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Se ligue: não seja um líder!

Líderes de sucesso precisam reconhecer que o seu papel é muito mais do que ser um especialista.

Roberto Cohen

01/08/2019 às 10h35

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Líderes de sucesso precisam reconhecer que o seu papel é muito mais do que ser um especialista. Liderar requer aprendizado contínuo e equilíbrio entre conhecimento especializado e generalizado.

A frase acima é o subtítulo — traduzido por mim —  do artigo escrito pelo Eric McNulty no portal da revista de negócios strategy+business.

Recomendo a leitura do texto no hyperlink abaixo (e de forma regular, se você tropeça no inglês, use sempre o Google Translator enfiando nele a URL inteira): Don’t be a “leader”

Escrevi diversas vezes sobre o sofrimento de gestores nesse fervor desesperado por ser um “líder”.

Os fornecedores de literatura e cursos não ficam inertes a essa demanda (ou provavelmente eles próprios é que a promovem). Nomeiam livros e cursos com a palavra “Liderança” ainda que o conteúdo seja sobre gestão ou algo parecido.

“Liderança Financeira” é uma expressão que me espantou há alguns dias.

OK, vamos adiante que atrás vem gente. Pelo menos no metrô de São Paulo isso é uma certeza tal como a morte e impostos.

Liderança como um fim em si mesmo

O que Eric escreve é que as pessoas buscam se especializar como líderes. Isso virou uma meta, um ponto final que desejam alcançar. Fazendo troça, ele comenta que virou mais uma “medalha” a inserir no peito ou registro em seus currículos profissionais.

A questão é que liderança não é propriamente uma especialidade que os gestores desesperadamente almejam se capacitar.

A importância central da liderança é dotar-se de uma mentalidade e um conjunto de habilidades de um....generalista! Pois é, generalista.

O sujeito precisa compreender o componente humano da vida organizacional e isso vai além de dominar o ERP que presta suporte ou a configuração exata dos servidores que mantém nos clientes.

Seguindo o discurso do Eric, administração é uma coisa do presente. Liderança, do futuro. Esse último engloba questões como incertezas e ambiguidades. Afinal, estamos numa economia do conhecimento que prestigia a inovação e agilidade.

Pobres daqueles que investiram um milhão de reais comprando uma placa de táxi no aeroporto de Congonhas. Hoje não vale quase nada com a ebulição dos aplicativos de transportes privados.

E o que tem a ver inovação e agilidade com um generalista?

Por que ser um generalista?

E onde está a vantagem do generalista sobre o especialista?

Ser dotado de vários domínios do conhecimento humano (mas sem exagero, não vamos viajar muito, a questão toda é não pensar exclusivamente em bits e bytes) permite distinguir essas mudanças ou, pelo menos, padrões que envolvem a organização, os clientes, os colaboradores, os investidores etc.

(Aliás, estou a criar o curso SELEÇÃO DE COLABORADORES do 4HD.SPACEMinha esposa tem feito cortes e mais cortes nos vídeos devido ao “politicamente correto”. Existem a realidade, mas não posso abordá-la diretamente sob pena de sofrer processo ou sei lá o quê. Sortudo o sujeito que tem a boca sem tramelas poder contar com um superego externo para se adaptar ao mundo atual.)

OK, abandonando essa confissão, retornemos ao importante.

Metáforas

Atender clientes (ou usuários) é uma tarefa que exige certo grau de generalização.

Porque se tivermos apenas uma lente — viés técnico — para enxergar a situação (“para quem só tem martelo, todo problema é um prego”), a solução pode ser desesperadora ou promover conflitos de forma adoidada.

Metáforas — recomendo ler alguma obra de Lakoff — do tipo “ele tem uma vontade de ferro” ajudam, muitas vezes, a explicar algo de forma muito mais fácil do que o esclarecimento técnico.

O ex-presidente Lula era bom nisso, pois habitualmente fazia metáforas com futebol.

Ter muitos interesses distintos permite construir metáforas que exemplificam as soluções ao fazer conexões entre domínios de conhecimento distintos (ualá, que frase chique!!!).

Como explicar a um usuário leigo em TI que num crash do seu servidor sem backup ele perdeu tudo? Só com metáfora! E olhe lá.

Aliás, quando você fala sobre “menu de opções” isso remete obviamente aos menus de restaurantes, figuras que o usuário tem intimidade e compreende o uso.

E se você fosse inglês compreenderia muito bem que browse significa, de forma figurada, folhear ou passar os olhos sobre as páginas de um livro. No caso da internet, o livro seria um website. O browser, portanto, é o que folheia ou visualiza as páginas www. Fala sério, nunca se deu conta disso, hein?

É claro, tem momentos em que precisamos de um especialista.

Se vou operar os olhos, quero um sujeito que domine o assunto. Porém, para ser o diretor de um hospital, o melhor é um generalista. Ele compreende os vários fatores de um ambiente complexo, cheio de pessoas e mudanças na sociedade.

E faço o quê, Cohen?

Sugestões do Eric para se tornar um gerente ou “líder” melhor:

  • Explore domínios onde “não há resposta certa”, como as artes e as humanidades. Você aprende a analisar e tomar decisões em meio à ambiguidade. Estude pintura japonesa, história do samba, música, piscicultura de aquário, culinária asteca, idioma Mandarim, tricô, sei lá.
  • Incorpore atividades de expansão da mente e indutoras de curiosidade. Podem ser exercícios de pensamento visual ou palestras (TED?) com pensadores provocativos em campos como antropologia ou música que aparentemente não estão relacionados com o “trabalho do dia”. Dê uma examinada esse artigo: Filosofia pode ser profissão do futuro, diz autor do best-seller ‘Sapiens’.
  • A próxima vez que trabalhar no processo de seleção de colaboradores, procure um artista, poeta ou filósofo com os conhecimentos e experiência necessários para o cargo. Mesmo que não o contrate, ela desafiará seu pensamento (e o do recrutador) e expandirá sua definição do que é possível.

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A economia piora. A economia melhora.

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See you, brother and sister.

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