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“Não sofri preconceitos na carreira por ser mulher”, diz CEO da LG lugar de gente

Há quase 30 anos na empresa, Daniela Mendonça atribui vantagem ao seu desenvolvimento no primeiro e único emprego. Mas nem por isso menos desafiante

Solange Calvo

08/03/2018 às 9h00

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Era 1989 quando a jovem Daniela Mendonça (foto) chegou como estagiária à LG lugar de gente, desenvolvedora de soluções de tecnologia para gestão de pessoas, e nunca mais saiu. Hoje, como CEO da corporação, honra-se de ter crescido junto com a empresa e agradece por não ter sofrido preconceito pelo fato de ser mulher em uma área de predominância masculina.

Formada em Ciência da Computação em 1990, Daniela percebeu já em sala de aula o desequilíbrio entre os gêneros na área. “Em minha turma, de 30 pessoas, havia somente sete mulheres. Mas felizmente não senti esse impacto na LG lugar de gente, meu primeiro e único emprego”, relata.

“Não tive de lutar pelo meu reconhecimento ou me intimidar diante da hegemonia masculina no setor de TI porque cresci junto com a companhia. Quando cheguei como estagiária, existiam apenas sete funcionários. Ao longo dos anos, a LG foi conquistando grandes clientes e eu fui aprendendo e reunindo conhecimento em variadas funções.”

A executiva conta que na trajetória de crescimento da LG, se a empresa precisasse aprimorar gestão de projetos, ela buscava cursos para gestão de projetos, se a demanda era por certificações para qualificação do negócio, Daniela corria atrás delas. “Foi uma evolução conjunta, com todo o respeito e reconhecimento. Eu me movimentava de acordo com a necessidade da companhia. Minha trajetória, portanto, coincide com a da LG.”

Mas embora não existisse nenhuma barreira pelo fato de ser jovem e mulher em uma empresa de TI, Daniela sabia que essa realidade era bem diferente fora dali. “Assim, embora não sofresse preconceitos, me pegava perseguindo o meu melhor, me qualificando ao máximo e buscando obstinadamente meu desenvolvimento”, revela a executiva, para quem o fantasma do preconceito a rondou de maneira positiva, instigando a excelência.

Mas do preconceito em relação à idade Daniela não escapou. “Era muito jovem quando eu já apresentava projetos para clientes e sentia que havia preocupação com a pouca idade na minha função. Tipo: ‘Será que ela vai dar conta?’”

Para Daniela, independentemente de ser homem ou mulher, para reverter esse ou qualquer outro quadro de ceticismo, é importante se preparar. Desde a escolha de uma boa universidade e cursos específicos, ela diz, o pulo do gato é se preparar sempre para qualquer tipo de exposição, em especial apresentações e reuniões.

“Nunca fui para uma reunião sem estar muito bem preparada. Dessa forma, me sentia segura, pronta para as perguntas e para passar essa segurança para clientes e time. O preparo é chave e contínuo. Principalmente em situações em que sou a única mulher na reunião. E foram muitas delas”, ensina.

Gestão com soft skills

Na avaliação empírica da comandante da LG, as mulheres têm perfil de irem atrás do que querem com mais obstinação. Não ficam esperando acontecer e são multifuncionais. A maior parte, segundo ela, desde cedo, mesmo sem ter filhos, aprende a ser mãe, esposa, profissional, mãe dos pais e dos amigos, “meio assim”.

“E muitas dessas características são levadas para a gestão. Emprestamos nossa sensibilidade, intuição, sexto-sentido, capacidade de observação 360° em alta velocidade e de traduzir muito rapidamente a linguagem corporal, que diz mais que mil palavras”, afirma.

O perfil da executiva, que parece plugado à metodologia Agile, leva Daniela a uma exigência constante: “Não me tragam problemas depois que eles se transformaram em monstros. Tragam-nos para mim, assim que nascem. Dessa forma, é muito mais fácil encontrar uma solução e rapidamente. Odeio empurrá-los”.

Outra dica de Daniela, para não incorrer no erro de negligenciar o equilíbrio entre o pessoal e o profissional, é preciso estabelecer prioridades e cumpri-las. “Isso requer uma especializada gestão do tempo. E a família deve estar entre as prioridades. Tenho três filhos e um marido que é parceiro, de verdade. Eles são meu porto seguro, meu apoio total. Quando chego derrotada por alguma situação, o abraço deles me reabastece, sem precisar falar sobre o assunto.”

Na trajetória da CEO, ela exerceu cargos de liderança em diferentes departamentos até chegar à vice-presidência, mas afirma que nunca se imaginou presidente. “Posso dizer que se trata de um cargo desafiante e agradeço por ter contado com o apoio e a colaboração dos diretores e do conselho da empresa. Meu comando não é solitário. Ter um bom time é fundamental para superar desafios”, ensina.

Ela confessa que há dez anos não estaria tão preparada para assumir a presidência porque não era amadurecida o bastante. “Hoje, sei que é preciso muita resiliência, mesmo tendo vivido a maior parte da minha vida aqui. É necessária muita confiança: “Vai lá e enfrenta! Digo a mim. Apanhou ontem? Levanta e vai! O amadurecimento é um exercício diário!”.

Na literatura, encontrou um bom caminho, ela garante. “Li um livro que me ajudou muito no meu preparo, na minha resiliência: O poder do Agora, de Eckhart Tolle, editora Sextante, que recomendo. Por meio dele, entendi que devemos nos concentrar no presente, no agora. Lembrando que o passado é o que aconteceu há um minuto e o futuro é o minuto seguinte”, diz e alerta: “Quando perdemos tempo com o passado e o futuro, não cuidamos do presente que é agora e que pode interferir pelo bem ou pelo mal no seu futuro. Temos de gastar nossa energia no agora!”.

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