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Como sair da “transformação” para enfrentar a “execução digital”

Tecnologias não faltam, mas como atrair os talentos certos e entregar o prometido, lidando com o aumento da complexidade da operação?

*Edenize Maron

03/09/2019 às 8h13

Foto: Shutterstock

Transformação digital é uma daquelas expressões que ganharam grande projeção nos últimos anos no mundo corporativo, mas sua aplicação nem sempre é comprovada na prática em prol dos resultados para as empresas. Por ser um conceito extremamente amplo, a tão falada transformação digital reflete, em muitos casos, mais um anseio das corporações de inovarem e se mostrarem inseridas na era digital do que ações capazes de inovar o modus operandi das empresas e trazer benefícios concretos.

Afinal, por que transformação digital? O que tem que ser feito? Como chegar lá? Sem essas respostas, a transformação digital nada mais é do que uma tentativa ou discurso pouco consistente.

Tudo isso começa pela transformação da cabeça do CIO, uma vez que a resposta passa por ter um plano de TI orientado ao negócio e não orientado aos grandes fabricantes de tecnologia, que costumam influenciar em demasia seus clientes.

Afinal o que se quer no curto e no médio prazo? Mudar a experiência do cliente, reduzir custos de produção, acelerar o go to market, ter uma logística mais eficiente, impulsionar as vendas de um produto! Cada companhia ou instituição deve ter muita clareza quanto aos seus desafios particulares para então se mobilizar no sentido de encontrar as melhores respostas e soluções.

É fundamental ter o controle do “roadmap” tecnológico, tendo a TI naturalmente trabalhando em conjunto com os usuários. O plano sai do papel para o plano de “execução digital”, pois não há espaço para se ater a uma possibilidade de transformação custosa e morosa. Inovação demanda agilidade e dinamismo; é preciso testar, errar e corrigir de modo muito rápido e barato, sem perder de vista os objetivos de negócio.

Com novas atitudes, portas se abrem. Jovens ansiosos entram no jogo e se destacam no campo para fortalecer a equipe. Assim começa a aceleração da nova onda de prosperidade tecnológica.

O protagonismo da TI na construção do ecossistema de inovação.

Nesses tempos de mudanças rápidas e constantes, surge uma nova TI muito mais consciente quanto ao seu papel estratégico para que a inovação aconteça e resulte em melhorias e crescimento para o negócio.

Com novas atitudes, o CIO sai do modo “manter as luzes acesas”, ou modo “implementador de pacotes”, para dar lugar a uma postura antenada, multidisciplinar e que busca respostas não convencionais para as pressões e os desafios corporativos. Essa mudança é necessária diante da mudança de perfil da alta gestão, que passa a contar com novos executivos que não se sentem desconfortáveis quando o tema é tecnologia. A TI deixa de ser uma caixa preta e intocável. A TI faz parte do time onde todos jogam.

Inovação não se delega para fornecedor.

Inovar, no entanto, não é algo que se faça sem algumas mudanças estruturais. Para que a implantação de um novo ecossistema funcione bem e a empresa tenha êxito em sua jornada digital, ela não pode mais depender de um único fornecedor de TI, como era no passado; muito menos delegar a ele os rumos de sua estratégia de inovação, uma vez que se trata de parte interessada. Para sair dessa armadilha, a TI vai absorver conhecimentos para poder desenvolver um time com novas habilidades e um novo ecossistema de parceiros, o qual será chave para se vencer a inércia e garantir que novas soluções tecnológicas levarão a empresa a um novo patamar.

Como inovar com sistemas legados?

Mas o que fazer com os sistemas legados? É preciso abrir mão deles? Definitivamente, não. Nenhuma empresa precisa destruir seu legado para inovar. Mas continuar investindo nele não é uma opção. O setor financeiro, historicamente benchmarking em inovações tecnológicas, por exemplo, não abdicou de seus mainframes para oferecer a requerida experiência para seus clientes. Há muita complexidade para ter a simplicidade do banco na palma da mão.

No ecossistema de inovação coexistem o legado, soluções de startups e parceiros de nicho, além de sistemas próprios. A era de alguns poucos mega fabricantes de TI dominando o mercado está dando lugar a uma proliferação dos melhores fornecedores de soluções específicas. Isso porque esses gigantes movem-se com pouca agilidade e não conseguem acompanhar o ritmo das inovações. Além do mais, na sua grande maioria, são fornecedores de produtos. Tais empresas podem não “pegar na mão” do cliente para fazer acontecer.

A nuvem e o digital.

Hoje já não se fala mais de inovação sem considerar a computação em nuvem. A grande questão é: o que levar para a nuvem? O uso de pacotes na nuvem no modelo SaaS é comum para gestão de Recursos Humanos, Compras, CRM, Gestão de Viagens, dentre outros. Já para o sistema de gestão (ERP), ainda não há evidências suficientes de sucesso em grandes empresas na migração para a nuvem.

Dessa forma, o que tem se mostrado mais eficaz é a adoção de uma rota híbrida entre sistemas On-premise e na nuvem.

Orquestração de Sistemas é chave.

Ambientes híbridos significam maior complexidade, o que requer uma gestão mais sofisticada. A começar pela camada de integração entre diferentes tecnologias e aplicações e pela arquitetura orientada a serviços, sem a qual não se pode dar velocidade à inovação.

Tudo isso leva a TI a abrir mão de um único provedor, e adotar uma série de novos parceiros com conhecimento de nicho, para poder desenvolver sistemas internamente. Para navegar nesse novo e complexo ambiente, novos conhecimentos serão absorvidos e novos parceiros serão adotados para a “orquestração digital”. É esse o caminho adotado, por exemplo, pelas companhias aéreas líderes no setor, que conseguiram transformar alguns processos críticos da experiência do usuário, oferecendo agora maior comodidade, agilidade e segurança, adotando tecnologias como reconhecimento facial e inteligência artificial para estar à frente no mercado.

Portanto, são as metas corporativas que devem nortear qualquer execução digital, e não o que um fabricante determina, erro que pode ser fatal.

Execute!

Não há mais espaço para falar de transformação digital sem entender e participar dos objetivos de negócio. Trace já um plano de execução digital baseado em um novo ecossistema de empresas e pessoas que privilegie, em vez de um único fabricante de TI, múltiplos parceiros com conhecimento de nicho. Ou seja, esteja rodeado de pessoal altamente qualificado.

Por fim, inspire-se em empresas e líderes inovadores pois a requerida “disrupção” começa na cabeça e não na aquisição de algo diferente. Questione o status quo, atraia talentos e ponha sua estratégia digital em execução mirando benefícios mensuráveis o quanto antes. É hora de botar a mão na massa!

*Por Edenize Maron, General Manager da Rimini Street América Latina

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