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Todos os elos contra a corrupção

Abradisti encabeça iniciativas de combate à corrupção estimulando boas práticas de governança e compliance de distribuidores e revendas

Mariano Gordinho

08/05/2019 às 18h34

Foto: Divulgação

Compliance nunca foi uma palavra tão importante para a sociedade e para as organizações brasileiras. Foram inúmeros escândalos de corrupção e más práticas de negócio denunciados publicamente nos últimos anos, envolvendo não só o setor público, também companhias privadas. Junto a políticos, executivos foram indiciados e presos em operações como a Lava Jato, entre outras, e acenderam o alarme da falta de conformidade.

Qualquer organização envolvida em um grande escândalo pode ver sua marca corroída e sua reputação – um dos ativos mais importantes em qualquer ambiente de negócios – soterrada. Soma-se a isso, o recente decreto 8420/2015, que regulamenta a Lei 12.846/13, popularmente conhecida como Lei Anticorrupção, e que estabelece parâmetros para avaliação de programas de 'compliance', multas e outras punições para empresas infratoras.

Com o cerco se fechando, o alarme também soou para a cadeia de venda e distribuição de tecnologia da informação, que ao longo dos anos se viu convivendo com “jeitinhos” na forma de vender produtos e soluções, principalmente para o governo. É evidente que cada um dos elos da cadeia sofre com diferentes graus de vulnerabilidade, e que a revenda - olhos e ouvidos da indústria frente ao cliente - é quem mais sofre.

Os fabricantes, ao delegarem obrigações de venda para um distribuidor, conseguiram sustentar por anos uma certa “blindagem” que a Lei Anticorrupção desvelou – agora, todos são solidários na responsabilidade sobre ilicitudes e devem zelar pela ética nas relações comerciais. Mas, é claro, a corrupção não existe apenas na ponta, e depende da anuência de outros elos da cadeia para se efetivar.

Fabricantes e distribuidores não podem mais lavar as mãos quando suas revendas vendem de forma irregular para o governo, por exemplo, porque agora existe uma política da responsabilidade. A partir da regulação da Lei Anticorrupção - mais rígida que suas congêneres americanas, inglesas ou europeias – todos no mercado de tecnologia precisam se adequar para operar de maneira o mais ética possível, e a adoção de boas práticas de governança e compliance é sem dúvida o melhor caminho.

Para nós da Associação Brasileira de Distribuição de Produtos de Tecnologia, a Abradisti, a pergunta que se impõe é: como podemos ajudar as empresas de todos os elos da cadeia nesta jornada?

Iniciativas

A primeira forma é, sem dúvida, debatendo o assunto. Por isso a associação deve criar, muito em breve, o Grupo de Trabalho de Ética e Compliance (GT) , cujo objetivo primário é formular um código de conduta setorial. A ideia é publicar, divulgar e incentivar este guia como forma de perpetuar boas práticas entre as empresas do setor.

Evidentemente não é possível impor um código desta natureza a todos os associados, mesmo que construído coletivamente, já que alguns possivelmente vão preferir criar os seus próprios. Mas há como sugeri-lo. Este GT independente buscará também garantir que a Associação não tenha entre os seus associados praticantes de irregularidades, e zelará por princípios já constantes em seu Estatuto e, em seu Regimento Interno.

Mas, a iniciativa mais importante da Associação no momento é a criação de uma plataforma de certificação de 'compliance' das revendas a ser lançada ainda em 2019, e que já está em fase de definições e testes. Além da usual análise de risco de crédito, o objetivo do serviço é mostrar para os distribuidores se as revendas com que fazem negócios estão potencialmente envolvidas com corrupção, contrabando ou malversação de dinheiro público, entre outros aspectos. Trata-se basicamente de um questionário que avalia os padrões de governança e aderência à regras de conformidade.

Nosso objetivo é orientar os associados a usar a certificação não só para se protegerem, mas para a proteção de todos: revendas, distribuidores e fabricantes. Toda a lógica do processo é criar um arcabouço material que permita provar as responsabilidades de cada um em atos de ingerência.

Se é muito difícil simplesmente acabar com a corrupção, ao menos é possível dificultá-la e minimizar os riscos do negócio. É o que buscam as iniciativas da Abradisti, respondendo não só a um apelo por um ambiente de negócios mais salutar, mas também aos anseios de uma sociedade em muitas medidas cansada de tanta corrupção.

* Mariano Gordinho é presidente-executivo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti)

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