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Data center in-house ou as a service: qual é o melhor modelo?

Executivo analisa a evolução dos data centers e qual será o futuro dessa tecnologia

Leandro Laporta*

20/03/2019 às 12h16

Foto: Shutterstock

A imagem clássica, colorida e imponente de uma grande sala lotada de servidores no data center está se tornando cada vez mais rara. Em um momento em que muitos falam do XaaS - Anything as a Service ou Tudo como Serviço - é natural que pensemos na possibilidade de ter um Data Center as a Service (DCaaS).

No entanto, nem sempre foi assim. Muitas empresas pagavam por equipamentos, equipes de manutenção e espaço para ter um data center in-house, afinal, ele era a maneira mais segura de armazenar aplicações e informações confidenciais. As empresas não tinham confiança em deixar seus conteúdos mais preciosos fora de casa. Além disso, havia a preocupação com a velocidade e efetividade com que essas informações seriam transmitidas, pois era necessária uma conexão privada que pudesse suprir isso.

Uma característica do data center in-house era a necessidade de profissionais dedicados para a administração, que muitas vezes não pertenciam à área de atuação daquela empresa. Afinal, por que uma transportadora de alimentos, por exemplo, precisa ter uma equipe de TI enorme e altamente especializada?

Esses aspectos foram superados com a criação dos data centers as a Service. Empresas especializadas que criam grandes centros de dados e segmentam essa tecnologia para suprir a demanda de companhias de outras áreas, mas que precisam de grandes espaços para armazenagem eficiente de suas informações.

Os DCaaS trouxeram ao mercado uma possibilidade de flexibilidade e agilidade. Quando existe um data center in-house, se for necessário expandir a capacidade de armazenamento, será preciso comprar novos equipamentos, alugar um espaço maior e contratar mais pessoas. Quando o serviço é terceirizado, a cada aumento ou diminuição, uma mudança simples no contrato pode resolver o problema.

Além disso, existe a economia do espaço físico, que gera a redução de energia elétrica, já que esses equipamentos precisam de ambientes altamente controlados. Com isso, surge a possibilidade de deixar a administração dos equipamentos nas mãos de empresas especializadas e poder focar completamente no negócio. Outra vantagem que enxergo é a segurança de que as informações estão protegidas de qualquer problema climático ou estrutural que a empresa possa sofrer, pois o servidor está fisicamente alocado em outro lugar, geralmente mais preparado para abrigar esses aparelhos, com geradores de energia e proteção contra acidentes físicos.

Como garantir conectividade e segurança?

Na minha experiência, que atuo há muitos anos nas áreas de telecomunicações e conectividade, acredito que ter uma transmissão de dados eficaz, de alta velocidade, com criptografia e segurança é um ponto primordial, e isso vale para qualquer empresa e situação. Para obter isso, adquirir um serviço de rede SD-WAN (rede de longo alcance definida por software) ao fazer a contratação do DCaaS pode ser fundamental para que os serviços funcionem corretamente.

As redes definidas por software ajudam numa melhor orquestração da conectividade, ou seja, com isso, a transferência dos dados da empresa pode ser administrada de forma clara e precisa. Além disso, a SD-WAN cria um túnel totalmente seguro para as informações saírem do centro de dados e chegarem à empresa. Essas redes podem ainda ser utilizadas em combinação com outros serviços, criando uma conectividade híbrida e apropriada para cada perfil, sendo assim uma vantagem para companhias de todos os portes.

E quem já possui um data center próprio robusto?

Claro que existem companhias que já investiram em seus próprios centros de armazenamento e precisam fazer valer esse investimento. Acredito que uma solução viável para empresas de tecnologia que possuam esses DCs seja terceirizar esse espaço para outras companhias, aproveitando assim o momento promissor deste mercado.

No entanto, caso não seja a situação da sua empresa, pois atue em um mercado completamente diferente do de tecnologia ou simplesmente não queira apostar em terceirização de serviços, é possível manter esses servidores e utilizar uma boa rede SD-WAN para ajudar no gerenciamento de toda sua informação, podendo assim ter uma administração centralizada dos serviços, o que otimizaria em muito o uso dos servidores.

No entanto, como o Gartner coloca em seu relatório The Data Center Is Dead, and Digital Infrastructures Emerge (O Data Center está morto e a infraestrutura digital emerge), é possível que os Data Centers in-house se tornem uma raridade em um futuro próximo, por conta das imensas vantagens que o DCaaS possui.

Em 2025, 80% das empresas terão abandonado os DCs tradicionais e adotado o serviço terceirizado. Observo que isso se dá muito pela evolução da tecnologia, conectividade e segurança da informação como um todo e também porque as empresas perceberam que precisam focar seus esforços em ter conhecimento pleno de seu próprio mercado, investir em contratar uma mão de obra pertinente ao setor e em tecnologias que otimizem sua atuação, algo muito mais viável quando não precisam se preocupar em ter um centro de dados próprio.

*Leandro Laporta é diretor de Arquitetura de Soluções para a América Latina da Orange Business Services

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