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Esqueça o Design Thinking: apresento o Adventurous Thinking

"Pensamento aventureiro". O que vem à mente quando você pensa nisso? De uma certa maneira, tem a ver com adrenalina.

*Marco Antonio

20/09/2019 às 14h23

Design thinking na Resultados Digitais
Foto: Shutterstock

"Pensamento aventureiro". O que vem à mente quando você pensa nisso? De uma certa maneira, tem a ver com adrenalina. Imaginamos muita ação e os hormônios lá em cima. E uma pessoa aventureira, o que seria para você? Dentre as muitas definições que pode ter, uma que poderia explicar muito bem seria "uma pessoa que não se limita à zona de conforto".

Pois bem, é esse o raciocínio que segue o Adventurous Thinking, que surge para desbancar o Design Thinking. Basicamente, justamente por buscar sair da zona do conforto, essa nova forma de pensar e agir tem a ver com ampliar o pensamento criativo.

Além de ampliar o pensamento criativo, o Adventurous Thinking promove inovações consistentes. A criadora dessa abordagem chama-se Sally Domínguez, arquiteta e designer australiana. De acordo com ela, o objetivo do Adventurous Thinking é o de ajudar empresas a criarem sistemas, produtos e estratégias mais robustos e sustentáveis.

O método combina as pesquisas mais recentes sobre caminhos neurais com o pensamento de design moderno, ampliando a curiosidade dos participantes e, por consequência, suas capacidades de inovar.

O Adventurous Thinking desenvolve uma mentalidade ágil, deliberadamente provocando os participantes a terem um estado de pensamento que os tirem da zona de conforto para que possam pensar em novas alternativas para resolução de problemas.

Para aplicar o método, Sally fala em "quebrar a linearidade do pensamento". Para isso, o Adventurous Thinking baseia-se em Cinco Lentes. Nas palavras de Sally, as lentes "pluralizam um produto, sistema ou ambiente, para revelar seus múltiplos sentidos, e atuam como ferramentas para levar indivíduos e equipes para fora de seus caminhos neurais habituais, em direção a ideias e soluções mais diversas".

Conforme explicado na aqui "as cinco lentes correspondem a cinco perspectivas diversas, igualmente importantes, focadas na resolução de problemas e geração de ideias para uma perspectiva multifacetada (...) cada lente provoca um ponto de vista distinto e extremo em uma estrutura simples e compreensível". As lentes são:

  • Espaço negativo: trata do que NÃO é o foco. Em outras palavras, antes de pensar no que pode ser, deve-se pensar no que NÃO é. Encontrar o espaço negativo requer definir o contexto e os limites, uma vez que ele elimina aquilo que não faz sentido ou não é promissor. Uma vez que essa área bem definida é otimizada para o seu Espaço Negativo, os limites ou contexto podem se expandir. Reconhecer e otimizar as oportunidades do Espaço Negativo pode melhorar os processos internos, bem como produtos finais e campanhas.
  • Pensamento lateral: é uma extensão do Pensamento Empático e cria consciência de como nossas preferências pessoais ditam a maneira como interagimos com os outros - colegas de trabalho e clientes. O Pensamento Lateral é valioso para entender como suas tendências pessoais podem comprometer suas tomadas de decisão e interações.

O pensamento lateral tem dois aspectos:

a. Compreender o seu ponto de vista e as suas preferências para receber e compartilhar informações;

b. Trabalhar deliberadamente fora dessas preferências para descobrir mais opções e soluções que, de outra forma, não chegariam até você. Sabe aquela história de tirar o cabresto? É exatamente isso que propõe a lente do Pensamento Lateral, pois significa olhar para os lados e somar as ideias dos outros às suas. É particularmente eficaz para a formação de equipes e para reconsiderar a presença em mercados.

  • Pensamento retroativo: seria desconstruir uma ideia. Esta lente utiliza as informações de Análise do Ciclo de Vida para considerar onde um projeto ou produto termina e como os elementos e funções que compõem um produto, sistema ou campanha podem ser aprimorados para um resultado mais preciso, econômico e robusto.

De acordo com Sally ,aqui deve-se trabalhar com cada elemento de uma ideia, um produto ou sistema de forma individual:

Seu impacto real

Seu impacto emocional

Seu impacto da percepção pública

Seu impacto econômico.

  • Repensar: parecido com a ideia do pensamento retroativo, com a diferença de que a lente do "repensamento" repensa os valores e aspectos da ideia como um todo (e não separando-os em partes como no pensamento retroativo.

Repensar é uma lente muito importante para reconsiderar um produto, negócio ou estratégia. Envolve redescobrir e explorar seus valores fundamentais. Sally propõe pensar nas seguintes perguntas:

Quais são as propriedades do seu produto?

O que ele faz bem?

O que não pode fazer bem?

O que pode melhorar?

Ao ampliar o conceito, retirando itens não essenciais, você pode reconsiderar seu projeto ou produto.

  • Parkour: seria um salto de inovação. Você pode ter ouvido falar do parkour como um exercício militar que envolve um caminho em uma pista de obstáculos. Como parte do Adventurous Thinking, o Parkour é sobre nos concentrarmos no pensamento eficiente.

Esta quinta lente Sally descreve como "a estratégia de pensamento mais positiva em termos de risco".

Qualquer novo projeto é um risco. A ideia do Parkour é escolher a ideia que traz mais riscos positivos. Em outras palavras, aquela que fará você progredir da maneira mais econômica possível e que o levará mais longe.

A sugestão de Sally é listar todas as ações possíveis para seu negócio ou projetos, isto é, as boas e as ruins. Comece com os 5 primeiros pressupostos e imagine o oposto de cada ação. Essa prática pode levar à disrupção do negócio, pois ajudará você a enxergar possibilidades que não havia considerado.

A ênfase do Adventurous Thinking está na inovação consistente. Sua abordagem reúne as poderosas mentalidades do criador, do designer e do disruptor, lideradas pela empatia e curiosidade.

Como disse Einstein: "Não podemos resolver nossos problemas com o mesmo pensamento que usamos quando os criamos". O Adventurous Thinking vem justamente propor uma nova maneira de analisar antigos problemas: provocando a mente a utilizar outros caminhos de pensamento.

*Por Marco Antonio, cofundador do Garage Criativa, laboratório de inovação que ajuda instituições de diferentes segmentos em suas jornadas de transformação digital por meio da aplicação de Design Thinking e do Human Centered Design (HCD). Atua como Mentor e Facilitador de Aprendizado em projetos de tecnologia da informação, transformação digital, inovação e empreendedorismo e também como palestrante de eventos que fomentam o conhecimento nas respectivas áreas de atuação.

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