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Basta de felicidade no trabalho; que venha o conflito!

Por que o gestor deve evitar suprimir o conflito

Roberto Cohen

16/10/2019 às 16h15

Foto:

Em conflito eu sou bom.

Todo cético rejeita algo sem um bom questionamento que, via de regra, desanda em desacordo e desentendimento. Tenho esperança em ser cético, mas evoluo tal qual uma lesma e meu cérebro esfomeado engole qualquer coisa que pareça racional.

Oh céus, oh vida.

Ia escrever sobre uma notícia que li sobre a Algar, mas estou sem ânimo no momento.

Nos últimos tempos, combinado com transformação na característica das gerações (leia-se Millenium sobrepondo-se às anteriores), evolui um movimento global na área de negócios para transmutar o ambiente de trabalho em algo sadio, feliz, cheio de bem-estar e com todos colaboradores engajados.

Olhe as paredes de algumas empresas e  encontrará um quadro desse tipo:

Se for além, perceberá sofás espaçosos; mesas de ping-pong; salas coloridas; máquinas de cafezinho, chá, água, refrigerantes e sei lá o que mais podem inventar; videogames e, quiçá, uma mesa de sinuca (aí sim, aí me esbaldo).

Tudo isso pra dizer que há pouco li um artigo guardado no meu Pocket (recomendo firmemente para leitores vorazes feito eu).

Do artigo

An Exercise to Help Your Team Feel More Comfortable with Conflict

Bem, não dei muita atenção ao exercício, mas sim ao âmago da questão:

Os gestores evitam o conflito.

O artigo da Liane Davey — que escreveu o livro The good fight — explora como as empresas acobertam o conflito.

Sim, sim, propaga-se aos quatro cantos a importância sobre diversidade, aceitar pessoas que pensam diferentes da gente, mas…

Como comentei, o quadro na parede representa muito: todos remando juntos numa só direção.

Como é que vou ser o do “contra”? Justo aquele que gera atrito? O chato que pega no pé e acha que o desenho do processo deveria ser diferente? Que esse produto não será tão bom quanto o outro? Que isso, que aquilo…

Ah, meu rei, minha rainha, pode ter certeza que esse sujeito ficará pseudoqueimado com o grupo.

Problemas na ausência de conflitos

Quando o conflito é inibido no grupo, sabe o que acontece?

  • o gestor evita tomar decisões difíceis e isso produz resultados ruins lá na frente
  • o ambiente se torna menos seguro para alguém expressar sua dissidência ou frustração (nem escrevi “reclamar” porque muitos leitores já teriam um chilique) e isso sinaliza produção de stress e ressentimentos acobertados

As consequências são ainda piores para o ambiente de trabalho:

  • esforços são diluídos entre projetos porque ninguém quer botar a boca no trombone e apontar problemas
  • não há oportunidade para inovações, pois ninguém simpatiza com o “metidinho” sugerindo uma ideia diferente do que pensamos e, claro, depois de um tempo, ele “aprende” a ficar na sua
  • os planos correm riscos, pois para evitar brigas, todo mundo fica quieto e lá adiante que-se-f* esse negócio

Por que evitamos o conflito?

Além do clima de “bem-estar” que se respira nas empresas, existem problemas pessoais que impedem o conflito de aflorar (só gaúcho pra usar um verbo desses, haha):

  • somos projetados para uma vida em sociedade e tal concepção é incompatível com um chato discutindo e aborrecendo a todos
  • precisamos ser polidos no ambiente de trabalho — que o diga o pessoal mais humilde que, se bobear, perde o emprego —; por outro lado, aceitamos uma carga de trabalho inconciliável com nosso período de expediente
  • num time, normalmente somos recompensados por bem nos relacionarmos com os colegas e, claro, detonados por “chacoalhar o barco”

A Laine recomenda aos gestores explicarem ao grupo que conflitos devem ser esperados.

Eles criam uma tensão desejável, saudável e produtiva. A ideia é impedir que sejam vistos como uma “dinâmica disfuncional” que f* prejudica o ambiente.

Coisas do tipo:

“— Meus queridos, se não ocorrerem pendengas entre a área Comercial e a do Suporte Técnico, tem algum problema aí.”

Vale o mesmo para a área de  Desenvolvimento de Sistemas e o Help Desk. E assim por diante.

Como resolver?

Hahaha, tá querendo tudo mastigado, é?

Leia o artigo, ué! A parte final, claro, pois a introdução toda eu realizei aqui.

Feito.

Abrazon

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