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Waze Carpool é seguro? Como funcionam caronas por apps no Brasil?

Você abriria a porta do seu carro para um desconhecido? A ideia das caronas compartilhadas têm demonstrado bons resultados nos últimos meses.

Wellington Arruda

13/09/2019 às 13h37

Foto: Adobe Stock

Hoje, o Waze tem mais de 90 milhões de usuários ativos no mundo todo e o Brasil é um dos países que mais usa a plataforma.

Ele também está longe de ser um “app de GPS” e se tornou mais uma comunidade. A empresa estima que, em média, os motoristas utilizam o Waze por cerca de 438 minutos mensais.

Com a nova modalidade, o Waze Carpool, essa “comunidade” agora pode oferecer caronas. É como se fosse o “BlaBlaCar dos centros urbanos”, como disse pra gente o Douglas Tokuno, head do Carpool LATAM.

 

“A gente tem um exemplo de comunidade de caroneiros da Vila Mascote que tem mais de 150 pessoas. Nessa comunidade, eles combinam caronas, tiram dúvidas sobre o aplicativo e, agora, começam também a combinar churrasco, corridas no parque, aulas de ioga”, diz o executivo.

A ideia não é, por exemplo, competir com o transporte público, mas sim oferecer mais uma opção aos passageiros.

As caronas não devem render uma grana extra, mas sim economia. O valor é calculado pela distância e tudo é feito dentro do app, então você não precisa ficar cobrando seus amigos nem nada.

Num exemplo dado recentemente pela empresa, um usuário do Carpool pode economizar cerca de R$ 350 por mês com o serviço.

Motorista + 4 caroneiros

Esse recurso de incluir até cinco pessoa numa única corrida chegou há pouco tempo no Brasil. Tokuno explica que, por aqui, havia uma demanda forte para colocar mais pessoas dentro das caronas.

"O que a gente quer, é isso, ouvir o feedback dos usuários e trazer essas funcionalidades que vão melhorar a questão da mobilidade", explica.

No nosso país, 40% das caronas já eram com três ou mais pessoas dentro de um carro e isso chamou a atenção da equipe do Waze. Entre janeiro e julho de 2019, a empresa cita que o Carpool teve um crescimento de 460% no uso.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, existem 41,2 milhões de automóveis nas ruas do Brasil. E a gente sabe que o trânsito não é fácil. No total, são 65,8 milhões de veículos; os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Comodidade em jogo?

Muita gente não quer perder a comodidade, mas também não quer se atrasar. Então: 1) o que fazer para reduzir o trânsito?; 2) é colocando mais carros na rua que se tira os carros da rua?

Bom, na verdade, o Doug contou pra gente que a ideia das caronas é colocar mais pessoas num único carro. E isso usando toda a infraestrutura de carros e ruas que já existem.

"O nosso maior objetivo é concentrar essas pessoas que fazem o mesmo trajeto, fazendo com que elas não precisem pegar o próprio carro”, diz Tokuno.

“Qualquer motivo que a pessoa tenha, quando ela percebe que ela pode continuar usando o carro, não necessariamente o seu, mas vindo com um colega de trabalho ou um vizinho, aí a gente consegue reduzir o trânsito e melhorar a vida das pessoas. Mantendo o mesmo padrão, mantendo o conforto que ela eventualmente tem”.

Há confiança?

Mas, claro, até abrir a porta do seu carro e colocar um ou mais desconhecidos pra dentro, existe um belo dum gap de desconfiança. Segundo o executivo, existem nos perfis classificações e informações sobre viagens, onde trabalham (com validação por e-mail corporativo).

As caronas também precisam ser aceitas pelos dois lados: o motorista escolhe o passageiro, e o passageiro escolhe o motorista.

Outra coisa legal são os filtros nas caronas. Doug nos deu o exemplo de que mulheres podem escolher apenas outras mulheres, ou preferencialmente mulheres, para as caronas.

Os perfis e informações ajudam a criar essa confiança, já que a galera, inicialmente, não se conhece. Às vezes é complicado, mesmo, você simplesmente “dar uma carona” para um desconhecido.

Tokuno explica que, sim, há um receio inicial. "Mas o brasileiro tem essa questão de ser muito aberto, sociável", diz, exemplificando que vamos "muito rápido do receio à amizade total".

Tudo isso, claro, não nasce para afetar o transporte público, o trem, o metrô, o ônibus. Na pesquisa Origem e Destino do Metrô, por exemplo, é citado que não houve perda de passageiros com a chegada de apps de táxi e carona compartilhada.

Um outro serviço que tem ganhado popularidade é o Uber Juntos. Segundo a empresa, mais de 2 milhões de usuários realizaram viagens nesta modalidade entre jan. e jun. desse ano.

No fim, a ideia é usar a tecnologia a favor da sociedade também na mobilidade urbana. Independentemente se você pega um ônibus, depois aluga uma bike ou patinete, ou se vai de carona para o trabalho.

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