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Na Educação 5.0, professor inspira e aluno lidera

A demanda por novos modelos de ensino e de aprendizagem é premente. Estamos preparados como País para essa nova era?

Déborah Oliveira

19/08/2019 às 9h13

Foto: Shutterstock

Enquanto a sociedade caminha para o modelo 5.0, a educação ainda opera em formatos antigos, no 2.0, de quando o mundo era analógico. Com tantos avanços tecnológicos, por que a educação ainda não avançou? Será que a educação vai conseguir efetivamente preparar talentos para o amanhã? Como as próximas gerações de professores e alunos se comportarão em uma nação em constante evolução? O tema será amplamente discutido no IT Forum X, que acontece nos dias 16 e 17 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Wagner Sanchez, professor da Fiap, Marina Durante, diretora de Marketing do Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais (Cescage), e Apostolos Antonopoulos, professor da UNIP, palestrante e consultor, estarão no rol de palestrantes que abordarão o tema e são unânimes ao dizer que na nova era o professor assumirá papel de facilitador e as aulas integrarão não mais uma, mas todas as disciplinas, que serão aprendidas por meio de cases e experiências reais.

“A demanda por novos modelos de ensino e de aprendizagem é premente. Os atuais não irão sustentar a escola do futuro. É preciso urgência na transformação digital das instituições de ensino brasileiras”, sentencia Sanchez. Segundo ele, hoje há uma grande disparidade entre o que é ensinado na maioria das escolas e o que o mercado demanda. “Temos empresas 4.0 e a academia é 2.0. Isso faz com que o aprendizado não aconteça e não haja absorção do conhecimento.”

Segundo ele, a educação não deve mais ser baseada no conteúdo pelo conteúdo, em fórmulas e ‘decorebas’. “A escola tem de ensinar para a vida usando novas metodologias de ensino”, argumentou, completando que daqui para frente o professor tem de ser um facilitador, um inspirador. “O aluno é protagonista do processo, não mais o professor.”

Já há, de acordo com ele, iniciativas em curso nesse sentido. A própria Fiap é um exemplo. A escola de negócios, que conta com quatro unidades em São Paulo e parceria com 33 grandes empresas no Brasil, como Oracle, IBM e Bayer, ensina a resolução de problemas reais para seus alunos por meio da prática.

Fora do Brasil, Singularity University, Massachusetts Institute of Technology (MIT), Oxford, Stanford e Florida Polytechnic University são citadas por Sanchez como universidades que já ingressaram na nova era e em vez de fomentar o ensino tradicional, buscam a resolução de problemas e o uso de cases. É nessa toada que se encaixa o “agile learning”, que assim como a cultura das startups, promove o ato de errar rápido e um aprendizado baseado na causa.

Para o professor, essa mudança vem acontecendo, mas de forma lenta. “Precisamos acelerar essa transformação, já que são cerca de 13 mil desempregados e ao mesmo tempo empresas estão em busca de talentos capacitados. Há muitas vagas que não são preenchidas”, contou, citando o gap que existe no mercado.

Educação diferenciada também na base

Marina, diretora de Marketing do Cescage, defende que o fomento de uma formação diferenciada deve acontecer desde a base. “Tenho quatro filhos e custei a encontrar uma escola que pensasse como eu penso. No mundo em que eles vão viver, não importam as fórmulas”, observa ela.

Ela argumenta que as escolas precisam, sim, cumprir os requisitos mínimos do MEC, mas devem ir além. “A legislação não exige que se tenha uma nota de avaliação, demanda um critério de avaliação. Por isso, acredito que os pais têm papel importante nesse contexto”, diz.

Segundo ela, muitos pais ainda estão presos a notas, quando na verdade deveriam incentivar a conquista de resultados, o fomento de troca de ideias e os questionamentos. “Boletins não definem bons profissionais”, justifica.
Marina indica que o mundo 5.0 demanda formas diferentes de resolver problemas. A cultura de pensar muito além da apostila é fundamental nesse cenário. “É preciso ensinar as crianças a pensar e a ter pensamento crítico. Dessa forma, elas chegarão à vida adulta com outro pensamento.”

Para a diretora, outro modelo que deve ser repensado é a educação baseada em momentos. Em sua visão, o vestibular está com os dias contados. “É a ascensão do keep learning, ou seja, de cursos curtos realizados durante toda a vida de uma pessoa.”

Ainda na visão da diretora, a formação e a carreira serão temas diferentes, uma vez que com o aumento da expectativa de vida das pessoas, certamente talentos terão muito mais do que uma profissão. “O mundo vai evoluir e certamente a profissão que uma pessoa tiver hoje não vai mais existir”, completa.

Pensamento crítico

Antonopoulos, professor, palestrante e consultor, também acredita em uma aprendizagem baseada em projetos e problemas, um modelo que, em sua visão, alavancará o processo de aprendizado.

Ele defende que a academia invista no aprendizado de habilidades denominadas 4C: pensamento crítico e criatividade para resolução de problemas, juntamente com a colaboração e a comunicação eficiente, habilidades que os alunos devem desenvolver para ter sucesso no mercado de trabalho.

Para ele, no entanto, a criação de ambientes inovadores propícios ao desenvolvimento de projetos e que aproximem os alunos dessa nova realidade educacional é confusa e de difícil implementação. A abordagem é fruto de estudo que ele fez para sua pesquisa de pós-doutorado.

“Acredito em um modelo que possa abarcar não só os esforços de professores e alunos, mas que também envolva a sociedade e as empresas, justificando e facilitando a criação de ações na direção da educação 4.0, seja no ensino técnico, superior ou mesmo corporativo”, conta. Antonopoulos aponta que esse modelo só é eficaz quando alunos assumem problemas reais e não apenas simulações. “Tem de ser real, para ter engajamento”, comenta.

Apesar de pontuar que o Brasil está longe de implementar esse modelo em larga escala, Antonopoulos mostra-se otimista. “Por conta do nosso modelo educacional focado no professor, toda vez que o aluno quer participar mais é coagido. Isso vai inibindo a pessoa. As pessoas aceitam ideias diferentes? Em muitos casos, não. Com isso, perdemos o fator criatividade. Ao apostar nesse formato desde a pré-escola é possível mudar as regras do jogo”, finaliza.

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