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Um gestor deve ser duro e exigente ou tolerante e bacana?

Roberto Cohen

31/08/2017 às 13h55

chefe
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Pois é…

Acabei a leitura da biografia do Abilio Diniz, o fundador do Pão de Açúcar. Parei (temporariamente) de ler A Bola de Neve que é a biografia do Warren Buffett (992 páginas precisa fôlego!).

Estou numa fase de biografias, vai saber…

 

Em geral cada administrador, inclusive você, tem o seu estilo de gestão.

E ele, o estilo, depende muito da personalidade do sujeito e do grupo envolvido. Um sujeito pode ser corajoso num ambiente e virar covarde noutro.

Duvida?

Veja como você é (atrevido, metido, etc.) num jogo de futebol entre amigos de longa data e depois teste esta mesma valentia embrenhando-se numa favela ao entardecer. Claro, não vale se você morar em uma, hehe.

Mas por que somos inerentemente de um jeito ou de outro (participe dos meus cursos de Gestão de Serviços e compreenda métodos científicos como o DISC que ajudam a se conhecer melhor e lidar com seus subordinados), não é motivo para não aprendermos com os outros.

Encucado

Fiquei encucado com um artigo, o qual disparou este texto.

Li que a Paula Paschoal, diretora-geral do Paypal no Brasil, consegue conciliar sua vida profissional e pessoal (vou supor que isso não é marketing safadinho para tornar a imagem da empresa mais querida e bacana ao público).

Decidi acreditar na Paula, até por que ela deu as caras para falar sobre isso (e foi mesmo, através de vídeo) e pareceu bem sincera em seu depoimento.

Você pode conferir o mesmo neste link:

https://itforum365.com.brcarreira/perfil/paula-paschoal-e-possivel-equilibrar-vida-profissional-e-pessoal

Então vamos lá.

O lado “paz e amor” da coisa

Tenho lido as revistas Exame de “graça”.

Mas não por que meu tio é dono de banca de revistas, ou por que eu pirateio ou leio na sala de espera do consultório do meu dentista.

É que assinei o plano Vivo Controle (bye-bye Claro ou até breve, nunca se sabe) que me dá acesso ao GoRead “na faixa”.

Leio todas as revistas da Abril (Veja, Isto É, Quatro Rodas, Exame, Você S.A) e mais 13 editoras sem pagar “nada”.

Por 65 pila mensais recebo tudo acima, mais ligação grátis para fixo de qualquer lugar do Brasil e 3 GB por mês de internet.

Calmaaaaaaaaaaaa! Não estou ganhando nada para isso. Não é jabá ou qualquer ação parecida.

É que quando sou mal atendido, explodo aqui no blog.

Então acho legal evidenciar aquilo que me parece bom.

E esse tal de Vivo Controle é. Acabei com um plano familiar de R$ 300 e passei para outro de R$ 195. Sobram duas pizzas no final do mês aqui em casa (ou cinco se forem do Habibs, haha).

Ah, sim…

A reportagem era intitulada A Ciência da Produtividade e num resumão dizia que os gestores precisam ser bacanas com seus funcionários (Peter Drucker já dizia isso também). “Criar aproximação” e “Propiciar confiança” foram expressões corriqueiras no texto.

Um aspecto me arregalou os olhos: o sistema tradicional de avaliação de desempenho dispara no cérebro uma sensação de ameaça (imagine agora, em tempos de crise, o horror de quem é funcionário e segue para fazer a avaliação de desempenho).

Ele, o método tradicional, torna as pessoas menos colaborativas e menos dispostas a inovar (“— Deixe que outro erre e seja demitido por isso”, traduzindo).

No texto brotaram vários exemplos científicos, de como a IBM isso, as pesquisas da Deloitte apontam aquilo e vamos sempre nessa toada de ser bacanas, atenciosos e meigos (e também usam uma forma disfarçada de Gamification).

OK, o lado B e contraditório da coisa

Agora quero listar uma série de ícones da gestão/inovação que foram bem-sucedidos.

Steve Jobs. Todo mundo o admira. Mas duvido que alguém desconheça que era intratável e demitia pessoas até no elevador. A empresa dele foi malsucedida? Não. Minha vizinha de 80 anos não tinha smartphone, comprou um “da maçã” por que disseram que era o melhor do mundo.

Microsoft? Steve Ballmer presidiu a empresa durante uns 15 anos e atirava cadeiras quando ficava irritado. O dono desta empresa até esta semana era a pessoa mais rica do mundo o mais rico até doar 4,6 bilhões de dólares e cair para o segundo ou terceiro lugar.

Amazon? Vixe, Jeff Bezos. Esqueça a vida pessoal. Se estiver em casa dormindo, alguém está roubando sua ideia na firma. E com a permissão do chefe. Leia o artigo Trabalhar para a Amazon é só para quem não tem interesse em manter uma vida pessoal.

Andy Grove, Intel? Idem. Intimidava os funcionários a tal ponto que um deles desmaiou durante a avaliação de desempenho.

Jack Welch da GE, apelidado de “bomba de Nêutron”? Detonava prédios inteiros. Sobravam apenas as edificações, pois demitia todos os funcionários (escrevendo assim você perde o contexto que se tratava de uma época de enxugamento de custos). Cortava 10% dos funcionários abaixo das metas, ao melhor estilo meritocracia.

Abilio Diniz é um talento natural para o varejo. Sabe muito e batalha demais. Visita cada loja para saber como estão as coisas. E também as dos concorrentes.

Mas dizia coisas como “— Alguém tem alguma coisa inteligente para falar?”, “— Você: na próxima reunião venha sem capacete porque parece que não está conseguindo me ouvir” e ainda “— Está falando besteira, vá checar esse número”. Não era bem lá o tipo “nutra a confiança do seu funcionário”.

Warren Buffett comunicava-se via grunhidos com seus colaboradores. Sua vida pessoal quase inexistia, pois chegava em casa e começava a ler revistas de investimentos e assim por diante.

Parece que onde houver meritocracia e uma busca desenfreada por novos patamares de desempenho, o bicho pega. Questões relacionadas a “promover o erro” ou que produzam gastos desnecessários não vicejam muito nestes ambientes.

A pegadinha?

Daí que você está confuso, não? Eu fico, pelo menos.

De um lado empresas vitoriosas que criam um clima de bem-estar no ambiente de trabalho. Noutro, empresas também prósperas onde os comandantes eram tudo, menos meigos. Muito além, alavancavam propositalmente uma atmosfera de aflições, mágoas e sofrimentos.

Qual dos dois estilos (A ou B) um gestor deveria escolher para alcançar o sucesso?

Ah, convido a todos os gestores de suporte a participarem dos meus cursos de Gestão de Serviços para Help Desk e Service Desk. Se não escrevo agora, sou capaz de esquecer depois, haha.

Existem duas hipóteses da economia comportamental (um novo braço da psicologia social) em jogo.

Confirmation bias

Normalmente vamos atrás de exemplos que confirmem nossas premissas.

Se tenho uma tendência para o ambiente de paz e amor, vou procurar textos e livros que afirmem exatamente isso para confirmar minhas ideias. Porém, se tenho um estilo mais explosivo, corro para o lado contrário e me apoio na busca de metas, gestão por objetivos, cortes daqueles que não alcançaram o mínimo ou que gastaram errado e assim por diante.

Evidência não confirmativa

Nunca lembramos dos que se assemelham aos nossos ídolos de gestão e que… Deram errado!

Rá!

Eu gosto de todos os autores que incentivam a inovação e listam centenas de empresas que deram certo por causa disso, mas… Existem poucos livros sobre quem fez isso e quebrou. Por que, obviamente, não vende livros, claro.

O lado contrário vale a mesma coisa: se gosto de meritocracia, onde estão os livros das empresas que seguiram essa diretriz e quebraram pelos mais variados motivos. Livros sobre elas? Hummm… Difícil. Uma citação numa obra ou outra. Um case de faculdades. E só.

Por onde eu vou então?

Olha eu reciclando conteúdo antigo aqui do blog, mas com roupas diferentes.

Em 2010 escrevi um texto chamado Que estilo de gestão de suporte adotar?

E nele havia citação de um conhecimento produzido por Henry Mintzberg que dizia, resumidamente o seguinte: todos portamos uma tendência natural a um estilo.

E o melhor é…

Equilibrar as coisas!

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar!

Claro, meu guru Ricardo Mansur acharia um sacrilégio esse argumento, pois seu estilo racional diria que se somos dotados de intelecto, temos que pensar.

E qualquer ato que resulte benéfico para empresa, seja intuição ou algo parecido, é por que o inconsciente racional (completo paradoxo) agiu assim. Se der m* é por que nos deixamos levar pelas emoções (sorry, people, não pude deixar de sair pela tangente e dar uma alfinetada nele, hahaha).

O fato é que se trata de um cobertor curto.

Eu fico mais para o lado do paz e amor, até por que as pessoas estão deixando de ser funcionárias (subordinadas) e passando a ser consultoras ou parceiras ou algo parecido.

E se existir muita oportunidade (não é o momento), o sujeito pula para outro lugar e deixa o mandão a ver navios (ou gente incompetente que aguenta o tirão de ser humilhado periodicamente).

Hummm…

Derivei…

Mas é quinta-feira, quase sexta e tenho seis alunos (de 9 vagas) para o curso de outubro…

 

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Vale.

Beijão a todos,

EL Cohen

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