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Backup com tecnologia de 20 anos atrás – vale a pena?

Sem dúvida, estamos em uma era em que o mega byte é supervalorizado, e isso está relacionado com o valor das informações;

Leonardo Henrique Kappes

04/10/2019 às 15h52

Foto: Shutterstock

O dado, mesmo de forma abstrata, ao ser processado gera informações, estas informações combinadas e entendidas geram conhecimentos, que por sua vez geram oportunidades.

O armazenamento seguro e confiável de informações é um dos pontos chaves que contribuem para proporcionar oportunidades. Mas será que uma tecnologia de armazenamento com mais de 20 anos de uso ainda é válida e aplicável? 20 anos não estaria defasado?

De fato, 20 anos para a tecnologia é muito tempo, o avanço tecnológico é rápido, quem dirá em duas décadas, mas por incrível que pareça há tecnologias que ainda são utilizadas e fazem total sentido, como o armazenamento baseado em fita.

Contexto histórico

As fitas magnéticas de meia polegada são utilizadas para armazenamento de dados há mais de 50 anos. Em meados dos anos 1980, IBM e DEC colocaram este tipo de fita em uma única bobina em cartucho fechado. Embora as fitas físicas fossem nominalmente do mesmo tamanho, as tecnologias e mercados de destino eram significativamente diferentes e não havia compatibilidade entre elas. A IBM chamou sua fita de 3480 (devido ao nome de um produto da IBM que utilizava esse tipo de fita) e a projetou para atender os requisitos exigentes de seus produtos de mainframe. A DEC originalmente chamou a fita deles de CompacTape, mas mais tarde foi rebatizada como DLT e vendida à Quantum Corporation. Fonte: Wikipedia.
As chamadas unidades de fita, muito utilizadas nas companhias, usam fita tipo LTO (Linear Tape Open) que é uma tecnologia de armazenamento de dados em fita magnética. Na década de 1990 haviam fitas em formatos proprietários (DLT), então a LTO veio como uma alternativa de padrão aberto. Fabricantes como Seagate, HP e IBM iniciaram o Consórcio LTO, que dirige o desenvolvimento e gerência de licenciamento e certificação dos fabricantes de mídia e mecanismo. A versão mais recente, LTO-8, foi lançada em 2017 e pode armazenar 12 TB no cartucho do mesmo tamanho.

De fácil integração

Para muitos, a LTO tem sido a melhor escolha de formato de fita e é amplamente utilizada para pequeno e grande porte de sistemas computacionais e backups. Este tipo de armazenamento é confiável e as unidades de fita LTO oferecem arquivamento e backups de dados rápidos e com um baixo custo total de propriedade.

As unidades de fita cabem facilmente nos racks de data centers e as fitas proporcionam décadas de vida útil para aqueles setores que precisam de retenção de dados confiável a longo prazo e grande capacidade.

Os fabricantes normalmente utilizam um sistema de arquivos de fita linear que elimina as incompatibilidades de software, proporcionando portabilidade entre diferentes fornecedores e sistemas operacionais para estender a duração dos investimentos em infraestrutura.

Alternativa ao Disaster Recovey

Se a preocupação de perda de informações está relacionada a falhas de hardware, desastres naturais, ameaças cibernéticas ou roubo, as unidades de fita LTO oferecem tranquilidade.
Criptografia

Grandes fabricantes adotam a a criptografia de hardware AES de 256 bits que ajuda a impedir o acesso não autorizado aos dados confidenciais, reduzindo o risco de perda de dados ou a corrupção causada por vírus ou sabotagem e protegendo a privacidade de dados durante o transporte de mídia.

Este tipo de criptografia AES (Advanced Encryption Standard), Padrão de Criptografia Avançada, em portugues, é uma especificação para criptografia de dados eletrônicos estabelecida pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologias dos Estados Unidos. A AES foi adotada pelo governo dos EUA e é hoje usada no mundo todo. O algoritmo descrito pelo AES é um algoritmo de chave simética, ou seja, a mesma chave é usada para criptografar e descriptografar os dados.

Vantagens e Desvantagens

É importante conhecer algumas vantagens e desvantagens pois as vezes há fatores significativos, ou não. Há muitos casos em migrar os dados para um backup na nuvem pode não ser um bom negócio.

