnologia optam por deixar de trabalhar no segmento.

Apesar desses números, são inúmeras as iniciativas que vêm surgindo para preparar o mercado e incentivar a participação das mulheres. Uma delas é realizada pela Cheesecake Labs, empresa de Florianópolis que busca mudar o cenário predominantemente masculino dos setores de programação de softwares e aplicativos.

A companhia mantém três programas que aproximam as mulheres de oportunidades nessa área: a parceria com as Django Girls (movimento mundial que busca capacitar mulheres em programação); a Coding Dojo Girls, iniciativa de duas colaboradoras da Cheesecake para estimular o desenvolvimento de software entre mulheres; e uma seleção de critérios de contratação que valorizam minorias. Além disso, mesmo que nem sempre haja ações diretas voltadas à representatividade nas instituições, muitas mulheres vem desbravando o setor tecnológico e reivindicando mais espaço.

Conheça abaixo a história de algumas mulheres que decidiram trabalhar no setor de tecnologia e que se realizaram neste segmento.

Marcela Graziano, 29 anos, Smarket

Marcela Graziano é CEO da Smarket, startup que desenvolve tecnologias para o varejo, e sua rotina se divide em dois setores protagonizados por homens: o tecnológico e o varejista. O fato de ser mulher causa estranhamento nas pessoas com quem trabalha, mas, segundo ela, não implica em preconceito ou diferença de tratamento. Marcela atribui a desigualdade no mercado de trabalho a um problema estrutural: “Existem profissões para quais as meninas são estimuladas quando pequenas e dificilmente tecnologia está inclusa. A inovação não está no que produzimos dentro das empresas, mas sim em escolhermos cada vez mais atuar em setores tradicionalmente masculinos”. Entre a conquista de novos clientes e o aperfeiçoamento do software, Marcela sempre arranja um tempo para auxiliar empreendedoras novatas, empoderando cada vez mais as mulheres no setor tecnológico.

Silvia Folster, 46 anos, Cianet

Silvia Folster atua há 25 anos em empresas de base tecnológica em SC. Iniciou a vida profissional aos 19 anos como recepcionista de uma empresa de TI do segmento de Engenharia, chegando em três anos a analista financeira da mesma instituição. Nesta empresa, ainda atuou na área de vendas, quando passou a desenvolver habilidades comerciais e de relacionamento. Em pouco tempo, assumiu a gerência comercial do negócio, ficando mais de uma década nesta função. Em 2008, foi convidada a assumir a diretoria comercial da Cianet. Durante sua gestão à frente do departamento comercial liderou uma equipe que ajudou a companhia crescer 30% em um ano. Por causa do seu destaque, hoje é CEO da Cianet, empresa que faturou R$ 52 milhões em 2017.

Claudia Garcia, 28 anos, Hexagon Agriculture

Claudia Garcia está acostumada a ser uma das únicas mulheres, nos ambientes em que atua. A gerente de contratos florestais da Hexagon Agriculture, que desenvolve tecnologias da informação para a eficiência, produtividade e sustentabilidade no setor agrícola, costuma trabalhar ativamente no campo, na implementação de soluções tecnológicas para a área florestal. “O campo é um ambiente muito tradicional, às vezes as pessoas vêm me dizer ‘cuidado para não carregar muito peso’ e aí eu lembro ‘sou capaz de fazer isso sozinha’”, destaca. No ambiente tecnológico, a presença de mulheres também é raridade. Mas Claudia, que atua na Hexagon desde 2011, não se imagina fazendo outra coisa. “O que fez meus olhos brilharem foi o que me trouxe até aqui”, pontua.

Thais Costa, 29 anos, Avanti

Thais Costa trabalha há três anos na Avanti, empresa que desenvolve soluções para e-commerce, e atualmente é líder de criação da companhia. A sua trajetória no segmento é longa, há 10 anos ela vem se especializando na área de design voltada para a tecnologia e experiência do usuário. “Hoje, eu me sinto realizada e valorizada na área em que atuo. A cada dia também vejo mais mulheres em cargos de liderança nas empresas de tecnologia, e isso é lindo e inspirador”, afirma. “Eu mesma já trabalhei com muitas delas e todas têm a mesma paixão por aquilo que fazem”, completa.

