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A visão do mundo afeta a pesquisa em sistemas de informação?

Na pesquisa em sistemas de informação existem três paradigmas de pesquisa: positivismo, interpretativo e a crítica social. Estes termos são os mais comuns, apesar de outros serem também utilizados, como realismo e construtivismo.

Estes paradigmas se relacionam pela forma que o pesquisador vê o mundo e define quais métodos de pesquisa podem ser utilizados. Isto inclui a forma como os dados são colhidos, analisados, interpretados e, de forma mais ampla, como a qualidade da pesquisa é avaliada.

A abordagem positivista está fortemente ligada às ciências naturais, onde os conceitos têm significado claro e único e independem de seu contexto. Por exemplo, “massa” é um conceito cujo significado é o mesmo para qualquer objeto em estudo e em qualquer lugar. Isto permite, entre outras coisas, criar instrumentos e escalas de medição para a massa (como uma balança) para serem utilizadas em quaisquer circunstâncias. Até mesmo para conceitos bem mais abstratos, como, por exemplo, satisfação, comprometimento e clima organizacional, é possível criar formas de medição válidas e confiáveis.

Contudo, em uma abordagem interpretativa, o significado das coisas não pode ser desconectado de seu contexto. Imagine que você viajou para fora do Brasil e entrou em um bar. Na mesa ao lado estão dois sujeitos e um pergunta para o outro: “Você assistiu ao jogo de futebol de ontem à noite?” Apenas com esta frase, é possível identificar o objeto (modalidade esportiva) da pergunta? Se você está em Londres, eles estão falando uma coisa, mas se você está em Nova York, o assunto é completamente distinto do anterior. Esta situação simples ilustra como significado depende do contexto.

Na crítica social, a atuação do pesquisador não é neutra e ele deve fazer algum tipo de contribuição para as partes envolvidas. Nesta abordagem, o papel do pesquisador é propor uma intervenção que possa trazer melhorias para todos os desenvolvidos. Não se trata de oferecer ganhos para certos grupos em detrimento de outros, mas de ser um instrumento de transformação para um mundo melhor.

No Brasil, temos uma tradição positivista na pesquisa em sistemas de informação. Eu sou formado em engenharia e trabalho em uma escola de engenharia. Minha formação é positivista. Mas, acredito que não seja correto afirmar que uma abordagem é melhor que as outras. De certa maneira, a escolha do paradigma de pesquisa reflete a visão de mundo do pesquisador. Talvez, por isso seja incomum encontrar alguém utilizando diferentes abordagens em pesquisa executadas simultaneamente. Normalmente, um pesquisador em um determinado período de sua vida opta por utilizar uma única abordagem, mesmo que em projetos desenvolvidos ao mesmo tempo.

O uso de diferentes paradigmas dentro de um grupo de pesquisadores que estudam o mesmo objeto/tema tem um enorme potencial para o desenvolvimento do conhecimento, na medida em que abordagens distintas e concorrentes favorecem uma visão mais ampla do tema. A eventual dificuldade de comunicação em grupos heterogêneos de pesquisadores é compensada com uma visão mais abrangente e rica.

Convido as pessoas que tenham interesse em utilizar o paradigma interpretativo ou o da crítica social na pesquisa em SI a entrarem em contato. Existem possibilidades no âmbito do programa de mestrado e doutorado, bem como no programa de pós-doutorado.

Menos importante que a área de formação, é a disposição de utilizar um paradigma interpretativo ou da crítica social na pesquisa em SI, e trabalhar em um ambiente de diversidade de pensamento.


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