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Transformação digital no Brasil: como ela está ocorrendo?

Especialista no tema aponta evolução e perspectivas para essa revolução

Roberto Bertó*

12/03/2018 às 8h55

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Parece não haver mais dúvidas quanto aos benefícios que a transformação digital pode proporcionar às empresas — cloud computing, mobilidade, realidade aumentada, IoT, big data, entre outros —, mas como o Brasil está reagindo a essa revolução e quais são as perspectivas?

Embora o cenário político e econômico ainda aponte para a crise, a transformação digital no Brasil está a todo vapor e promete crescer 5,8% em relação ao último ano, segundo a previsão apontada pela IDC.

Para saber melhor da importância desta mudança de paradigma na tecnologia das empresas e como ela está ocorrendo no País, devemos estudar melhor as transformações digitais e os impactos em seus negócios.

Dados do cenário brasileiro

No segundo semestre de 2017, a Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações promoveu um debate público para elaborar a Estratégia Brasileira para a Transformação Digital. Não deixou de ser um avanço para a conversão digital e, embora o governo esteja atrasado com as regulações e os incentivos, felizmente as empresas brasileiras estão comprometidas há mais tempo. E gerando números fantásticos!

Uma pesquisa realizada por meio de iniciativa da SAP chegou a números impressionantes. Essa análise se tornou uma das mais completas sobre o assunto — utilizou mais de 3000 executivos, em 17 países — e conseguiu detectar desafios, oportunidades, quais são e quais serão as tecnologias relevantes. Vamos conferir:

Expectativa de crescimento das organizações brasileiras

56% das empresas pretendem alcançar um aumento de receita de 5,1% a 10% após a transformação digital;

51% delas pretendem acelerar o mercado.

As ferramentas que estão sendo mais desenvolvidas atualmente no mercado brasileiro são

Big data and analytics (63%);

Plataformas de segurança (59%);

Mobile (51%);

Cloud computing (50%);

loT (45%).

Entretanto, para os próximos dois anos, o cenário mudará bastante com relação à prioridade de investimento das ferramentas e ao aumento de empresas envolvidas. Confira:

Big data and analytics (78%);

Cloud computing (61%);

Plataformas de segurança (58%);

loT (53%);

Mobile (44%);

Machine learning / IA (29%).

E um grande ponto de atenção: o mercado precisa mudar os números abaixo se quiser competir no cenário global, pois os maiores desafios para que todas essas iniciativas aconteçam no Brasil são:

Falta de liderança (24%);

Falta de gerenciamento (19%);

Falta de habilidades na força de trabalho (16%).

A maioria das empresas brasileiras já se encontra em um nível no qual os gestores estão conscientes da transformação digital e compreendendo a sua urgência, mas que ainda não sabem exatamente como farão a mudança que poderá fazer realmente a diferença para a sua empresa.

Afinal, não basta desenvolver um app ou tornar o site responsivo se não houver uma excelente gestão de estoque por trás ou uma estrutura inovadora nas lojas físicas. Ou seja, é preciso entender que a inovação deve acontecer em todas as fases e em todos os departamentos, para que seja realmente um sucesso.

Cases de sucesso em transformação digital no Brasil

E, por falar em sucesso, vamos descrever agora alguns cases que ganharam muita visibilidade no mercado brasileiro:

Leroy Merlin
A empresa francesa, que se instalou no Brasil em 1998 e hoje é líder no segmento de varejo de materiais de construção, inovou para possibilitar aos clientes um trânsito fluido e consistente entre os mundos online e offline.

Eles conseguiram o objetivo utilizando campanhas de display e Google Shopping que, com a integração dos inventários, mostrava os produtos que estavam em estoque nas lojas próximas ao cliente no momento da busca. A marca obteve um crescimento de 36% nas visitas às lojas e 26% de redução no custo por visita.

Magazine Luiza
Uma das gigantes no setor de varejo, o objetivo era deixar de ser uma empresa de varejo tradicional com uma área digital para se tornar um negócio digital com espaços físicos e contato humano.

Mudanças profundas aconteceram: inclusão digital; melhora da UX (experiência do usuário); estratégias multicanais; marketplace; plataforma de dados; cultura digital; desenvolvimento de app integrado.

E diversas ações estratégicas voltadas para o marketing digital, além da mudança na cultura da empresa para que a gestão da inovação fosse a palavra de ordem.

Mais da metade das visitas no site são realizadas por dispositivos móveis e mais de 30% são convertidos em vendas, além da maior parte das vendas virem do aplicativo. No segundo semestre de 2017, a empresa cresceu cerca de 600% em comparação com o mesmo período de 2016.

Inovação na saúde e fintechs
E, para mostrar que não é somente no varejo, na indústria e nos tecnológicos porém rígidos sistemas bancários, apresentamos mais dois casos que estão fazendo a diferença:

Nubank
Os bancos estão em ritmo acelerado para a transformação digital e sempre andam na vanguarda da TI. Porém, as fintechs andam ganhando uma maior visibilidade no quesito inovação.

A Nubank, startup de 2013, está oferecendo cartão de crédito sem taxa de anuidade, com os menores juros do mercado e totalmente controlado via app. Mas o diferencial da Nubank é o atendimento: profissionais capacitados, todos com ensino superior e linguagem informal sem deixar de serem profissionais.

A startup não revela seus números, mas já criou a NuConta, uma conta-corrente que segue a mesma linha de qualidade de atendimento e taxas competitivas.

Sírio Libanês
O Hospital Sírio Libanês inovou ao implementar em suas unidades um sistema de autoatendimento. O cliente, a partir do CPF ou protocolo de agendamento do exame, pode digitalizar o pedido médico, os documentos de identificação, dados do convênio, entre outras informações, e receberá sua senha de atendimento. Com esses dados informados, o sistema realiza a triagem necessária para que o cliente possa ser chamado rapidamente.

Essa ação agilizou e diminuiu o tempo de atendimento em 20%, além de melhorar a performance das posições de atendimento, que atualmente atendem cerca de 4 a 5 pacientes por hora.

Existem inúmeros casos de sucesso no país que comprovadamente aumentaram a lucratividade, reduziram custos ou obtiveram um excelente ROI.

A inovação continuará no nosso país em ritmo acelerado pois contamos com pessoas criativas, rápidas e que conseguem aprender e se adaptar com mais facilidade que outras culturas. E essa característica propicia o desenvolvimento dessa nova forma de fazer negócios.

Ainda existe muito espaço para o crescimento da transformação digital no Brasil, mas as empresas precisam começar a investir em inovação, tratando este conceito como algo palpável para suas operações e não apenas como uma expressão mercadológica.

*Roberto Bertó é CEO da Under

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