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Xiaomi desembarca no Brasil com preços competitivos e estratégia de venda direta

Déborah Oliveira

30/06/2015 às 16h43

Xiaomi desembarca no Brasil com preços competitivos e estratégia de venda direta
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A Xiaomi, fabricante chinesa de smartphones, chegou ao Brasil com uma estratégia agressiva que promete bater seus concorrentes. Durante evento realizado hoje (30/6) em São Paulo, a empresa anunciou que trará para o País o smartphones Redmi 2, por R$ 499, a pulseira inteligente Mi Band, por R$ 95, e o carregador portátil de celular Mi Power Bank por R$ 99. Os produtos poderão ser adquiridos a partir de hoje no formato de pré-reserva no site da Xioami e passarão a ser entregues no dia 7 de julho, a partir das 12h.

O preço competitivo, segundo Hugo Barra, vice-presidente internacional da Xiaomi, tem explicação. A produção será local, na Foxconn no Brasil, e o modelo de vendas é direto, por meio de seu e-commerce. “Nossa casa é a internet. Vendemos pelo e-commerce e somos a terceira empresa de e-commerce na China”, contou, acrescentando que essa é a estratégia da companhia, mas não significa que a marca ficará restrita a ela. “Trabalhamos fora do País com operadoras e varejo”, explicou o executivo. Outro motivo, diz, é que o marketing da empresa é direto, todo baseado nas redes sociais, o que tem impacto na estrutura de custos.

Barra contou que ainda é cedo para trazer para o mercado nacional as lojas-conceito que a fabricante mantém na Ásia, batizadas de Mi Home. Os espaços oferecem serviço de reparação de equipamentos da fabricante, locais para testes e compra de produtos. “Está cedo para trazer para o Brasil, mas podemos ter”, afirmou o executivo sem descartar a possibilidade. 

Leo Marroig, diretor-geral da Xiaomi para América Latina, que vai conduzir a operação local e da região, reafirmou que a estratégia de canal da fabricante é construída ao longo do tempo, depois que a companhia chega ao país, portanto, há ainda algumas decisões a serem tomadas nesse quesito.

O evento de lançamento, que começou com atraso e uma fila gigantesca fora do auditório no qual foi anunciada a chegada da empresa, reuniu cerca de 900 pessoas, mas a quantidade de curiosos que ficaram de fora fez com que a empresa programasse uma sessão na parte da tarde para os “Mi Fãs”. “Lançar produtos para um público desse tamanho para o meu Brasil é a realização de um sonho de vida”, relatou Barra. Ainda segundo ele, chegar ao mercado em um momento de atenção econômica é ótimo, pois a empresa poderá trazer sua filosofia de inovação e contribuir para o País.

Operação
Para o início da operação nacional, Barra contou que a empresa importou um lote, de quantidade não relevada, para acelerar a manufatura e atender imediatamente ao mercado local. “Mas a produção já começou em solo nacional e poderemos atender em breve com produtos locais”, explicou.

A operação por aqui atuará com um time enxuto, de cerca de 15 pessoas, além de uma equipe para suporte, call center, reparo e e-commerce. A empresa trouxe ainda para o mercado nacional o modelo de entrega no local que o consumidor quiser, com rastreio em tempo real, no caso de necessidade de assistência técnica. De acordo com Barra, a ideia é que esse sistema funcione em São Paulo, capital, e em breve em outros lugares do País.

Redmi 2
Sobre o primeiro smartphone que desembarca por aqui, o Redmi 2, Barra fez diversas comparação do aparelho com o iPhone 6 para sustentar que ele tem características superiores ao da Apple. 

Ele detalhou que o Redmi 2 conta com processador Snapdragon 410, da Qualcomm, arquitetura de 64-bit, dual-chip com suporte para conexão 4G, tela de 4.7 polegadas e um display de IPS com alta resolução. A câmera traseira é de 8MP e frontal tem 2MP – a do iPhone 6 tem 1.2MP. O celular tem também 1 GB de memória RAM e 8 GB de armazenamento. Além da Qualcomm, outros parceiros, como Samsung, Hynix, Sony, LG e AGC, têm componentes que são usados na fabricação do aparelho. 

A bateria do Redmi 2 tem 2265 mAh, o que de acordo com Barra é 25% superior à capacidade do iPhone 6. A tecnologia Quick Charge 1.0 permite carregar o celular até 20% mais rápido do que os smartphones convencionais. Em sua apresentação, Barra fez um teste ao vivo para mostrar que a tela não risca. Ao passar uma chave, ela ficou intacta. 

O aparelho também apresenta uma característica interessante para usuários corporativos. Por ser dual-chip, pode-se incluir o chip da empresa e o pessoal no mesmo aparelho e, caso seja preciso enviar mensagens ou usar o telefone para ligações, pode-se escolher qual número usar selecionando a opção ‘trabalho’ ou ‘pessoal’ para cada uma das opções.

Assim como a Apple, a Xiaomi também tem armazenamento na nuvem, a Mi Cloud. De acordo com Barra, o espaço inicial é de 5 GB, expansível conforme o uso, onde é possível salvar músicas, fotos e outros. O aparelho virá ainda com aplicativos embarcados em português.

Rápido crescimento
Considerada a Apple chinesa, a Xiaomi tem registrado rápido crescimento dos negócios. “Em 2013, vendemos 18 milhões de aparelhos. Em 2014, foram 61 milhões”, afirmou Barra completando que, no ano passado, a companhia conquistou a primeira posição no mercado chinês de smartphones e ganhou o status de quinta maior do mundo. 

Além disso, de acordo com o executivo, o sistema operacional Miui, baseado no Android, roda em mais de 300 modelos de smartphones de mais de 96 marcas diferentes. “Já são mais de 100 milhões de usuários mundo afora”, enumerou.

Barra pontou ainda a comunidade de desenvolvedores por trás do Miui. “Atualizamos nosso sistema semanalmente. "Temos um ciclo de desenvolvimento rápido pelo qual disponibilizamos a versão beta na quinta-feira e, na sexta-feira, os usuários a baixam e dão seus feedbacks. Então, fazemos novos testes internos e lançamos a atualização já na sexta-feira. Já foram mais de 250 updates. Nenhuma empresa faz isso”, gabou-se.

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