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Lei de Moore completa 50 anos. Saiba quais foram suas contribuições para a TI

Déborah Oliveira

17/04/2015 às 11h37

Lei de Moore completa 50 anos. Saiba quais foram suas contribuições para a TI
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O número de transistores em um chip dobra, em média, a cada 18 meses, mantendo o mesmo (ou menor) custo e o mesmo espaço. A teoria, formulada pelo cofundador da Intel Gordon Moore em 1965, resultou no que foi batizada de Lei de Moore, usada até hoje no mundo da tecnologia da informação. 

Sua explicação para a velocidade da evolução tecnológica não só se tornou mundialmente conhecida como estimulou toda uma indústria por anos e anos, completando no dia 19 de abril 50 anos.

Reinaldo Affonso, diretor de desenvolvimento de tecnologia da Intel para a América Latina, assinala que a Lei traz três marcos importantes na história da tecnologia e dita o ritmo das inovações do mercado. Uma delas está na área de desenvolvimento. Ele lembra que a Lei de Moore não tem aplicação única no mercado de computadores. Os processadores de silício são aplicados em uma grande variedade de produtos como smartphones, relógios, óculos e automóveis.

“Hoje, a tecnologia está em nossas mãos, com tablets, smartphones e relógios inteligentes, por exemplo. A Lei permitiu enfrentar os desafios de desenvolvimento e possibilitar soluções como essas que vemos agora”, diz.

Ele conta que se o computador fosse construído hoje com a mesma tecnologia de 1971, quando foi desenvolvido o primeiro processador, teria o tamanho de um prédio e precisaria de usina toda de Itaipu para abastecê-lo. Outro exemplo: se um telefone Android baseado na Intel fosse construído com a tecnologia de 1971, apenas o microprocessador do telefone ocuparia a vaga de um carro. 

O segundo item, prossegue, é a redução de custos. De acordo com ele, inovação e criatividade nas últimas décadas não teriam sido economicamente viáveis sem o respaldo da Lei de Moore. “Também tem a questão da energia. Cada vez mais os computadores estão mais poderosos e consumindo menos energia”, diz, engatando no terceiro ponto: a questão social. “Tecnologias mudaram o comportamento da sociedade e criaram a possibilidade de evolução mesmo quando não se tem todos os recursos disponíveis”, completa.

No mundo corporativo, Affonso assinala que a Lei de Moore permitiu a redução de custos para tornar a tecnologia permeável por toda a empresa. “Antes, o profissional de TI perfurava cartões, porque era muito caro ter um computador para cada profissional. Agora, todos os profissionais têm PCs, smartphones e outros dispositivos móveis”, detalha.

De acordo com o executivo, a internet é um capítulo importante na Lei de Moore. A era da informação gerou uma demanda crescente por equipamentos conectados à internet e, integrado a eles, serviços que facilitam o dia a dia, desde a comunicação básica, até gestão de compromissos profissionais ou pessoais e entretenimento. Tantas conexões alimentam a nova tendência que é a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). “A próxima grande onda da Lei de Moore está pautada na IoT”, afirma.

Em 2019, 11,5 bilhões de coisas estarão conectadas na rede, segundo o estudo Cisco Visual Networking Index. Isso significa que as pessoas estão conectadas em cada vez mais lugares, desde eletrônicos pessoais, serviços ou wearables

O que pode ser melhorado?
Com tanta evolução da indústria, algumas áreas ainda não se beneficiaram de forma adequada a Lei de Moore. A Intel listou como seriam alguns produtos se eles seguirem a Lei. Veja abaixo:

Carros
Se a eficiência no consumo de combustível dos automóveis melhorasse da mesma forma, uma pessoa poderia facilmente dirigir um carro por toda a sua vida com um único tanque de gasolina. Carro novo, com 40 anos? Talvez você precise de apenas um quarto de tanque, segundo a Intel.

Com o ritmo com os quais os transistores encolheram, o seu carro seria do tamanho de uma formiga. Você poderia guardar pneus de reserva no bolso da camisa. 

Construção
Se um arranha-céu tivesse seu preço reduzido no ritmo da Lei de Moore, uma pessoa poderia comprar um por menos do que o custo de um PC atualmente. Supercomputador na cobertura para alguém? E se um arranha-céu aumentasse de altura no ritmo da Lei de Moore, teria 35 vezes a altura do Monte Everest. 

Se o preço das casas caísse no mesmo ritmo dos transistores, uma pessoa poderia comprar uma casa pelo preço de um doce. 

Viagem aérea
O programa espacial Apollo teve custo de US$ 25 bilhões para pousar o homem na lua. Se o preço fosse reduzido no ritmo da Lei de Moore, atualmente o programa custaria praticamente o mesmo de um pequeno avião particular. 

A viagem para a lua em 1969 durou três dias. Se a Lei de Moore fosse aplicada à viagem espacial, aquela viagem levaria agora um minuto. Uma viagem da Nova Zelândia a Nova York demoraria o tempo necessário para colocar o cinto de segurança. 

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