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Startups de tecnologia aprendem a arte de cortar custos

Déborah Oliveira

04/12/2015 às 11h31

Startups de tecnologia aprendem a arte de cortar custos
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O Vale do Silício, celeiro de ideias na Califórnia nos Estados Unidos, está começando a reescrever suas regras para o sucesso. Em vez de enfatizar o crescimento a qualquer custo, os investidores de tecnologia estão agora ensinando as startups a cortar gastos, incentivando o congelamento de contratações e o fechamento de postos de trabalho.

E algumas empresas já estão seguindo esse conselho, como Evernote, Hootsuite, Jawbone, Snapchat e Tango. Cortes em startups é algo bastante incomum na indústria de tecnologia, na qual a contratação é fator de diferenciação competitivo e as perspectivas de crescimento são a base do negócio. No Google, por exemplo, os primeiros cortes consideráveis não aconteceram até a primeira década de existência da companhia.

Nos últimos meses, muitos capitalistas de risco começaram a aconselhar suas startups a economizar dinheiro e a abandonar o foco em hipercrescimento, estratégia comum no Vale do Silício.

Fred Wilson, sócio-gerente da Union Square Ventures, escreveu um post em seu blog no último mês aconselhando empresários a conter gastos. Ele disse que algumas startups apoiadas pela Union Square tinham recentemente revisto suas despesas e "concluiu que as coisas ficaram um pouco fora de controle", embora ele não tenha revelado o nome das empresas que passaram por essa situação. 

"Se você passou por uma fase ampla crescimento nos últimos anos e não tenha apertado o cinto até o momento, esse pode ser um bom momento para fazê-lo", escreveu Wilson, cuja empresa investe nas companhias Kickstarter, Foursquare e Twilio.

O que acontece é que o corte de custos em startups, assim como tem acontecido no mercado, é em parte devido a um ambiente de captação de recursos mais escasso. Neste ano, capitalistas de risco aplicaram mais dinheiro em empresas de tecnologia, no entanto, eles estão fazendo menos negócios, de acordo com a empresa de pesquisa CB Insights. 

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, cerca de 1,8 mil rodadas de financiamento foram fechadas no terceiro trimestre, o menor número em mais de dois anos. Em vez de espalhar dinheiro, investidores estão perseguindo “megadeals” para que eles possam obter uma fatia maior dos que conseguem crescer.

Em pesquisa publicada recentemente pela First Round Capital, 66% dos empresários de tecnologia disseram que acreditam que angariar dinheiro vai ser desafiador no próximo ano. Isso é particularmente verdadeiro para as novas empresas, disse à Bloomberg Sam Altman, presidente da Y Combinator. 

Startups que acabaram de sair da fase de incubação, relata Altman, muitas vezes não sabem como seus produtos vão ganhar dinheiro. Mas os investidores estão consumindo mais tempo no potencial financeiro das empresas. 

Outra questão é que o mercado de ofertas públicas iniciais de empresas de tecnologia não tem sido particularmente favorável. Philip Krim, diretor executivo da varejista on-line Casper, disse que alguns de seus colegas estão adiando planos para levantar dinheiro. 

Uma abordagem mais frugal em empresas de tecnologia não é sinal de bolha estourando, disse Randy Komisar, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers. "Vejo isso como um ajuste normal de mercado”, indicou. As mudanças podem realmente criar empresas mais fortes, acredita.

Muitas estão tomando medidas drásticas para reduzir gastos. A Evernote, por exemplo, disse em setembro que iria fechar três escritórios e demitir 47 funcionários. A Jawbone, que faz aparelhos de fitness e fones de ouvido Bluetooth, fechou seu escritório de Nova York no mês passado e prevê corte de 15% do seu pessoal. 

Também no mês passado, a Tango eliminou 9% da sua força de trabalho após uma estratégia malsucedida em e-commerce. O Snapchat, que foi avaliado em US$ 16 bilhões neste ano, disse em outubro que iria abandonar seus planos de criar conteúdo original e vai eliminar parte da equipe. O Hootsuite, por sua vez, revelou nesta semana que vai demitir 20 funcionários.

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