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Por que fomentar ecossistemas blockchain regionais?

Quando vários atores fazem parte da mesma blockchain, os benefícios são compartilhados por todos

Guilherme Furlaneto

06/05/2019 às 13h25

Foto: Shutterstock

Hoje, vou escrever sobre como iniciar o seu negócio blockchain e como organizar a iniciativa em sua região. Lembrando que o blockchain é um banco de dados decentralizado, vamos imaginar que quanto mais participantes mais segurança e sentido damos aos dados ali armazenados.

Quando incorporamos diversos atores em uma rede blockchain temos capacidade maior de organizar arranjos de negócios com a utilização de 'smart contracts' entre estes participantes.  Um aspecto importante dessa metodologia é incorporar atores pertencentes aos mesmos arranjos produtivos, por exemplo, diversas empresas e instituições do setor de saúde pública e privada, criando automações através de identidades de usuários e compartilhamento de base de dados, personalizando para cada participante os graus de permissão de escrita e leitura dos dados.

Fundamentalmente, a blockchain possibilita automatizar relações contratuais entre pessoas, instituições e equipamentos através de contratos inteligentes (regras de lógica de programação). E quanto mais atores participantes do mesmo segmento e de uma mesma cadeia de negócios, mais vantagens de automatização de processos burocráticos teremos ao longo da cadeia.

Quando pensamos em blockchain para uma grande instituição, de grande porte, com milhares de colaboradores, a complexidade de informações e fluxos burocráticos desta instituição por si só viabiliza a implementação de uma blockchain privada. Além dos colaboradores próprios destas grandes instituições existem outros diversos terceiros e empresas prestadoras de serviço fazendo parte do ciclo de vida dos produtos destas grandes instituições. Portanto, faz todo o sentido que estas empresas menores e agregados da grande instituição façam parte da MESMA blockchain, para maximizar os benefícios desta base de dados compartilhada.

Hoje detectamos um cenário onde grandes empresas estão em processo de definição da estrutura blockchain que irão utilizar, e para onde levarão por consequência as diversas empresas e colaboradores de seu ecossistema.

Neste processo de criação da infraestrutura blockchain que em um futuro próximo englobará praticamente todo o mercado, a IBM larga na frente, incorporando a preço de ouro diversas empresas que necessitam da blockchain para otimizar processos na sua blockchain IBM de cadeia de suprimento de alimentos.

Além de cadeia de suprimentos, a IBM tem se firmado como o maior HUB de compensação interbancária de transações de pagamentos e remessas, funcionando como uma câmara de compensação de transações eletrônicas financeiras. Será que a IBM conseguirá ser o “Banco Central” das transações interbancárias de criptomoedas? Não sabemos. Mas que terão uma grande fatia do mercado, isso com toda certeza.

Nessa direção, muito me alegra a posição do Banco Central do Brasil, com o lançamento da sua câmara de compensação de transações eletrônicas instantâneas. Está no mesmo caminho da IBM, com a diferença de estar conciliando apenas moeda 'fiat'. Palmas para o BACEN!

As regras do jogo estão mudando o tempo todo, e as instituições financeiras buscam estar à frente do mercado para não ficarem obsoletas e perderem o controle do fluxo monetário. Mas a blockchain é muito mais do que isso, é o futuro do fluxo dos dados.

Por isso, quando estimulo aqui que você organize o arranjo blockchain local e sua cidade e região, é para em primeiro lugar proteger o bem mais importante para o futuro de nossos negócios:  as informações geradas, o big data de nossas empresas e as interações entre elas. É aqui onde, além do aspecto financeiro da blockchain, está a grande oportunidade de monetização e ganho de escala de processos. É aqui que está o ouro digital.

Vamos tomar posse de nossas interações entre empresas, de nossos dados, de nossos pagamentos eletrônicos, antes que entreguemos mais uma vez todos nosso ouro a colonizadores estrangeiros. Resumindo: vamos criar e integrar as nossas blockchains!

As associações comerciais são uma boa porta de entrada para esta realidade. As cooperativas, o associativismo, ou seja, blockchain é de todos e para todos.

 

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