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A nova religião – “Estar Ocupado”

O culto a ficar fazendo alguma coisa traz prejuízos a curto prazo

Roberto Cohen

13/11/2019 às 14h10

Foto:

Li um ótimo artigo na revista Fast Company.

O texto consegue sintetizar tudo o que percebo nos gestores de suporte técnico.

E um pouco em mim também, hehe.

O título do texto é:

This is why you’re addicted to being busy

Numa tradução simplória — as minhas sempre são — é  “Esse é o motivo pelo qual você está viciado em estar ocupado”.

Constatação

Sempre faço um follow-up do curso de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk (esse mesmo que inicia agora dia 27 de novembro em São Paulo e que vai ajeitar o ambiente do seu centro de suporte)  com os participantes. Um mês depois do evento quero saber o que progrediram, se encaminharam soluções para seus problemas e assim vai.

Bem, para quase todos, faltou tempo.

OK, são expressões autênticas de sentimentos, mas…

O fato é que gostam (?!) de estar ocupados e isso acarreta prejuízo.

Artigo

Jory Mackay, o autor da matéria, explica que, quando não temos uma pilha de atividades para fazer, nos sentimentos um pouco ansiosos e inquietos.

Apresenta um paradoxo:

O sujeito ambicioso se esforça para fazer um excelente trabalho e ser reconhecido por seu talento. Significa estar sempre em alta rotação. O curioso é que, ao estar sempre atarefado, não entrega a mesma qualidade (ou aquele pensamento criativo) que o levou até essa posição.

Estar assoberbado de trabalho não significa produção.

É duro aceitar que o oposto da ocupação não é preguiça, vazio ou ficar “comendo moscas”. Na verdade, o inverso é ter propósito. Saber escolher. Priorizar.

Estar ocupado é deixar que os outros controlem seu tempo.

Por que “estar ocupado” se tornou uma religião

Quando alguém cede ao culto da ocupação, desiste de uma das maiores ferramentas para ser produtivo, feliz e se proteger do esgotamento: descanso.

Por que a pessoa se afoga em tarefas para depois dizer que não era isso que desejava?

  • Expectativas irrealistas (um otimista que pensa que dará tempo para fazer tudo)
  • A empresa tem pouca gente e todos trabalham demais: rola uma sensação que não há outra escolha senão trabalhar feito um louco
  • Péssimo gerenciamento do tempo
  • Indivíduo multitarefa que salta de uma tarefa para outra com pouco tempo para se concentrar no que realmente precisa ser feito

Mas o autor aponta um outro motivo:

GOSTAR DE ESTAR OCUPADO

Porque “estar ocupado” produz burnout

Estar ocupado faz a pessoa sentir-se bem. Mas por outro lado produz estresse e burnout (esgotamento físico e mental).

Isso se deve a um fenômeno comportamental chamado tunneling. Quando se está ocupado correndo, respondendo e-mails, apagando incêndios e participando de várias reuniões, o tempo se torna muito mais escasso. Para lidar com essa carência de tempo, o cérebro coloca uma espécie de “antolho”.

Tá, já sei…

Não sabe o que é antolho, né?

O Google traduziu pra mim — eu também não sabia — , então fui pesquisar. A palavra vem de “anteolho”; uma imagem vale mais que…

OK, o que acontece?

O sujeito não visualiza o cenário geral, só as tarefas mais imediatas (geralmente de baixo valor) como ligar para o usuário, gerar relatório, enviar e-mail, ir para reunião, mas…

Fazer acontecer a base de conhecimento que aumentaria a produtividade da equipe e dos usuários? Nhecas.

Qual o oposto de ocupação?

OK, segue uma lista de comportamentos positivos, opostos a estar sempre atarefado:

  • Tédio e devaneios: ficar entediado ou ocioso ativa uma área mais ampla do cérebro e melhora o pensamento criativo.
  • Descanso deliberado: participar de atividades fora do trabalho é uma das características mais comuns entre artistas, empreendedores e executivos de grande sucesso.
  • Fluxo: Um estudo descobriu que executivos capazes de se concentrar profundamente em uma única tarefa eram 500% mais produtivos do que quando alternavam entre tarefas.
  • Socialização: envolver-se em interação social permite alcançar níveis de desempenho cognitivo mais altos após estes momentos.
  • Desconexão do trabalho: ser capaz de se desconectar do trabalho gera menos fadiga relacionada a ele, assim como taxas mais baixas de procrastinação e melhor saúde mental e física.

Como dar um jeito na situação

Alguns comprometimentos úteis:

  • Descobrir para onde o tempo escorre no dia a dia.
  • Definir slots de tempo em que não se entregará ao trabalho intenso. Sei lá, informar ao grupo que 3a-feira pela manhã e 5a-feira pela tarde “Não quero saber!”. Esse bloqueio de tempo é uma oportunidade de, com antecedência, usá-lo para determinadas tarefas ou responsabilidades. As que realmente causam impacto.
  • Tornar o tempo “de trabalho” e de “não trabalho” mais claros. As pessoas permanecem ocupadas porque querem que os outros as vejam como trabalhando duro. Mas, sendo mais transparente com a carga de trabalho, não precisam se ocupar para serem vistas como importantes.

A vida é mais do que apenas “estar ocupado”

Não há nada pior do que chegar em casa após um longo dia de trabalho e perguntar “o que fiz hoje?”.

“O ficar ocupado” rouba o propósito da vida profissional. Em vez de sentir-se no controle e progredir em um trabalho significativo, a correria do cotidiano exibe pouca coisa realizada no final do dia.

Como escreveu o antigo filósofo romano Sêneca em “Sobre a brevidade da vida”:

“Todo mundo concorda que nenhuma busca pode ser seguida com sucesso por um homem ocupado com muitas coisas, pois a mente, quando seus interesses estão divididos, não absorve nada profundamente, mas rejeita tudo o que está, por assim dizer, amontoado nela. Não há nada com que o homem ocupado esteja menos ocupado do que vivendo: não há nada que seja mais difícil de aprender. ”

Já que você chegou até aqui…

Dia 27 de novembro começa meu último curso de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk esse ano.

Ano que vem, se você acompanha meus artigos, sabe que eles serão mais raros (ordens da patroa). Assim, não desperdice essa oportunidade de absorver todo esse conhecimento que tenho. Já fui gestor de suporte de corporação. Já fui dono de software-house. Escrevi cinco livros sobre o assunto. E não acho que vale a pena economizar R$ 10 para fazer outro curso.

Siga o link e faça sua inscrição: www.4hd.com.br/calendario

Claro, se você acha que anda muito ocupado e não pode ir ao curso, PQP, não entendeu nada desse texto, hahaha.

Abrazon

EL CO

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