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Tecnologia que salva vidas: o uso de IA no combate ao coronavírus

Inteligência Artificial ajuda a prevenir contágio e a superlotação de hospitais no Brasil e no mundo

Marystela Barbosa

23/03/2020 às 17h02

inteligência artificial coronavírus
Foto: Shutterstock

Nas últimas semanas, o Brasil se deparou com a alarmante crise provocada pela chegada do coronavírus no país. De acordo com as secretarias estaduais, são mais de 1.600 casos até hoje (23). Há ainda pelo menos 25 mortes confirmadas no Brasil pelo Ministério da Saúde em decorrência do COVID-19.

Inteligência Artificial

O primeiro alerta sobre a doença foi realizado por um algoritmo da startup canadense BlueDot, que mapeia notícias de centenas de fontes, em mais de 60 idiomas. No dia 31 de dezembro, a inteligência artificial comunicou aos clientes, entre organizações de saúde e companhias aéreas, que evitassem a região de Wuhan, na China, por uma quantidade incomum de casos de pneumonia na área. Apenas 10 dias depois, o local foi declarado oficialmente como o epicentro da pandemia.
Diante da gravidade da doença e da necessidade urgente da prevenção do contágio, empresas de tecnologia estão utilizando Inteligência Artificial para ajudar a combater o coronavírus também no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Startups, são 437 healthtechs no Brasil, destas, 28 desenvolvem IA especialmente para o setor da saúde.
Uma delas é a startup de inteligência artificial Laura, que desde o anúncio do estado de pandemia declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando no desenvolvimento de uma solução para ajudar os hospitais na triagem e previsão da demanda de atendimento de pacientes com suspeita de COVID-19.
Cristian Rocha, CEO da empresa conta que por meio de inteligência artificial e tecnologia cognitiva, é possível gerenciar dados da rotina hospitalar e emitir alertas para a equipe assistencial, o que melhora a capacidade preditiva, com previsões mais estáveis. A solução da empresa, chamada de Robô Laura, já está implantada em instituições de saúde para identificação precoce dos riscos de deterioração clínica. "O Robô já analisou cerca de 2,5 milhões de atendimentos e reduziu em 25% a taxa de mortalidade hospitalar. Além de ajudar a salvar 12 vidas por dia, é um instrumento para otimização de tempo e recursos em saúde", explica Cristian.
Para o especialista, o setor de Inteligência Artificial ainda não está totalmente preparado para lidar com situações como esta - que já é considerada a maior crise de saúde do século -, mas está se desenvolvendo a passos largos. "Hoje já existem várias soluções utilizam IA para examinar imagens médicas para detectar sinais precoces de doenças de perfil epidemiológico", diz.

Pronto Atendimento Digital

Utilizando a tecnologia para evitar que hospitais fiquem sobrecarregados durante a crise, a startup está trabalhando no desenvolvimento de uma solução para ajudar os hospitais na triagem e previsão da demanda de atendimento de pacientes com suspeita de COVID-19.
A partir da próxima segunda-feira, 30 de março, entra em operação a plataforma Laura PA Digital, que oferecerá uma triagem inicial online para orientar a ida do paciente ao hospital em caso de necessidade, segundo os parâmetros da própria OMS e do Ministério da Saúde, além de tirar as principais dúvidas da população."Com os dados da Triagem Virtual, os Pronto-Atendimentos terão acesso a uma plataforma digital que permitirá a previsão de demanda por COVID-19, isto é, quantos e quais pacientes já estão a caminho para o atendimento e se há sinais de gravidade relatados", diz Cristian.
O infectologista e diretor médico da Laura, Hugo Morales, lembra que os índices de mortalidade pelo coronavírus foram muito maiores nos países onde o sistema de saúde entrou em colapso, a exemplo da Itália. Ele explica ainda que a triagem virtual não substitui a avaliação médica: "o PA Digital traz eficiência para o cuidado de pacientes com suspeita de COVID-19 de modo global, nos âmbitos individual e de gestão de saúde". Outra vantagem é a previsão da demanda de testes que serão necessários para atender os casos suspeitos.
Os dados obtidos pela startup são coletados em tempo real, durante a interação com o paciente, e transferidas para a Inteligência Artificial, que utiliza Natural Language Processing. Durante o diálogo, o robô faz uma série de perguntas processando a informação necessária e fazendo os cálculos de risco do paciente. "Com o Robô Laura detectamos redução no tempo de internação, passando de 103h a 96h; portanto, em média, 7h por paciente", finaliza Cristian.

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