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Indústria 4.0: a força motriz para a competitividade

Para que a I4.0 se torne realidade no Brasil, é preciso o envolvimento de todo um ecossistema produtivo

Carlos Gallani*

14/01/2020 às 10h11

Foto: Adobe Stock

A competitividade da indústria brasileira está intrínseca à sua adaptação na nova revolução industrial, que traz à tona o conceito de Indústria 4.0 (I4.0) – esse caracterizado pela conectividade e pelo processamento de dados, sendo a informação a matéria-prima para tornar a produção fabril mais inteligente, eficiente e adequada às exigências do mercado.

Os países mais desenvolvidos já tomaram a dianteira ao proporcionar a conexão e interatividade entre o homem, a máquina e os processos, por entenderem que a tendência é ser mais ágil, ter produtos customizados, com baixo lead time, alta eficiência energética e ter diferentes canais de distribuição. E o Brasil, como está nesse cenário?

O parque fabril brasileiro tem em média 20 anos e, para otimizar os investimentos em tecnologias de I4.0, serão necessárias adequações no chão de fábrica. Um caminho viável para isso é a sensorização das máquinas e ferramentas já existentes, especialmente quando olhamos para as pequenas e médias empresas. Essa solução, além de permitir uma melhor visualização da cadeia produtiva, ajudará na tomada de decisões, na logística e até mesmo na escolha dos fornecedores, garantindo ganho de eficiência e atratividade de investimentos no país.

É fato que essas mudanças serão gradativas e que por algum tempo haverá a coexistência de diversos patamares de tecnologia na indústria nacional. Ademais, existem ainda outros desafios para levar em consideração, como o capital humano. Ao contrário do que se pensa, as pessoas terão um papel central dentro da I4.0, assim como ocorreu no passado.

Os profissionais deste novo contexto, em geral, trabalharão mais focados na análise, interpretação dos dados e otimização dos processos, valorizando ainda mais o papel da inteligência humana. A formação continuará a ser um ponto fundamental, mas tanto ou mais que os conhecimentos específicos, o profissional da I4.0 tem que ter um perfil holístico e capacidade de utilizar pontos de vista interdisciplinares, além de buscar aprimorar o seu know-how a fim de acompanhar ou mesmo se antecipar às inovações tecnológicas que serão cada vez mais frequentes.

De forma geral, é importante entender o que está por trás dos conceitos desta nova revolução industrial. As empresas como um todo precisam ter noção de quais das tendências de futuro estão relacionadas a cada modelo de negócio e o papel do indivíduo neste novo cenário, para que seja possível formular planos de médio e longo prazos a fim de potencializar o processo produtivo por meio das soluções da I4.0.

Os ganhos de toda essa transformação certamente são positivos. Para a indústria de manufatura, por exemplo, o uso das tecnologias trará, além de processos mais transparentes e inteligentes, a identificação de gaps que tornarão as ações mais ágeis e robustas, além da possibilidade de reconhecer perdas, reduzir custos e aumentar a produtividade em busca de mais competitividade.

Já para as fabricantes de tecnologia, existe uma gama infinita de possibilidade para geração de novos negócios, tanto em serviços como em produtos e inovações. A Bosch é um bom exemplo dentro desse contexto, principalmente por ser uma das precursoras do tema Indústria 4.0 na Alemanha. Exatamente por isso, a empresa está cada vez mais direcionando seus esforços para tornar seus processos fabris mais enxutos, flexíveis e inteligentes. Além disso, os investimentos da empresa em transformação digital são contínuos e alinhados ao objetivo estratégico de estar entre os líderes globais em Internet das Coisas (IoT). Outro ponto importante é que a Bosch, além de ser usuária das tecnologias de I4.0, é também provedora de soluções para o mercado e para seus fornecedores, pois entende que toda a cadeia produtiva tem que estar alinhada e preparada para atuar nesse novo cenário.

No entanto, para que a I4.0 se torne realidade no Brasil, é preciso o envolvimento de todo um ecossistema produtivo, bem como de instituições de diferentes esferas e órgãos governamentais para que as coisas aconteçam de forma mais efetiva. Enfim, o Brasil precisa ser ágil para tornar seu parque fabril mais inteligente, caso contrário corre o risco de perder esta onda de inovação e se tornar obsoleto frente à competitividade global.

*Carlos Gallani é conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná) e diretor de Manufatura da Bosch em Curitiba

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