Home > Colunas

E-commerce para todos: por que ainda é preciso pensar nos desbancarizados?

A falta de serviços de pagamentos para pessoas sem conta em bancos ainda é um grande desafio para o setor de venda online.

*Ralf Germer

05/09/2019 às 12h56

Foto: Shutterstock

Quando iniciei este artigo, minha ideia era falar somente da inclusão digital nas lojas online. Explicar sobre a importância dos e-commerces oferecerem opções de pagamento no momento da compra para fidelizarem os clientes, bem como trazerem inovações para o negócio em um mercado cada dia mais competitivo. No entanto, acredito que a falta de serviços de pagamentos voltados para os desbancarizados ainda seja o grande desafio do setor.

No Brasil, 60 milhões de adultos não possuem contas em banco, de acordo com um recente estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O número representa quase metade da população economicamente ativa do país. Com esses dados, fica claro o porquê de as empresas precisarem estar atentas aos movimentos globais e as novas demandas desses consumidores, que movimentam cerca de R$ 665 milhões ao ano.

Oferecer flexibilidade na hora do pagamento pode ser um diferencial para os desbancarizados realizarem compras online. Além disso, levando em consideração que os smartphones estão revolucionando a forma como os brasileiros lidam com o comércio eletrônico, as fintechs são obrigadas a disponibilizarem alternativas econômicas, eficientes e abertas para todos os lojistas que queiram realizar vendas e participar da economia.

Na PagBrasil, por exemplo, o Boleto Flash® soluciona dois dos maiores problemas do boleto tradicional: a confirmação de pagamento demorada – validamos a compra em menos de uma hora - e o layout não responsivo, ou seja, exibimos um layout otimizado da página conforme a resolução que está sendo visualizada. E mais, o pagamento pode ser feito em qualquer instituição bancária, casa lotérica ou entidade autorizada, dando oportunidade para os desbancarizados movimentarem os seus recursos.

Apenas para modelo de comparação, em novembro do ano passado estive na China. Se antigamente uma grande parte da população não estava conectada nem participava do comércio eletrônico, hoje praticamente nenhum chinês usa cartão de crédito, débito e até mesmo dinheiro em papel, devido ao uso de dispositivos móveis conectados à internet. E posso explicar o aconteceu: duas grandes empresas desenvolveram soluções com o pagamento em QR Code e implementaram esse sistema no país inteiro, dominando totalmente a economia e todos os meios de pagamentos, proporcionando uma verdadeira inclusão digital.

No Brasil, adianto que o Banco Central está com um projeto de pagamentos instantâneos que também fará uso do QR Code, na intenção de incluir todas as pessoas nos meios de pagamento. Ainda que esteja em fase de desenvolvimento, noto que a intenção da entidade é garantir mais concorrência no mercado e inovação, com regulamentação idealizada para incentivar empresas brasileiras e estrangeiras a investirem na América do Sul.

Na minha opinião, olhando a nível de América Latina, o mercado brasileiro é o mais avançado no comércio eletrônico, com tecnologias líderes em termos de fintechs. Os estrangeiros preferem investir no Brasil não somente pela lucratividade, mas porque a mentalidade dos brasileiros é aberta para novas tecnologias.

*Por Ralf Germer, CEO e co-fundador da PagBrasil, fintech brasileira líder no processamento de pagamentos para e-commerce ao redor do mundo

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail