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Na era digital, tecnologia é habilitadora e não direcionadora

Déborah Oliveira

16/03/2016 às 17h10

Na era digital
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Muitos dos negócios que prosperaram no século 20 não terão sucesso no próximo século porque não vão conseguir acompanhar as mudanças do mercado, sentenciou José Furlan, cofundador do movimento Business Transformation Brazil, em apresentação no SAP Forum, realizado nos dias 15 e 16 de março em São Paulo.

Segundo ele, antes da era digital, o ser humano levava mais tempo para absorver as mudança. Agora, não há mais tempo para isso. “Assim, nos próximos 20 anos, veremos uma nova civilização e não mais geração. Haverá um grande conflito, assim como aconteceu entre os neandertais e o homo sapiens. Um prosperou e o outro sucumbiu”, comparou.

É por isso que 40% das empresas listadas na Fortune 500, hoje, vão desaparecer nas próximas duas décadas. Apenas no Brasil, estima-se que de 70% a 80% das companhias fecharão as portas em dez anos, extinguindo uma série de profissões e espaços de trabalho como agências bancárias e até shoppings centers.

O que acontece é que o avanço tecnológico é tão acelerado e acontece em tão pouco tempo que o mercado se romperá, criando vários futuros que dependem de escolhas do presente e não mais do passado. "Não dá mais para copiar o sucesso do passado, isso não garantirá o sucesso do futuro."

Pode parecer que o quadro é apocalíptico, mas não é tão ruim quanto parece. Fazendo um comparativo com a Teoria de Darwin, você tem duas escolhas: ser o rolo compressor ou fazer parte da estrada e ficar para trás. “O que não pode é ficar no estado de negação”, alertou.

Furlan lembrou que o século 21 é o século digital, caminho sem volta. “Não compraremos mais eletrodomésticos. Como eles estarão conectados à internet, serão pagos pelo uso. A falta de pagamento impedirá a ligação da máquina”, exemplificou sobre o futuro que já bate à nossa porta. Ele refletiu que quanto mais ‘coisas' tivermos, mais experiência viveremos.

E o avanço tecnológico, além de promover o uso mais consciente e compartilhado de produtos e serviços, impulsionará a inclusão. “Revoluções anteriores beneficiavam a pirâmide de cima para baixo. Será o contrário e pessoas que não têm acesso a informação passarão a ter”, observou.

Depois de propor a reflexão, o próprio Furlan questionou: por onde começar a transformação? Segundo ele, o porto de partida não é a tecnologia. "Tecnologia é habilitadora e não direcionadora. Comece com o propósito: porque sua organização existe e não o que ela faz? Como ela faz?”, orientou. 

De acordo com ele, a ausência de um propósito torna a vida mecânica, sem vida. Antes, trabalhámos para ganhar a vida. Eram cinco dias de tortura e dois dias tentando ser feliz. É preciso rever essa lógica, apontou, indicando que viver com propósito faz bem para a saúde e que sem isso o uso da tecnologia torna-se sem significado. 

A mudança, disse, começa pela simplificação. “Como já diz o ciclista Guilherme Cavallari, ‘o novo é assustador até virar familiar. Ele é circunstancial e relativo'. Por isso, crie o novo agora. O futuro começa hoje. Seja parte do futuro que se abre e não do passado que se fecha”, finalizou.

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