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Otimista com nuvem no setor público na América Latina, AWS indica “modelo ideal” para adoção

Guilherme Borini

06/12/2016 às 13h11

Otimista com nuvem no setor público na América Latina
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A Amazon Web Services (AWS) está otimista com a adoção de soluções baseadas na nuvem por órgãos governamentais em toda a América Latina. E trata o setor com muita atenção, considerando seu potencial de crescimento para consolidação de negócios em mais uma área. O Brasil faz parte da rota da companhia, sobretudo por ser o único país da região que conta com data center.

Para Jeffrey Kratz, líder dos negócios em setor público para América Latina e Canadá, o Brasil está avançando mais rápido do que o esperado. Muito por conta das recentes ações em Brasília - o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, por exemplo, apresentou o manual “Boas práticas, orientações e vedações para contratação de Serviços de Computação em Nuvem”, em maio deste ano.

A publicação serve de base para os órgãos federais integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (SISP) se orientarem sobre qual o melhor modelo a ser adotado. O SISP, composto atualmente por mais de 200 entidades públicas, é a estrutura usada pelo governo federal para a organização do trabalho, controle, supervisão e coordenação da área de TI.

Kratz esteve recentemente em Brasília reunido com autoridades do setor e viu discussões positivas. Algo semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos, com a elaboração de uma estrutura com diretrizes sobre adoção de nuvem. O documento contou com participação tanto de autoridades quanto de empresas do setor – uma delas a AWS.

"Muitas cidades e estados estão adotando. Em maio, tínhamos 39 municípios rodando na nuvem AWS. Estamos vendo uma adoção rápida por parte de cidades e estados muito por conta de eventos no nível federal nos últimos meses", destacou Jeff, em conversa com jornalistas durante o re:Invent, evento anual da AWS, realizado na última semana em Las Vegas (EUA).

Modelo ideal
Como vice-presidente global da companhia para o setor público, Teresa Carlson tem um parâmetro claro da adoção em governos de diversas regiões do mundo todo. E está satisfeita com o que tem visto na América Latina. "Estou fascinada na América Latina com o número de startups e a quantidade de inovação que está acontecendo. Em muitos locais, os governos têm o desejo de inovação e essa combinação é fantástica”, disse.

Teresa recomenta para os governos um modelo para adoção da nuvem. Nele, as estratégias devem ser claras pois este setor precisa evitar exposição a riscos. Ela explica que o modelo tradicional de TI tem suas políticas, regras, seguranças etc. Diante disso, a maioria não adotou um modelo que deixa claro o que precisam fazer. “Primeiro, é preciso definir o que é a nuvem”. Teresa cita a política de cloud-first norte-americana para ser considerada como exemplo. Afinal, segundo ela, os serviços são considerados utilities, com modelo de pagamento por uso.

“Com esse novo modelo definido, que diz como fazer, podemos ajudar os clientes com a arquitetura das aplicações e determinar quais as ferramentas necessárias.”

O que falta
Apesar do avanço na adoção de cloud, o setor público ainda está um passo atrás. Pesquisa do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão revela que apenas 25 órgãos do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (SISP) no Brasil utilizam computação em nuvem fora das suas instalações. Participaram da pesquisa 136 órgãos integrantes do sistema.

Para Kratz, políticas de contratação são desafios para esses órgãos. “Antigamente eles compravam cadeiras, telefones, carros e agora compram nuvem. Como pensar nesse processo?”, questiona.

Teresa admite que o atraso, pelo menos para a AWS, deve-se também à falta de data centers em algumas regiões. Não esse motivo não se aplica ao Brasil, que conta há cinco anos com data center em São Paulo. "Estamos ampliando cada vez mais as regiões no mundo todo."

Mas, por outro lado, Teresa observa que percebe uma vontade muito grande do setor para migrar para a nuvem. Os principais motivos são redução de custos e segurança. ”Para muitos líderes de governo, eles sentem que a nuvem é uma opção melhor de segurança do que eles têm hoje. Eles estão vendo para onde o mundo está indo. Esses fatos vão impulsionar a migração para nuvem.”

Práticas
As práticas da AWS para o setor estão focadas em dois principais frentes: universidades, com programas específicos para capacitação de estudantes, e workshops que cobrem não somente a parte técnica, mas também de governança para que o setor saiba o que pode e onde pode chegar com a nuvem.

Kratz destaca Chile e Colômbia como os dois países que avançam rapidamente em projetos inovação. Por esse motivo, a AWS está inaugurando escritórios na capital de cada um desses países (Santiago, no Chile, e Bogotá, na Colômbia).

A empresa citou alguns cases, como no México, com o Ministério do Turismo, que reformulou o site para atender todos os tipos de dispositivos. “Ajudamos eles, por meio de parceiro, a migrar o site e agora eles podem fazer novas campanhas e também podem ampliar o alcance”, explica Kratz.

No Brasil, o destaque é um recente projeto do Ministério do Planejamento com uma aplicação em nuvem para conectar cerca de 400 órgãos em esforços para combater o Zika Virus.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da AWS

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