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“É preciso uma política de Estado para TICs”, afirma ministro colombiano

23/08/2017 às 16h32

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Muito se discute sobre a inserção do tema TIC como estratégia de País no Brasil, mas quase nada é feito. Seja pela falta de mobilização dos interessados em prol de um bem comum ou, no nosso caso, pela governabilidade falha e corrupta que tomou conta do governo federal.

Mas mais do que isso, os governantes locais, sejam eles de quaisquer uma das três esferas, necessitam aprender a criar projetos de Estado e não planos de governo que enchem os olhos dos eleitores durantes as campanhas e desaparecem meses após o pleito eleitoral. Esse, na verdade, é o principal conselho do ministro das TICs da Colômbia, David Luna, que falou durante a 32ª edição do Andicom, um dos principais eventos de tecnologia do mercado colombiano organizado pela Cintel.

A primeira grande diferença entre Luna e os nossos ministros é o conhecimento de causa. Embora formado em direito e com especialização em políticas públicas, o ministro mostrou profundo conhecimento não apenas dos temas da moda, como transformação digital e as siglas que a compõe, mas de todo o impacto que tecnologia pode gerar numa comunidade ribeirinha ou numa vila de pescadores, mas também no sistema empresarial e no dinamismo econômico.

“Saímos de um conflito e agora olhamos para o futuro”, reforçou Luna, lembrando o recente processo de pacificação. “Não existe uma política de governo para TIC, mas uma política de Estado, parece simples dizer isso, mas faz uma diferença enorme. E o objetivo maior é fazer com que haja continuidade. É usar a tecnologia a serviço da educação, emprego, regionalidades e governo digital”, comentou.

A preocupação com a continuidade é tamanha que o Ministério das TICs da Colômbia tem assumido compromissos anuais com a comunidade empresarial e acadêmica, como forma de mostrar o valor estratégico desse setor ao país. Entre as diversas iniciativas, o governo começou a produzir uma pesquisa nacional para entender os hábitos dos colombianos em relação à tecnologia e ao mesmo tempo medir o impacto dos programas em todos os rincões do país.

Política estratégica

Além disso, foram criados fóruns de discussão, um medidor da economia digital, alianças empresariais com a participação da Câmara de Comércio de Bogotá, programas para desmistificar as tecnologias emergentes envolvendo entidades governamentais, empresas e academia e ajustes no marco regulatório, que precisa sempre seguir evoluindo.

“Agora, partimos para a criação do Observatório da Economia Digital, onde focaremos na digitalização dos processos produtivos e criativos, e, finalmente, trabalhamos na parte institucional com a criação do vice-ministério de economia digital e outro focado em conectividade, além de uma coordenação intersetorial focada em plataformas eletrônicas e economia colaborativa.”

Como lembrou Luna, por meio da internet das coisas (IoT, da sigla em inglês), inteligência artificial e diversas outras soluções, é possível suplantar barreiras antigas. Se há algumas décadas cientistas e agricultores tinham dificuldades em prever algumas questões climáticas, hoje está muito mais fácil. “Observamos todo o desenvolvimento possível, mas também o uso da transformação digital para a questão social, principalmente em educação, desenvolvimento regional e formação de cidadãos com as novas competências.”

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