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Como aplicar sustentabilidade de ponta a ponta na cadeia de fornecimento

Tecnicon preparou tópicos fundamentais para ter sucesso na iniciativa

12/06/2018 às 12h56

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Você acredita que práticas mais sustentáveis são capazes de transformar o mercado e as relações de consumo da população? Esse é um dos grandes desafios de uma iniciativa que nasceu há alguns anos com o propósito de reduzir os impactos socioambientais em toda a cadeia de suprimentos.

A ideia propõe uma completa mudança de mindset no desenvolvimento e fabricação de novos produtos, estimulando as empresas a repensarem todo o ciclo de vida – desde à extração da matéria-prima até a destinação final das embalagens.

Conheça agora como funciona a Cadeia de Fornecimento end-to-end ou Sustentabilidade de Ponta a Ponta – como é conhecida no Brasil – e saiba como implementá-la na sua indústria.

Pontapé

Antes de iniciar qualquer mudança na organização, é importante fortalecer a prática de desenvolvimento de produtos mais sustentáveis. Por essa razão, o primeiro passo é a realização de uma Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), a fim de estudar as consequências presentes em todas as etapas da cadeia de valor:

• Extração de recursos naturais;
• Produção de matérias primas;
• Fabricação de produtos;
• Comercialização e uso;
• Disposição Final.

Essa análise tem por principal finalidade a identificação de falhas que possam prejudicar de alguma maneira o meio ambiente e, dessa forma, desenvolver estratégias para minimizar esses impactos, como: economia de água e energia, redução na geração de resíduos, utilização de recursos renováveis, materiais biodegradáveis, conscientização ambiental, dentre outras ações.

Importante ressaltar que a Avaliação de Ciclo de Vida é regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, por meio da NBR ISO 14040.

Não basta olhar apenas para o próprio negócio

Para introduzir efetivamente a Sustentabilidade de Ponta a Ponta dentro da indústria, muitas companhias compreendem que voltar seus olhares apenas para os processos internos não é o suficiente.

Além das práticas sustentáveis empregadas ao longo do processo produtivo, é importante observar o que ocorre muito antes do insumo entrar na fábrica, como também quando o produto chega à população.
Descubra abaixo a responsabilidade de dois personagens fundamentais dentro do ciclo de vida e saiba como sensibilizá-los:

Fornecedores – Antes de escolher os parceiros de negócio, a empresa deve pensar muito além do seu próprio custo-benefício. É preciso pesquisar informações detalhadas a respeito dos princípios éticos e socioambientais praticados pelos fornecedores. Estudar como é realizada a extração da matéria-prima, a origem da mão de obra (legal ou ilegal) e os meios de transporte utilizados para o deslocamento dos insumos são alguns critérios interessantes no momento da escolha.

De nada adianta implementar estratégias 100% verdes dentro da sua indústria, se a origem dos materiais forem ilegais ou prejudicarem significativamente o meio ambiente. Portanto, busque parceiros que estejam alinhados com seu propósito, desenvolva maneiras de conscientizá-los continuamente sobre a sustentabilidade e o mais importante: seja o exemplo.

Consumidores – Aos poucos, a população tem adquirido hábitos mais conscientes a respeito de ações sustentáveis em seu dia a dia. No entanto, ainda há muito o que fazer para que essas mudanças produzam efeitos significativos no planeta.

Como o desafio é grande, as empresas também têm uma enorme parcela de responsabilidade para ajudá-los nessa missão. Antes de propor atitudes práticas, é interessante desenvolver estratégicas de marketing para educá-los sobre a importância de atitudes responsáveis, como: criação de campanhas nas redes sociais, publicidade em grandes mídias e ações nos pontos de vendas (PDV).

O objetivo é que ocorra uma transformação no comportamento de consumo das pessoas e que elas entendam a importância da compra de um produto socioambiental responsável.

Qual é o próximo passo?

Após a fase de sensibilização com fornecedores e consumidores, as organizações também têm o dever de colaborar efetivamente com a sociedade, por meio da implementação da logística reversa: criação de postos de coleta de resíduos, fabricação de produtos derivados de materiais reciclados, auxílio na separação e destinação correta dos insumos, dentre outras ações.

O Sistema de Logística Reversa é regulamentado através da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305). Essa norma engloba todas as diretrizes referentes à gestão integrada de resíduos sólidos no país, impondo responsabilidades a todos os geradores – empresas, órgãos públicos e instrumentos econômicos em geral.

End-to-end no Brasil

Em 2009, uma rede varejista fechou parceria com o Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA), para desenvolver um grande projeto de Cadeia de Fornecimento end-to-end no Brasil. A iniciativa já está em sua 4ª edição e traz números bastante expressivos em relação à diminuição dos impactos socioambientais.

Nas três primeiras edições do programa Sustentabilidade de Ponta a Ponta, ao todo, houve a participação de 29 empresas nacionais e multinacionais de diversos portes e setores de atuação que promoveram mudanças significativas em 41 produtos de grande renome no mercado.

As companhias passaram por uma avaliação completa no ciclo de vida, e os resultados foram bastante otimistas. Confira:

• Redução de 19.883 Gigawatt-hora (GWh) de energia elétrica
• Economia de 745 mil m³ de água
• Menos 290 mil litros de óleo diesel e combustível
• Diminuição de 140 toneladas de matéria-prima de embalagem
• Redução de 1.340 toneladas de resíduos
• 4.291 toneladas de CO2e

Para o projeto realmente dar certo, as organizações tiveram que firmar vários compromissos: redução de 70% de fosfato em detergentes e sabão em pó até 2013, utilizar 100% energias renováveis, não compactuar (financiar) materiais provenientes de trabalho escravo e desmatamento ilegal, diminuir em 50% o uso de sacolas plásticas, dentre outros.

O interessante é que além de contribuir com a sustentabilidade, a maioria dos produtos tiveram seus custos de produção reduzidos, resultando em vantagem financeira para as empresas.

Mudanças

Até o momento, já foi possível observar que a promoção de um pleno desenvolvimento socioambiental deve ocorrer em todas as fases do ciclo de vida dos produtos, além de envolver outros agentes importantes nas mais diversas etapas.

A Tecnicon preparou cinco tópicos fundamentais para implementar uma cadeia de fornecimento end-to-end na sua indústria. Descubra:

1. Energias renováveis - A geração de energia elétrica proveniente de hidroelétricas e termoelétricas são as mais utilizadas no planeta, sendo também as que mais causam impactos ao meio ambiente. Enquanto a primeira altera todo um ecossistema com a necessidade de represar rios, a segunda é responsável pelas maiores emissões de gases e poluição do ar.

Para minimizar esse quadro, já existem inúmeras fontes de energia renováveis que, além de beneficiar o meio ambiente, trazem retornos financeiros expressivos às organizações. Energia eólica, solar, geotérmica e fotovoltaica são alguns exemplos de fontes energéticas renováveis bem interessantes para o setor industrial.

2. Combustíveis alternativos – Reduzir a emissão de gases de efeito estufa é um dos grandes desafios da Sustentabilidade de Ponta a Ponta. Em vista disso, uma excelente alternativa é a troca de combustíveis fósseis por alternativos.

O biodiesel e o etanol são os mais conhecidos e já são bastante utilizados pela população. Mas você sabia que a biomassa (matéria viva) e até mesmo o café já estão começando a ser utilizados como fonte de combustão para os veículos?

Portanto, no momento de transportar seus produtos dê prioridade a veículos movidos por eletricidade ou a combustíveis renováveis. Atente-se também aos transportes utilizados por seus parceiros.

3. Embalagens – Praticamente todos os produtos consumidos diariamente são envoltos pelos mais variados tipos de embalagens (plástico, papel, vidro e afins), sendo consideradas as principais vilãs do meio ambiente. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), anualmente são descartados 13 milhões de toneladas de plástico nos oceanos, prejudicando a saúde de todos os seres vivos.

Em razão disso, uma das propostas do “end-to-end” consiste na criação de embalagens ecológicas, através de materiais biodegradáveis e recicláveis. Além de ocupar menos espaço no planeta, essa alternativa diminui consideravelmente a emissão de gás carbônico (CO²) no ambiente. PLA (plástico de poliácido láctico), fibra de coco, bagaço de cana-de-açúcar, fécula de mandioca e fibra de madeira são alguns exemplos de matérias-primas utilizadas na fabricação de embalagens sustentáveis.

4. Tecnologia – As organizações podem ter a tecnologia como uma grande aliada a sustentabilidade. Com a rápida Transformação Digital, diversas inovações foram criadas com o objetivo de tornar os processos mais eficientes, reduzindo custos e contribuindo para a sustentabilidade.

Tecnologias desenvolvidas por meio de recursos naturais são uma excelente alternativa para a redução do consumo de água e energia. Há outras que também são importantes para a manutenção preventiva – detectando falhas antecipadamente e evitando sérias consequências ao meio ambiente.

5. Educação ambiental – Esse é um dos primeiros passos para a implementação da Sustentabilidade de Ponta a Ponta nas empresas. Antes de introduzir processos mais sustentáveis e investir em tecnologia, é preciso educar colaboradores, clientes e parceiros sobre a importância da conservação ambiental.

Essa prática pode ser realizada por meio de eventos, palestras, reuniões e campanhas nas principais mídias, com todos os agentes que influenciam de alguma maneira no ciclo de vida dos produtos.

Vai ficar de fora dessa?

Agora que você já sabe como é o funcionamento da Cadeia de Fornecimento end-to-end, está na hora de colocá-la em prática na sua indústria. Inicie adotando atitudes sustentáveis dentro da própria organização, para então, prestar a atenção nas condutas de seus parceiros e clientes.

Somente com melhorias de “ponta a ponta” será possível alcançar resultados socioambientais expressivos para o meio ambiente – e claro! – para o seu bolso.

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