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Negócios digitais elevam a procura por profissionais de segurança

Talentos estão sendo mais demandados, mas empresas sofrem com a escassez desse tipo de mão de obra. Há 2,8 milhões de vagas abertas no mercado global

Edileuza Soares

17/10/2019 às 22h07

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Os avanços da transformação digital dos negócios geraram mais demanda por especialistas em segurança da informação. Quanto mais tecnologia, maior a necessidade de reforço das medidas de proteção para reduzir riscos de ataques pelo cibercrime.

Ao mesmo tempo, encontrar essa mão de obra não é uma tarefa simples por causa do déficit de talentos especializados. Pesquisa da International Information Security (ISC) revela que existem no mercado global cerca de 2,8 milhões de vagas abertas nessa área. O número deverá subir para 3 milhões de oportunidade até 2020.

“Essa tendência é preocupante. Somente na América Latina há atualmente 193 mil posições abertas”, informa Alberto Favero, membro do conselho consultivo da ISC na América Latina, entidade especializada em treinamento e certificação profissional de cybersecurity. Durante o painel “Cibercriminosos: como atuam para invadir a sua empresa e o que fazer” no IT Forum X, Favero e outros especialistas demonstraram inquietação com a escassez de profissionais de segurança.

Alexandre Murakami, diretor de segurança da informação da Logicalis, confirma que em sua companhia há vagas disponíveis para profissionais dessa área, mas há dificuldade para encontrar talentos. Ele avalia que o mercado para esses especialistas cresceu muito, puxado principalmente pelos investimentos em tecnologias digitais. Outro impulsionador é a necessidade das companhias de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), prevista para entrar em vigor no Brasil no próximo ano.

As universidades não estão conseguindo entregar esses profissionais ao mercado porque, segundo o executivo, porque os cursos de graduação começaram há cerca de cinco anos. Os que já estão atuando vêm das áreas de TI, como de infraestrutura.

“Hoje, o foco do profissional de segurança da informação não é só infraestrutura”, comenta Murakami. De acordo com ele, existe muita demanda das companhias por especialistas em segurança de nuvem, aplicações de software e com domínio da LGPD.

Com a mudança de perfil, Daniel Barbosa, especialista de segurança da informação da ESET, acredita que as certificações podem ajudar a enriquecer os currículos. Porém ressalta, que a experiência prática é um diferencial na hora da contratação.

Fernando dos Santos, head de Corporate Sales na Kaspersky Brasil, observa que o cibercrime está em expansão e demonstra preocupação com a falta de profissionais de segurança, principalmente no momento em que as companhias estão investindo em projetos de novas tecnologias como inteligência artificial (AI), internet das coisas (IoT).

“Diversas pessoas querem ser hacker do bem, mas não sabem como começar”, constata Felipe Galofaro, diretor da Elytron. Essa dificuldade, segundo ele, existe porque a carreira de segurança da informação se tornou mais ampla com a disseminação das tecnologias. Sua recomendação é buscar especialização, como fazem os formandos de medicina.

Assim como as empresas, os cibercriminosos também estão se sofisticando no uso de tecnologias para invadir dados sigilosos das empresas e aplicar golpes virtuais. A recomendação dos especialistas em segurança é que as companhias comecem a pensar em medidas de proteção para os novos projetos na fase de concepção das ideias.

A sugestão deles é que os times squads, que estão sendo formados para acelerar projetos de inovação, tenham sempre um especialista em segurança. Desta forma, as vulnerabilidades das aplicações são identificadas cedo e corrigidas com mais rapidez.

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