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Viver não é necessário; o que é necessário é criar

Criar quer dizer inovar, fazer diferente.

*Edson Ribeiro Scabora

17/09/2019 às 14h25

Foto: Shutterstock

Esta frase é do grande poeta português Fernando Pessoa.

Criar quer dizer inovar, fazer diferente.

Criar soluções inteligentes que possam desencadear várias outras ações, que num conjunto, colaboram para o bem coletivo.

Em Maringá, cidade do norte do Paraná, de 417 mil habitantes, estamos fazendo ações simples, mas que conseguem atingir vários setores muito importantes de uma cidade.

Porque o que se quer, é que o cidadão de uma cidade, seja feliz. Todos nós, cidadãos do mundo, queremos encontrar a felicidade. E esta palavra, “felicidade”, nós imaginamos sendo formada por duas outras palavras menores: feliz e cidade. Cidade feliz.

É impossível alguém encontrar a felicidade, se este alguém não morar em uma cidade feliz. Ninguém é feliz sozinho.

E por isso, nós imaginamos, como poderíamos construir uma cidade feliz.

Partimos então de uma lembrança. Quando éramos crianças e a televisão ainda era uma peça de pessoas abastadas, ao final do dia, os vizinhos colocavam as cadeiras nas calçadas e ficavam ali conversando, enquanto as crianças brincavam ao redor. Naquela época as pessoas conviviam.

Hoje, infelizmente as calçadas não são mais seguras, a televisão é muito mais atrativa do que um bom bate papo e nossas crianças estão conectadas com seus celulares. As pessoas não convivem mais.

Vivemos enclausurados em nossas casas. Conectados com o mundo, mas sofrendo de uma intensa solidão.

E disso tudo, resulta depressão, tristeza, doenças, e consequentemente, muito mais gastos em saúde.

Como chegamos a isso? Não acredito que a culpa seja da tecnologia, da televisão, dos smartphones ou da internet. Acredito que a falta de espaços públicos adequados, arquitetonicamente belos, onde a população tenha um sentimento de pertencimento a aquele espaço, seja a causa deste auto enclausuramento.

Pensamos então em como poderíamos fazer para que as pessoas voltassem a conviver. Para que isso acontecesse, seria preciso que as pessoas fossem atraídas para um local, um espaço público, uma praça. E Maringá felizmente possui inúmeras praças. Mas que não atraia ninguém a não ser usuários de drogas e delinquentes. Nem mesmo as pessoas que moravam próximas utilizavam estes espaços.

Começamos então um projeto de revitalização de praças, canteiros centrais de avenida e espaços de lazer.

Começamos a revitalização por uma avenida chamada Avenida Cerro Azul e uma praça nesta mesma avenida chamada Pedro Alvarez Cabral, localizadas no centro de Maringá. Nesta praça já existia uma pista de skate e era causa de muita briga da população, pois esta pista atraia muitos usuários de drogas. A população queria que eliminássemos a pista. Os skatistas, o contrário.

O que fizemos: No canteiro central da avenida construímos uma ciclovia e fizemos um belíssimo ajardinamento entre as árvores. Na praça, mantivemos a pista, mas fizemos também um belíssimo ajardinamento e tanto na praça como no canteiro central , uma forte iluminação.

O resultado foi surpreendente. A praça, muito mais iluminada expulsou os usuários de drogas e atraiu as famílias que traziam seus filhos para se divertirem na pista de skate. A população ocupou a praça. O canteiro central da avenida, além dos ciclistas, começou a atrair noivas para tirarem fotos naquela belíssima imagem.

Fomos então para um bairro chamado jardim Tóquio. Neste bairro havia uma praça totalmente abandonada que ninguém usava. Através de intervenções simples, porém de muito bom gosto, com um ajardinamento com flores de cores vibrantes, a colocação de parquinhos infantis e uma iluminação forte, inauguramos a praça do jardim Tóquio. O resultado novamente foi surpreendente. Todas as noites a população lota a praça. Enquanto as crianças brincam, os vizinhos convivem.

Fomos em frente e vimos na Alemanha uma praça de lazer com um campinho de grama sintética, um parquinho infantil de cordas super moderno, pergolados , mesas e bancos. Na inauguração do primeiro o sucesso foi ainda maior que as praças revitalizadas. Já inauguramos 7 e até o final do ano que vem serão 30, que estarão espalhados pelos bairros de Maringá.

Estas praças de lazer estão lotadas dia e noite. É impressionante o que está acontecendo. As pessoas estão ocupando um espaço público que antes não ocupavam. E o mais impressionante ainda, as pessoas estão cuidando daquilo que é público. O que antes era de ninguém, pois era público, as pessoas começam a ter um sentimento de pertencimento. “Esta praça também me pertence e por isso eu preciso ajudar a cuidar”.

Talvez estamos começando a ver duas revoluções. A revolução da convivência e a revolução do sentimento de pertencimento. E estas duas revoluções trará boas consequências em outras áreas, como na saúde por exemplo. Mas principalmente, as pessoas estão aprendendo a cuidar daquilo que é de todos.

Fernando Pessoa estava certo. Viver não é necessário. O que é necessário é criar.

*Por Edson Ribeiro Scabora

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