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Inteligência Artificial pode substituir o homem em processos de decisão?

As máquinas já tem capacidade de pensarem como seres humanos e, apesar de serem apoiados em dados digitais, tomam decisões de forma independente.

Uranio Bonoldi

20/08/2019 às 18h08

Foto: Shutterstock

Hoje, com um simples comando de voz conseguimos ativar uma eficiente assistente que vive magicamente dentro de nossos smartphones, seja para fazer nossas ligações, nos dizer como está o tempo ou até procurar o restaurante mais próximo. Somos diariamente auxiliados por diversos mecanismos e softwares de Inteligência Artificial, como a Siri, assistente inteligente dos aparelhos da Apple. Não só celulares, mas também carros autônomos, redes sociais, buscadores da Internet, sistemas de atendimento, fazem com que a Inteligência Artificial (IA) esteja inserida em nossa rotina.

De modo geral, a IA é a capacidade das máquinas de pensarem como seres humanos e, apesar de serem apoiados em dados digitais, esses sistemas tomam decisões de forma independente. Essa habilidade nos ajuda a resolver problemas práticos, conseguir respostas rápidas, poupar tempo e a tomar decisões. Mas como seria se esses sistemas tomassem decisões por nós?

Por conta de uma capacidade de armazenamento e análise de dados cada vez maior, estamos nos aproximando de um cenário em que a IA desempenhará um grande papel em nossas escolhas e com grande autonomia. Algumas empresas globais já estão migrando para um estilo de tomada de decisão baseado em algoritmo e liderado por esses sistemas.

Um exemplo disso são os sistemas de CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) que permitem muitas funções automatizadas, ajudando equipes de venda e marketing a trabalharem com mais eficiência. Essas decisões tomadas pela IA, também são executadas diariamente através de sistemas de recomendação em sites e aplicativos de música e, na internet, bots estão constantemente classificando nossos interesses em sites, páginas e produtos. Será que isso trará um impacto positivo para nossas vidas?

Em 2018, a IBM apresentou o Project Debater, uma IA com capacidade de não só decidir mas também argumentar. Esse projeto fundamenta-se no princípio de que nós humanos somos emocionais e que em muitos casos as emoções interferem nas decisões levando a um resultado não positivo. O Debater da IBM pode ser útil em casos em que há conflito e emoção em um argumento e tem o objetivo de nos ajudar a tomar decisões mais bem informadas e racionais.

Seja no trabalho ou na vida pessoal, sem sombra de dúvidas, esse tipo de tecnologia pode nos tornar pessoas e profissionais mais produtivos e melhorar a velocidade e a qualidade com as quais as decisões são tomadas. É um novo e mais rápido meio para a eficácia e eficiência, e possui potencial para nos levar a capacidades inovadoras e melhores oportunidades.

Você pode estar se perguntando: mas até que ponto eu posso confiar em decisões tomadas por uma interface inteligente? Com certeza esta é uma questão a ser refletida.

A IA pode se tornar nossa grande aliada e, combinada com a inteligência humana, pode nos levar a caminhos e resultados incríveis. Cabe aqui a fala do Dr. Aya Soffer, vice-presidente sênior de AI Tech da AI Research da IBM, sobre o Debater: "O que estamos fazendo com o Project Debater é desenvolver tecnologia que possa ajudar a tomar decisões mais informadas, e não tomar as decisões por você", disse.

Devemos lembrar que a IA sempre estará trabalhando com o que o homem aprendeu, regulamentou e que acabou por se tornar um padrão, portanto, algo repetitivo, baseado nos padrões passados. E como fica a inovação? O futuro? Aquilo que é novo? Esta atribuição é da decisão do homem e não da máquina!

Portanto, acrescento que não devemos deixar de acreditar em nossa intuição e na nossa capacidade de decidir. Até porque ninguém conhece você melhor do que você mesmo!

*Por Uranio Bonoldi,  professor em cursos de MBA na Fundação Dom Cabral, conferencista e consultor em gestão, governança corporativa e planejamento estratégico, dando suporte a empresas que desejam crescer de forma estruturada. A partir de sua longa experiência executiva em cargos de alta gestão, observou a dificuldade das pessoas em tomar decisões não só nos negócios, mas também na vida pessoal. Tal constatação levou-o a integrar sua experiência profissional a pesquisas e reflexões sobre liderança e processo de decision making. Na Fundação Dom Cabral ministra aulas para executivos sobre poder e decisão.

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