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O que é preciso para ser um líder digital?

20/01/2015 às 9h19

O que é preciso para ser um líder digital?
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Se executivos de companhias tradicionais precisam lidar com
o impacto de tendências (como mobilidade, cloud, social e big data) que chacoalharam
suas organizações nos últimos anos, imagine a dinâmica e o ritmo dos desafios­
enfrentados por um líder de uma empresa digital.

Essas organizações - que nasceram em um mundo no qual todos
trabalham com apoio de smartphones e da internet, onde clientes de outros
continentes podem ter acesso a seus produtos com um clique - transformaram
modelos de negócio e indústrias e atualmente movimentam cifras bilionárias da
economia. A volatilidade com que lidam com processos, planejamento e tomada de
decisões, por sua vez, exige per­fis de executivos capazes de se adaptarem a
mudanças, responder aos problemas com agilidade, mas sempre olhando para o que
será tendência amanhã.

Apesar de diferenças de formação, indústria de atuação e até
mesmo de idade, Ronaldo Varela, presidente da Stelo, Luiz Felipe Barros,
diretor-geral do Viber Brasil, e Rafael Belmonte, fundador da Netshow.me, têm
muito em comum. Os três executivos, que participaram do painel “Empresas
Digitais: com a palavra o CEO”, durante o IT Forum Expo/Black Hat 2014, não
deixam dúvida de que a vontade de inovar é que move tanto suas vidas pessoais,
como profissionais.

Reinvenção

Como define o presidente Ronaldo Varela, a Stelo é uma startup
digital que nasceu no mundo tradicional. A companhia é fruto de uma iniciativa entre
Bradesco e Banco do Brasil para criar uma carteira digital com propósito de
unir compradores e vendedores em uma rede.

“Em uma instituição financeira sólida, a lógica para
proteção do negócio versus aplicação de recursos de capital de risco para
investimento é diferente em relação a startups”, descreve, enfatizando a
necessidade de demonstrar indicadores e ROIs elevados.

Mesmo assim, o que dá vivacidade ao negócio da companhia,
segundo Varela, é a união desses dois mundos: 64% dos profissionais da empresa
vieram do mercado financeiro, perfil que geralmente busca estabilidade e carreiras
longas; enquanto o restante é da área de pagamentos digitais e e-commerce, ou
seja, a garotada da geração Y. Um ambiente de trabalho focado na segurança, sem
tirar os olhos da inovação, que segundo ele teve índice zero de turnover
espontâneo em um ano de operação.

“Muitos dos amigos estão completando 35 a 40 anos na mesma
empresa. Eu sempre fui movido pela mudança, pela inovação. Mudei de carreira
três vezes, até chegar à TI nos anos 90 na área de carbono. Pedi demissão
depois de dez anos de empresa, e fui fazer MBA nos Estados Unidos, pois queria
ir para um mundo mais dinâmico. Entrei para o segmento de telecom e evoluí para
meios de pagamento. Temos de nos reinventarmos também para acompanhar essa
evolução da tecnologia e, por isso, temos que investir na carreira. É bom quando
o empregador investe, mas quem tem que fazer isso é você, porque o dono da sua
carreira é você e essa turma nova faz isso.”

Empoderamento

Em três anos e meio, o Viber está entre os três maiores
aplicativos do mundo, atrás do WhatsApp e iChat. O aplicativo que permite enviar
mensagens instantâneas e fazer ligações conta com 460 milhões usuários, sendo a
maioria na Europa e no Oriente Médio (mesmo sendo bloqueado em alguns países).

No Brasil, onde é o segundo aplicativo de mensagem mais
utilizado, experimentou crescimento de 110% em sua base de usuários em 2014,
alcançando 17 milhões de pessoas.

Cerca de 80% possuem entre 13 e 24 anos e 85% são usuários
diários de texto. A meta da companhia é tornar-se o maior aplicativo de mensagem
do mundo, o que segundo Barros só pode ser conseguido por meio da inovação.

Luiz Felipe Barros, diretor-geral do Viber Brasil, conta que
quando o WhatsApp lançou o polêmico recurso de notificação de leitura, o Viber
ganhou 1 milhão de pessoas que ficaram incomodadas com a funcionalidade. “Hoje,
não tenho barreira de saída no mundo”, comentou durante o painel. A saída, segundo
ele, é trazer mais recursos para diferenciar-se dos concorrentes e conseguir fidelizar
o cliente. “Ontem era WhatsApp, hoje não é ninguém”, afirmou. E esse ritmo de
inovação no Viber é fomentado por uma equipe totalmente engajada com o negócio da
empresa.

“Qualquer companhia digital que queira atrair talentos tem
que vender a capacidade de transformação que eles podem criar. Todo mundo lá no
Viber se sente empoderado e quem não sente não aguenta, porque existe quase uma
pressão interna para transformar e questionar as coisas. Se essa geração nova
não se sente capaz de mudar e transformar a empresa o tempo todo, ela rapidamente
se entedia”, comenta Barros.

Vender sonhos

Dois caras de administração que não sabiam nada de internet
e deixaram seus empregos em um fundo de investimento para lançar uma ideia
inovadora. Assim nasceu a Netshow.me, plataforma de transmissão ao vivo no
formato colaborativo, inspirada em projetos semelhantes existentes nos Estados
Unidos e China, criada quando Rafael Belmonte e seu sócio ainda estavam na
faculdade.

Em um ano no ar, o site é utilizado por grandes artistas
brasileiros que buscam engajamento e interatividade on-line com seus fãs, que
compram ingressos para assistir apresentações ao vivo exclusivas, tudo pelo
site. A companhia, que conta com investidores que fundaram empresas como
Buscapé, tem como foco oferecer seu conteúdo a uma gama maior de canais de
meios de acesso, o que resultou inclusive na recente parceria com uma
fabricante TVs para lançamento de seu aplicativo em smartvs.

“Inovar na internet é mais barato e você consegue ter maior agilidade,
testar e errar. E tudo isso minimiza o risco, caso a ideia não dê certo. No
começo, foi fundamental encontrar parceiros estratégicos no desenvolvimento de
aplicações, pois não tínhamos experiência o suficiente nessa área. E a única
forma de conseguir pessoas que vão entrar nessa com você é vender um sonho, um
propósito”, compartilha Rafael Belmonte. 

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