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Definição da previdência social dá largada na corrida para o digital

Entidades terão que acelerar a chegada de uma revolução no setor de previdência privada que podemos chamar de ‘previdência digital’.

*Leonardo Hermeto

27/08/2019 às 12h55

Aplicativo tira dúvidas sobre revisão de benefícios do INSS
Foto: Shutterstock

A despeito da concordância ou não em relação aos méritos da reforma da previdência, o fato é que ela era necessária. Contudo, a proteção ofertada pela previdência social é mesmo insuficiente para parte da população, o que faz com que muitas pessoas busquem uma forma complementar que viabilize uma aposentadoria que considerem digna.

Com este cenário, o que se espera para os próximos anos é uma corrida em busca de proteção nos fundos de previdência privada que parece já ter começado. As reservas dos planos de previdência privada aberta totalizaram R$ 857,9 bilhões no primeiro trimestre, o que significa um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a FenaPrevi.

Na previdência privada fechada a expectativa está longe de ser menos otimista. Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) o modelo chegou ao final de 2018, tendo somado R$ 900 bilhões em ativos, consolidando um aumento de 7,4% em relação ao registrado em 2017 (R$ 838 bilhões). A projeção da entidade é que o setor tenha o dobro de participantes até 2022.

Na expectativa de absorver tanto o cliente descontente com as mudanças na previdência pública como também atrair uma massa de consumidores que busca uma forma inteligente de investir seus recursos, o mercado de previdência privada passa por um momento de verdadeira ebulição no país.

Os Fundos de Pensão estão utilizando a figura recém-criada dos Planos Instituídos, ou ‘Planos Familiares’, para acirrar a competição com os Planos Abertos. A ABRAPP acredita que até o final do ano, 80 de suas 260 associadas tenham criado um plano próprio neste sentido.

O importante é perceber que todos estes movimentos têm como fator de desequilíbrio o uso da tecnologia. Assim como os bancos tradicionais estão sendo obrigados a se reinventar para enfrentar a chegada dos chamados bancos digitais, as seguradoras, fundos de pensão e outras entidades terão que acelerar a chegada de uma revolução parecida no setor de previdência privada que podemos chamar de ‘previdência digital’.

Ela deve seguir os mesmos preceitos dos bancos digitais, ou seja; revolucionar a experiência do usuário. Para isso terá que investir em plataformas digitais que facilitem em primeiro lugar a educação financeira e previdenciária.

O segundo passo é facilitar a adesão já que os processos de cadastro e inscrição na previdência privada ainda estão bastante embrionários no que se refere ao uso de tecnologia e agilidade. Com o uso de chatbots (inteligência artificial) é possível atender ao consumidor de forma assertiva, rapidamente e com custos reduzidos que garantam a possibilidade de manutenção das taxas de administração em níveis competitivos, justos e acessíveis.

Finalmente, é preciso investir cada vez mais na criatividade para atrair novos investidores. Previdência é um investimento no qual a pessoa só recebe os benefícios após cerca de 20 ou 30 anos depois de sua adesão. Para driblar esta dificuldade criada pela própria natureza do produto, existem formas de atrelar a previdência à realização de objetivos de médio prazo, como a compra de um imóvel ou de um carro, por exemplo.

Uma massa de consumidores está em busca de respostas para suas dúvidas e medos sobre o assunto e a previdência digital é a solução. Quem chegar primeiro a ela será o vencedor.

*Por Leonardo Hermeto, diretor comercial de previdência e saúde da Sinqia.

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