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Supercomputador Santos Dumont totalizará em breve 150 projetos

No ano passado, ele corria risco de ficar parado, mas Laboratório Nacional de Computação Científica conseguiu reverter e trabalhos seguem a todo vapor

20/07/2018 às 9h13

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Inaugurado em janeiro de 2016, o supercomputador Santos Dumont, máquina da Atos instalada no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Petrópolis, no Rio de Janeiro, passou a operar em 2017 com a promessa de acelerar pesquisas em diversas áreas, em função da sua capacidade tecnológica – ele realiza 1,1 bilhão de operações por segundo.

Em 2017, o equipamento corria o risco de ser desativado em razão do alto custo de manutenção, mas o LNCC obteve uma revisão orçamentária do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e conseguiu reverter a situação. Atualmente, o custo de manutenção da máquina é de R$ 4 milhões por ano.

“A máquina não parou. Nós retardamos o processo de acesso a ele e reduzimos projetos por três meses”, explicou Tadeu Gomes, pesquisador do LNCC e coordenador do Comitê Gestor do Supercomputador Santos Dumont. Depois desse período, completou, seu funcionamento voltou a todo vapor.

Gomes contou ao IT Forum 365 que o Santos Dumont conta hoje com cem projetos de pesquisa e depois da última chamada pública realizada em abril deverá, em breve, somar 150. Até o momento, mais de 500 pesquisadores tiveram acesso à tecnologia e realizaram seus estudos no computador. “Temos em torno de 150 mil experimentos que já foram executados no supercomputador, somando 230 milhões de horas de processamento e mais de 250 terabytes de informações armazenadas”, contabilizou ele.

A bandeira do supercomputador é justamente acelerar pesquisas. Gomes indicou que se a quantidade de estudos realizados até o momento tivesse acontecido em um computador tradicional consumiria 10 mil anos para gerar resultados significativos. “Isso reflete nos resultados. Temos mais de 80 publicações científicas em jornais e periódicos de alta qualidade e referência. Também tivemos depósitos de três patentes em função desses projetos”, completou.

Entre os exemplos de estudos feitos no supercomputador, Gomes cita o de materiais usados em confecção de superfícies que podem ter transparência modificada de forma controlada e gradual, com aplicações em holografia 3D em tempo real para formação de imagens espaciais.

Há ainda importantes pesquisas realizadas na área de saúde. Uma delas voltada aos vírus da Zika, Dengue e Chicungunha. “Estudos para o design da vacina da Zika foram concebidos usando o Santos Dumont”, contou.

O que vem agora?

Prestes a completar três anos, Gomes entende que a atualização do supercomputador em breve será necessária. A tecnologia evolui e o Santos Dumont, que figurou por dois anos no Top 500, ranking internacional que lista as máquinas mais potentes do mundo, também precisa ser modernizado. “É importante que essa máquina receba atualização ainda no período 2018/2019 para que possamos continuar mantendo o serviço de alta qualidade para a comunidade. É um processo de evolução constante”, apontou.

A necessidade de atualização coincidirá com a chegada de outro supercomputador da Atos, mais moderno e com mais capacidade de processamento. A Atos já trabalha em algumas provas de conceito para trazer o computador para cá, revelou Luís Casuscelli, diretor de Big Data & Cybersecurity da companhia na América do Sul. “A tecnologia vai extrapolar as fronteiras de pesquisas em universidades e chegará às empresas. Observamos uma demanda em crescimento”, alertou.

*Reportagem atualizada em 24/07, às 15h05, para correção de informações

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