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Nomofobia: a necessidade do celular e os riscos à saúde

O transtorno que causa pavor em ficar longe de aparelhos eletrônicos pode ser prejudicial. Especialistas alertam os perigos à saúde física e mental.

Redação

16/01/2020 às 12h41

Foto: Shutterstock

Utilizado por mais de 5 bilhões de pessoas em todo o mundo, o celular já é quase uma extensão do corpo humano, visto que está frequentemente nas mãos do usuário. Segundo a Pesquisa Anual do Uso de TI nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas, até o fim de 2019 o país terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos, ou seja, dois dispositivos por habitante. É fato que smartphones facilitam a vida e a comunicação, entretanto, o uso abusivo pode gerar um transtorno psicológico, a nomofobia.

O medo irracional de ficar sem celular e outros aparelhos eletrônicos, bem como a incapacidade de usá-los por insuficiência de bateria, ausência de sinal ou falta de internet são alguns dos sintomas da síndrome de dependência digital. Do inglês “No Mobile Phobia” (medo de ficar sem o celular), mais do que o tempo gasto no aparelho, o abuso acarreta prejuízos à vida do usuário.

As grandes vilãs por trás dos excessos são as redes sociais. A preocupação com o número de curtidas e compartilhamentos, a apresentação de uma vida que não corresponde com a real e a procura da selfie perfeita são sinais de que o uso se tornou prejudicial para a saúde, visto que o indivíduo vive em função da realidade virtual. À medida que se intensifica o contato com aparelhos eletrônicos, sutilmente efeitos como dificuldade em socializar, estresse, ansiedade e depressão surgem.

Não apenas psicológicos, a nomofobia pode motivar também problemas físicos, como fadiga, sedentarismo, dores musculares, distúrbios do sono e problemas oculares. Não obstante, o uso de celulares desvia a atenção cotidiana, podendo acarretar em acidentes de trânsito, por exemplo.

Uso na infância

"Estamos em plena era tecnológica e as crianças desta geração já crescem com um tablet na mão, porque muitos pais querem tranquilidade e, por isso, apelam para os eletrônicos”, comentou Sueli de Oliveira, coordenadora pedagógica da unidade Guará do Colégio Objetivo DF. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Americana do Coração (AHA), crianças de 8 a 18 anos passam cerca de sete horas por dia com dispositivos eletrônicos, tempo que deveria ser reduzido drasticamente para não prejudicar o desenvolvimento físico e intelectual.

A coordenadora alertou que o vício em celulares pode se iniciar desde cedo, porque as crianças já não sabem o que é brincar, correr e pular com os amigos num parque, por exemplo, já que estão constantemente envolvidas na realidade virtual. “A maioria dos alunos que recebemos na escola apresentam prejuízos grandes, principalmente na coordenação motora ampla. Eles não têm destreza para correr e se exercitar, além de alguns ainda apresentarem dificuldades de se relacionar, porque estão imersas nos celulares e não interagem com os demais colegas e familiares”, lamentou Oliveira.

O deslumbramento, desde a infância, com a infinidade de possibilidades que os aparelhos eletrônicos oferecem resulta, futuramente, na nomofobia. Como se já não bastasse, os excessos geram um efeito dominó que compromete outras áreas da vida. Por exemplo: a pesquisa realizada pela AHA indicou que o uso contínuo de celulares predispõe o indivíduo a adotar um comportamento sedentário, fator de risco para obesidade e que, por sua vez, pode provocar doenças cardiovasculares e diabetes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sustenta que crianças de até cinco anos não devem passar mais de 60 minutos por dia inertes em frente a uma tela. Para bebês de até 12 meses, a recomendação é não passar sequer um minuto com eletrônicos.

Desconectando

“Quantos carregadores de celular as pessoas costumam ter? Um em casa, outro no trabalho, um na bolsa e mais um carregador dentro do carro”, pontuou o coach e facilitador dos Seminários Insight, Jacques Giraud. O especialista questionou: “Não podemos deixar de estar conectados com o celular, mas quando é que conseguimos olhar o próprio carregador interno? É preciso ter tempo também para descansar, repor as energias e conectar consigo mesmo”.

Solucionar a nomofobia parece uma tarefa simples: basta diminuir o tempo gasto com aparelhos eletrônicos. Na prática, no entanto, trata-se de uma tarefa bastante desafiadora, uma vez que a conectividade é uma característica do mundo globalizado. “Parece quase impossível não estarmos conectados, mas tomado algumas pequenas atitudes é possível fazer um uso mais consciente tanto dos aparelhos quanto das redes sociais. Primeiro, prestar atenção aos comentários ou mesmo consultar amigos e familiares sobre como eles percebem sua relação com o celular”, comentou a diretora dos Seminários Insight em Brasília, Stèphanie Brasil.

A diretora explicou que o feedback externo é uma fonte importante de informação e pode ser o pontapé inicial para o despertar individual, “porque às vezes, se a pessoa escuta que ela não para de mexer no celular, que as outras pessoas não estão conseguindo interagir e se comunicar de maneira satisfatória, pode ser que ela se conscientize de que algo precisa mudar”.

Nesse sentido, antes de se conectar com o mundo afora, é necessário melhorar a sua conexão interna, ou seja, ter uma maior autoconsciência, olhar para si, observar quem você é fora das redes sociais e escolher o que é melhor e mais saudável para o corpo e a alma.

Uma opção para promover essa conexão consigo mesmo, os Seminários Insight oferecem uma metodologia que incentiva o empoderamento pessoal e a conexão positiva entre as pessoas. “Nossa intenção é apoiar o indivíduo a se conectar com o que realmente importa para criar uma vida mais plena, saudável e apaixonante. Durante os Seminários convidamos cada um a deixar um pouco o mundo exterior e se concentrar no seu mundo interno.

O nível III dos Seminários, inclusive, é feito em formato de retiro, durante o qual o grupo deve se manter desconectado pelos cinco dias quase completos. Trabalhamos a neutralidade e a observação para alcançar mais paz interior e de quebra os participantes acabam percebendo que é possível viver com mais bem-estar e sem a necessidade do aparelho sempre por perto”, finalizou Stéphanie Brasil.

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