Gabrieli Roldão, 22 anos, Involves

Segunda mulher a se formar no curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). “Minha história com o mundo da tecnologia começou mesmo no final do ensino médio, antes disso eu já tinha tido contato com a parte do desenvolvimento, cheguei a fazer um curso rápido e básico de programação para web. Quando entrei na faculdade, de uma turma de 50 alunos apenas cinco eram mulheres e ao longo do curso elas foram desistindo, no final restou só eu”, conta.

Apesar de ser uma das únicas mulheres do curso, a Gabrieli explica que só começou a sentir dificuldade no mercado de trabalho e chegou a ouvir coisas como “mulheres não aguentam a pressão de trabalhar na TI” e “mulheres são muito emocionais”. Procurou emprego durante um ano e seis meses e quando estava quase desistindo da área de T.I, conseguiu um emprego como desenvolvedora PHP.

Viviane Soares, 27 anos, HostGator

A analista da área de desenvolvimento da HostGator, empresa de hospedagem de sites, está acostumada com os comentários preconceituosos que enfrenta desde que decidiu trabalhar com tecnologia. “Sempre gostei de lógica e complexidades, então, ignoro qualquer fala do tipo: ‘você tem certeza que sabe isso?’ ou ‘não vai fazer bobagem, hein?’”. Para ela, que atua há 10 anos no setor tecnológico, os desafios por seguir em uma área tão masculina são diários.

“Passei por situações que os próprios clientes pediam para passar para um homem, por duvidarem da minha competência”, conta. Segundo Viviane, a maior representatividade de mulheres na tecnologia passa por uma mudança de paradigmas. “Devemos entender que, culturalmente, nas áreas técnicas, bloqueamos mulheres e exaltamos homens. Quantas mulheres você sabe que são exemplo de “gênios da tecnologia? Agora pensem em homens e já vêm uns três nomes à mente. A questão é que elas existem, mas não são valorizadas”, pontua.

Cleusa Kreusch, 42 anos, coordenadora da ONG CDISC

Cleusa Kreusch é coordenadora pedagógica do Comitê para Democratização da Informática (CDISC) que oferece cursos de programação para jovens de até 21 anos. Atualmente o projeto Aprendendo a Programar, curso oferecido pela ONG de programação básica, conta com cinco meninas que querem desenvolver.

Clarice Bianchini, 24 anos, Cheesecake Labs

É desenvolvedora de aplicativos na empresa Cheesecakes Labs. No seu dia a dia se divide em programar aplicações web e ajudar a gerir o projeto, analisando requisitos e estimativas. Ela conta que nunca recebeu estímulo para trabalhar com tecnologia quando criança – direito e medicina sempre foram opções mais populares na família. Mesmo assim, Clarice se decidiu por administração e foi quando atuava no setor administrativo de uma empresa de TI que conheceu mais de perto e se encantou pela programação. Assim que pode, iniciou a faculdade de Sistemas de Informação, que ainda está cursando.

“Não senti dificuldade do mercado em me aceitar quanto mulher programadora, meu maior problema foi a insegurança: como se trata de uma área ainda muito masculina, acabei tendo mais receios na hora de me candidatar às vagas pois eu tinha o pensamento tolo de que jamais ia conseguir competir por uma vaga contra algum homem.”, comenta Clarice. Na visão dela, as mulheres que ocupam espaços nas empresas de tecnologias geralmente atuam em áreas não técnicas. “A mesma apreensão que eu tive a me candidatar para a vaga de programação é compartilhada por muitas outras colegas”, revela. Clarice decidiu ir além da indignação de encontrar poucas mulheres no mercado de tecnologia – especificamente de programação – e junto com uma colega criou o Coding Dojo Girls: uma iniciativa para estimular o desenvolvimento de software entre mulheres e minorias de gênero.


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