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Para Microsoft, transformação digital é próxima revolução industrial

Déborah Oliveira

05/10/2016 às 13h13

Para Microsoft
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No começo deste ano, o World Economic Forum (WEF) sentenciou que a transformação digital seria a próxima revolução industrial. Se 1784 marcou o início da produção de equipamentos mecânicos, 1870 a divisão do trabalho e a produção em massa, e 1969 o início da automatização, 2016 será um divisor de águas na história por ter eliminado a barreira entre físico e digital. 

Compartilha da mesma opinião a Microsoft, que inseriu o tema no topo de sua estratégia em todo o mundo. Tyler Bryson, vice-presidente de Vendas, Marketing e Serviços da Microsoft América Latina, falou na abertura do Latam CXO Forum, que acontece em Miami (EUA), e ressaltou que, conforme emergem novas tecnologias, como internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), inteligência artificial, analytics e nuvem, criam-se oportunidades sem precedentes para servir o cliente e inovar.

“Para nós, a transformação digital está calcada em quatro pilares: engajar clientes, dar poder aos funcionários, transformar produtos e otimizar operações”, detalhou o executivo. Segundo ele, esses pilares geraram o que a empresa chamou de ambições. “Querem criar mais computação pessoal, desenvolver plataformas inteligentes de cloud e reinventar a produtividade e processos de negócios”, listou.

Nesse novo contexto, dados serão fundamentais. Mas somente coletá-los e não analisá-los não vai gerar diferencial competitivo. A sustentação fundamental de todo esse cenário será a nuvem, que dá capacidade ilimitada de recursos para os negócios. “Quando juntamos esses três itens [dados, analytics e cloud] temos a fundação da mudança”, garantiu o executivo. 

Citando estudo recente da IDC, Hugo Santana, gerente-geral de Enterprise Customers & Partners Group da Microsoft América Latina, apontou que, atualmente, apenas 20% das companhias são ‘digital masters’, ou seja, estão em estágio avançado de mudança, e mais de 70% em etapas iniciais. Como alterar essa situação?, questionou. "Aproveitando o caos para desfrutar dos benefícios da digitalização”, respondeu. 

Santana listou, em conversa com o IT Forum 365, benefícios dessa transação. Segundo ele, está provado que ‘digital masters’ registram mais vendas e margens. Essas vantagens econômicas estão saltando aos olhos dos CEOs, que já abraçam a digitalização. O mesmo estudo da IDC indica que 30% dos líderes das empresas querem avançar no digital esse ano, em busca de monetização e 86% desejam começar suas jornadas o quanto antes. “Até 2020, acreditamos que de 20% a 40% das receitas da organizações serão provenientes do digital.”

Para Santana, a Microsoft está em posição privilegiada para ajudar companhias em suas jornadas, porque a “arquitetura da empresa é mais ágil”. Questionado se a digitalização se encaixa na estratégia de todos os segmentos, ele respondeu que sim, citando exemplos em agricultura no Brasil, e ressaltando que, inclusive, a abordagem é adequada para pequenas e médias empresas. “Nossa missão é democratizar nossa tecnologia, tornando-a disponível para mais pessoas. Já estamos fazendo isso com o Cortona, por exemplo, que usa inteligência artificial para ajudar empresas e pessoas em análises”, comentou.


Run, Forrest, Run

A transformação digital ensinou algo precioso para as empresas: não é mais a companhia que está no controle e, sim, o cliente. E é para satisfazê-lo que é preciso, mais do que nunca, investir em experiência. E se você não o fizer, seu competidor ou alguma startup pode realmente estar muitos passos à frente. Diante desse contexto, Bryson aconselha que empresas não tenham medo da transformação digital e iniciem rapidamente a jornada. “Muitos têm a ideia de que é algo grandioso, que não se pode começar pequeno. Nossa mensagem é clara: inicie com um processo, uma ideia, e faça acontecer pouco a pouco.”

James Staten, gerente-geral e estrategista-chefe para Microsoft Cloud, lembra que investir na satisfação do cliente por meio de experiência personalizadas é mais rentável, uma vez que, para se conquistar clientes, é preciso investir cinco vezes mais do que manter um atual. “Além disso, companhias que adotam essa postura têm suas ações valorizadas na bolsa em cerca de 20%”, completou.

Ele destaca que a nuvem permite falhar rapidamente e com menos custo e por isso não há mais razões para postergar a migração para a cloud. Até mesmo a segurança é melhor na nuvem, pois a Microsoft contra com especialistas em proteção, time que muitas companhias não podem manter em funções dos custos.

Brasil avança no tema
Na visão de Santana, CIOs brasileiros estão em dia com a digitalização e podem ser considerados bastante criativos na aplicação do conceito. “Muitos estão em plena migração ou já aplicando a mudança em seus negócios”, sintetizou. A fabricante não abre número locais, mas, globalmente, o executivo afirmou que em apenas um ano a Microsoft investiu US$ 7 bilhões em cloud, a qual assinala ser a base da transformação. Esse valor soma-se aos US$ 15 bilhões anunciados anteriormente para a iniciativa.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) é um dos exemplos em solo nacional. Usando Microsoft Cloud, o TJSP aprimorou as tarefas de seus 50 mil funcionários. Transparência e disponibilidade para consultar processos foram os benefícios conquistados pelo Tribunal. Segundo informações da Microsoft, foi possível, ainda, servir cidadãos de São Paulo 70% mais rapidamente.

A Rio 2016 também se beneficiou da transformação e mais especificamente da nuvem. O Portal Oficial dos Jogos Rio 2016  foi baseado na tecnologia em Microsoft Azure integrada à da Atos, parceira mundial de TI dos Jogos Olímpicos. 

O website contou com complexa, segura e robusta plataforma, com capacidade para conectar quase 47 milhões de usuários no mundo. Mais de 460 milhões de páginas foram visualizadas, gerando bilhões de solicitações nas máquinas virtuais de Windows Azure e cerca de 200 mil requisições por segundo (que incluem acessos e cliques), em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e francês) e em diferentes dispositivos. “Com os holofotes voltados para os Jogos, sabíamos que seriamos bastante atacados. Recebemos muitas tentativas, mas nenhuma concluída, provando que a nuvem é, de fato, segura”, encerrou.

*A jornalista viajou a Miami (EUA) a convite da Microsoft

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