Menor custo por giga byte

Em comparação com armazenamento em nuvem, é perceptível que o custo de aquisição por giga byte é mais baixo nas fitas. Em grandes estruturas e plataformas computacionais as fitas proporcionam também economia com energia, pois a energia é usada apenas quando os dados são gravados ou lidos na mídia de fita. Para os dados acessados com pouca frequência, a fita continua sendo uma das tecnologias de armazenamento de dados mais econômicas e ecologicamente corretas disponíveis.

Portabilidade

Se comparada a outras formas físicas de armazenamento, as fitas magnéticas são uma opção portátil. Elas podem ser transportadas com facilidade, são leves e têm uma vida útil longa, o que as torna ainda uma boa escolha.

Exposição online

Na internet é difícil manter o sigilo, até mesmo em conversas confidenciais com alguém, ou seja, tudo aquilo que está sendo dito, escrito e enviado, pode ser difícil de ser controlado. É difícil de excluir. Uma informação enviada pode ficar disponível por tempo indeterminado e pode de alguma forma ser usada contra você ou contra sua empresa.

O acesso a dados e informações confidenciais é o bem mais valioso dos criminosos e é comum a ação deles para pedir dinheiro, pagamento de resgate em troca da não divulgação das informações, ou até mesmo da devolução dos dados e informações quando esses são capturados de empresas e deletados de servidores e bases de dados. Ou você paga ou não tem de volta os dados e informações; ou você paga ou suas informações são expostas na Internet, simples assim.

As brechas de segurança detectadas em plataformas de tecnologia muitas vezes são as responsáveis por vazamentos importantes de dados. Uma forma de se proteger com relação a isso é permanecer off-line e, nesse aspecto, as fitas magnéticas se mostram uma excelente solução.

Durabilidade

Quando devidamente manuseada e armazenada de forma adequada, estima-se que os dados armazenados em fitas magnéticas possam durar por cerca de 30 anos.
Valor de investimento inicial é alto

Para as companhias que não possuem uma unidade de fita, o valor investido na compra do hardware talvez mostre que não vale a pena. Os equipamento modernos são caros e ultrapassam o valor de um carro popular, além do mais pode haver custos com as configurações.
Busca lenta

Em ambientes em nuvem, ou redes locais, em segundos é possível buscar por uma informação, mas isso não ocorre com as fitas. Além de localiza-las fisicamente, é necessário, via software, encontrar o ponto correto onde as informações estão armazenadas. O restore de um backup em fita, dependendo do tamanho, pode levar horas. Quando os dados precisam ser disponibilizados com rapidez, as fitas não são uma boa opção.

Intempéries do clima

Fitas, assim como HDs, Pendrives e DVD estão sujeitas a falhas quando expostas a altas temperaturas, umidade, proximidade a campos magnéticos, poeira e manuseio inadequado.

Veredicto final - vale a pena?

A resposta a esta pergunta está relacionada a liberação de recursos disponíveis para emprego na tecnologia, estratégia de negócios e até resiliência, sim, resiliência, pois na área de TI, a resiliência está na capacidade da empresa em identificar, tratar e prevenir falhas, recuperando-se de danos ou pelo menos minimizando-os. Em resumo, é criar um ambiente mais robusto e neste quesito as fitas são duráveis e propiciam o armazenamento em local isolado.

Na segurança da informação, a evolução dos crimes cibernéticos e ataques evoluiu muito tornando-se praticamente impossível conter o risco. É necessário adaptar-se, onde pessoas, processos e tecnologia, em conjunto criam um ambiente estrategicamente mais seguro, com componentes mais rígidos e mais resistentes para aguentar o "tranco", e neste aspecto pode-se facilmente empregar fitas magnéticas para uso em backup de informações sigilosas.

O Backup corporativo deve ser uma das mais sérias considerações na estratégia de proteção dos negócios de uma empresa, e em uma situação de crise uma das primeiras coisas a se fazer é certificar-se que o backup está íntegro e atualizado.

Na era em que estamos, onde os processos de negócio dependem de algum recurso de tecnologia, os dados são de fundamentais para operar o negócio, tomar decisão, e criar inteligência gerando oportunidades.
backup nunca é demais.

Entretanto, a resposta é: depende. Cada negócio funciona de forma diferente, tem suas peculiaridades e as vezes a combinação de várias tecnologias é o cenário ideal.

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