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Profissionais de TI serão principais agentes da transformação digital

Talentos terão em 2020 a missão de promover a inovação e elevar o patamar de conhecimento tecnológico em suas empresas

Marisa Albuquerque*

30/01/2020 às 8h13

Foto: Adobe Stock

Fala-se muito em transformação digital, processo no qual as empresas fazem uso de novas tecnologias para melhorar seu desempenho, aumentar competitividade e garantir melhores resultados. Essa é uma mudança verdadeiramente estrutural e cultural nas organizações que tem gerado papel essencial para os profissionais de TI e gerado a abertura de centenas de novas vagas de trabalho. Entretanto, mediante a velocidade dessa mudança, questiono qual será o legado que nós, especialistas, deixaremos dentro das empresas pelas quais passamos?

De um lado estão diversas oportunidades, mas de outro há uma atmosfera “nebulosa” considerada ameaçadora para muitos, já que há cada vez mais exigências em relação a mais conhecimentos, certificações e diferentes habilidades que devem ser adquiridas em tempo recorde para se destacar neste novo cenário. Com isso, esses e outros fatores têm feito diferentes gerações saírem de suas zonas de conforto em busca da reciclagem profissional.

“Apagão técnico”

O estudo "Achados e Recomendações para Formação Educacional e Empregabilidade em TIC", da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) divulgado recentemente, apresenta um vasto panorama de oportunidades no setor. São atualmente quase 850 mil vagas disponíveis no Brasil, sendo em torno de 50% concentradas em São Paulo, exigindo especializações em: Desenvolvimento Mobile, computação na nuvem, Data Analytics, Segurança Cibernética e Inteligência Artificial - as principais tendências de investimentos por parte das empresas nos próximos anos.

Já a demanda anual por novos talentos projetada até 2024 é de 70 mil profissionais. No entanto, pouco mais de 45 mil se formam no Ensino Superior com o perfil necessário para atender estas vagas. Diante da falta de capacitação, os próximos parágrafos revelarão alguns caminhos para você se preparar para a atual jornada:

You must speak English

Além do candidato a uma vaga de TI possuir uma boa graduação, um detalhe que tem atraído a atenção dos contratantes é a fluência na língua inglesa, já que muitos precisam lidar no dia a dia com empresas provedoras e fornecedoras estrangeiras. O inglês não é mais um diferencial e sim uma habilidade obrigatória.

Agilidade, DevOps

O mercado está mais exigente já que tem demandado por habilidades em práticas ágeis, DevOps, análise/ inteligência e mineração de dados, IoT, Inteligência Artificial e, em especial, conhecimento avançado em migração para a nuvem - o ano de 2020 promete ser o momento para isso, sem dúvida é a palavra-chave presente nas principais companhias do país. É óbvio que muitos profissionais de TI esperam que as empresas das quais pertencem promovam o custeio – integral ou parcial – de cursos de capacitação ou certificações, mas nem sempre esta realidade é possível. Falta cultura no meio empresarial em entender que apostar em recursos humanos não só favorece o colaborador, mas também a empresa, que se beneficiará do aprendizado adquirido na direta aplicação nos negócios.

Mas, enquanto isso não vira realidade o profissional interessado pode buscar proativamente e com orçamento próprio a tal capacitação. No caso do universo de cloud, há muito provedores como a Amazon, Google e Oracle que fornecem cursos e que podem ser um excelente caminho para rapidamente atualizar o currículo. Opções não faltam.

Comunicação como aliada

Saber se comunicar, ter clareza para transmitir o que se pensa e principalmente ser compreendido não é tarefa das mais fáceis. Durante anos, o profissional de TI foi visto como uma pessoa tecnicamente capacitada mas o diálogo com ele é uma barreira a ser vencida, ou melhor, traduzida, para entender os processos executados. Reunir profundo conhecimento técnico e aliar didatismo com a linguagem no mundo dos negócios é uma habilidade que o profissional de TI deve desenvolver dentro das organizações. Afinal, a TI está ficando cada dia mais humanizada.

Por exemplo: para você que fica alocado ou visita o cliente algumas vezes na semana ou no mês, recomendo atenção sobre o que levar na bagagem, e não estou falando de acessórios para sua mesa de escritório ou outros itens pessoais.

Me refiro à “bagagem profissional”. Além de sólida experiência, requisitos como empatia, vivência, segurança e poder de integração com pessoas são características consideradas bem importantes para o andamento dos projetos e te farão mais que “um terceiro”, mas um verdadeiro parceiro que sabe falar e compreender a linguagem do cliente.

Nesse contexto da transformação digital e sabendo que a migração para a nuvem estará dentre os principais temas da pauta de investimentos do ano de 2020, posso afirmar e sem medo de errar que, em primeiro lugar, as organizações esperam pessoas com mentes abertas às mudanças, que saibam lidar com as barreiras culturais comuns quando fala-se de pessoas e adequações a novos processos e, por último e não menos importante, esperam por profissionais com consciência dos benefícios da transformação digital, em especial, a mudança da profissão, já que se veem “direcionados” a evoluir constantemente para acompanhar o mercado e o que está por vir.

Como disse no início, acredito que os profissionais de TI são verdadeiramente os agentes transformadores das empresas, por isso este artigo é totalmente dedicado a eles, meus colegas de profissão.

*Marisa Albuquerque é diretora de FSW e Serviços Digitais da Globalweb

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