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Quando a equipe remota está mais próxima de quem está ao lado

Trabalhar com times de desenvolvimento multidisciplinares é um desafio, agora acrescente vários times para um projeto que vai rodar no Brasil inteiro.

*Desirée Megre

07/09/2019 às 16h30

trabalho remoto
Foto: Shutterstock

Há pouco mais de um ano comecei em um projeto na empresa onde trabalho e seria necessário um modelo híbrido de trabalho, pois o número de pessoas necessárias para realizar essa jornada seria grande. Tanto o polo de Maringá como o de Campo Grande provavelmente não iriam dispor da quantidade suficiente de profissionais de TI capacitados, além da falta de espaço físico para acolher a todos.

No início a equipe foi montada da seguinte forma: uma parte dos colaboradores, desenvolvedores, QA’s e analistas de negócios estavam alocados no cliente em Campo Grande, e os demais estavam na sede em Maringá. Com a demanda crescente do projeto, foi necessário iniciar o movimento de novas contratações, e por falta de espaço físico no cliente, home-office parecia ser a melhor opção. Decidimos que iríamos contratar onde encontrássemos as melhores pessoas. Por fim, contratamos desenvolvedores em Londrina, São Paulo (em mais de uma cidade), Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande e Maringá.

Dificuldades enfrentadas, como criação de cultura da empresa, qualidade nas entregas e os controles dos processos começaram a surgir.

A dúvida que sempre permeava era: como criar uma sinergia de time sem que as pessoas trabalhem no mesmo espaço?

O que acabou acontecendo foi que encontramos um modelo de trabalho que foi amadurecendo com o passar do tempo. Aprendemos a fazer reuniões diárias, reviews, groomings e até retrospectivas remotamente.

Ações para a aproximação da equipe remota

No início nos atrapalhávamos entre as pessoas que estavam presentes e as remotas, até que adotamos a postura do “remote first”, ou seja, quem está remoto têm prioridade em falar primeiro nas reuniões, e assim fomos criando um código de funcionamento.

Algo que ajudou bastante na criação e disseminação do DNA da empresa foi o processo de apadrinhamento. É um modelo de trabalho existente no qual um colaborador com um pouco mais de tempo de casa acolhe os novos para ensinar sobre os valores, visão, cultura, processos internos e razão de ser de onde trabalha.

Fora a integração institucional da empresa, criamos um modelo de imersão de uma semana, voltado para a cultura da empresa e processos internos do projeto. Além disso, temos mais duas semanas para integrações técnicas, onde colaboradores mais seniores ficavam responsáveis em aculturar esses novos colaboradores, tanto em relação às regras de negócios do projeto, bem como na arquitetura do sistema.

A adoção do papel de um líder técnico na equipe também contribuiu muito para a aceleração do aprendizado dos novos desenvolvedores, pois ele dava alguns treinamentos específicos e importantes para o projeto.

Momentos de integrações no time como Lightning Talks internas, disseminando boas práticas e conhecimento, também foram uma forma de aumentar a conexão entre as pessoas.

Dentro da empresa temos uma cultura muito forte em relação a seguir os processos internos, em busca da excelência da qualidade em nossas entregas, e um dos maiores desafios foi relacionado aos processos. Os times de desenvolvimento criaram um gamification onde pontuava quem estivesse mais aderente, como por exemplo: se ao término das sprints, as tarefas dentro do VSTS estivessem faltando apontamentos ou outros ajustes importantes para o time, essa pessoa perdia pontos e assim por diante. Esse foi um movimento muito positivo pois emergiu do próprio time e entre eles criaram uma cultura de reconhecimento. Até hoje é interessante ver a expectativa dos integrantes dos times em esperar sair o placar.

Conclusão

Com essas ações conseguimos criar um grande time que enfrenta muitos desafios na construção de um sistema que irá impactar muitas e muitas pessoas pelo Brasil a fora.

Ainda temos muitos problemas, principalmente de fortalecimento de relacionamentos, mas isso aí cabe um outro artigo.

Agora, o que gostaria de trazer para uma reflexão é que, muitas vezes, o colega de trabalho que estava remoto parecia estar mais perto do que quem estava ao meu lado.

Então... quando se faz as coisas com verdade, e quando acreditamos, a criação de uma cultura ultrapassa muitas fronteiras.

*Por Desirée Megre, gerente de projetos no Grupo DB1, além de facilitadora da metodologia Lego Serious Play. Atua há mais de 15 anos na área de TI, com experiência em gestão de projetos de softwares, modelagem de requisitos, análise de negócios e área comercial.

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