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Eterna vigilância: somos vigiados da hora que nascemos até a morte

Novo livro de Edward Snowden conta como ele ajudou a criar um sistema de espionagem mundial e os seus perigos.

Wellington Arruda

20/09/2019 às 9h11

Foto: Barton Gellman (Getty)

Edward Snowden lançou um novo livro e o governo dos Estados Unidos não ficou nada contente. Na rede social Twitter, ele disse: "Este é o livro que o governo não quer que você leia."

Sobre o que é Eterna vigilância? Quem é Snowden?

Em 2013, o ex-funcionário da CIA (Agência Central de Inteligência) e ex-analista da NSA (Agência Nacional de Segurança) revelou detalhes sobre os serviços secretos dos EUA.

Snowden divulgou ao mundo, em 2013, que o governo dos Estados Unidos estava desenvolvendo meios de vigiar seus cidadãos. Isso inclui todos os telefonemas, mensagens de texto e e-mails enviados para o mundo todo.

A discussão central é como o sistema de vigilância em massa poderia invadir a privacidade de qualquer pessoa. Inclusive, nos documentos vazados, foram encontradas mensagens apontando para a ex-presidenta Dilma Rousseff.

O "caso Snowden" foi relatado pelo jornalista Glenn Greenwald em publicações no Guardian e Washington Post, que receberam o Prêmio Pulitzer em 2014 na categoria 'Serviço Público'.

Snowden passou a ser altamente procurado e considerado inimigo público pelo governo norte americano. Ele buscou, então, asilo na Rússia e vive lá até hoje. Em entrevista à npr, entretanto, ele disse: "Eu não cooperei com os serviços de inteligência da Rússia. Eu não fiz isso e nem pretendo".

Sequer chegou e já foi processado

O novo livro, Eterna vigilância, foi lançado no dia 17 de setembro em várias regiões. No mesmo dia 17, o Departamento de Justiça do país entrou com uma ação civil contra ele.

Segundo o processo, Snowden publicou suas memórias sem que fossem submetidas às agências para revisão prévia. Para o governo, isto violou "suas obrigações expressas nos termos dos contratos que assinou".

Também que Snowden discursou publicamente sobre assuntos relacionados à inteligência, "violando seus acordos de não divulgação". Por outro lado, o processo não visa impedir as vendas da publicação, mas sim "recuperar" todos os rendimentos.

"O governo dos Estados Unidos acaba de anunciar um processo sobre minhas memórias, que acabaram de ser lançadas hoje." Edward Snowden.

Em Eterna vigilância, publicado pela editora Planeta no Brasil, Snowden "conta como ajudou a criar este sistema de espionagem mundial e também como atuou para desvendá-lo ao se dar conta dos perigos deste projeto."

Na descrição, também informa "não ser contra que os governos coletem informações por medidas de segurança", mas alerta que as pessoas são vigiadas "da em hora em que nascem até a hora que morrerem".

Todos estamos na lista

Um usuário, no Twitter, disse que acabara de baixar o livro e pergunta se isso o colocaria na "lista". Snowden replica:

"Hoje, todos estão na lista, não importa o quão inocente sejam. Sistemas de vigilância em massa se esforçam para registrar todas as pessoas, em todos os lugares e em todos os momentos. A pergunta não é mais 'Eu estou na lista?', mas sim 'Qual é a minha classificação na lista?'"

No livro, ele ainda faz um alerta para todos, homens e mulheres de todas as idades e em todos os países: tenham muito cuidado. Seja ao ligar para outra pessoa, mandar uma mensagem de áudio ou digitar dados de sua conta bancária.

Eterna vigilância foi lançado hoje, 20, no Brasil. Na Amazon, o livro custa R$ 37,91 e sua estimativa de envio é de 1 a 3 meses. Em versão digital, o liro custa R$ 22,41.

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