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YOUPIX Summit 2019 propõe reflexão sobre mercado digital

A 5ª edição do evento trouxe conversas com influenciadores e criadores de conteúdo para falar de futuro

Ana Gabriela De Callis

12/09/2019 às 19h15

Foto: Ana Gabriela De Callis

No dia 11 de setembro a YOUPIX, consultoria que busca ajudar profissionais, agências, marcas e criadores a potencializarem oportunidades de negócios, reuniu milhares de pessoas espalhadas em quatro palcos que foram espaços de palestras, debates, conversas e entrevistas sobre o mercado digital e o seu futuro.

O evento aconteceu na Unibes Cultural, em São Paulo, e pela primeira vez preencheu os espaços com mais de 1,5 mil pessoas. O YOUPIX Summit se consolidou como o maior evento sobre creators, social, vídeo e influência do Brasil.

Acompanhei alguns talks no palco principal, que era o mais concorrido do dia, por acomodar um número restrito de pessoas.

Ouvir o fenômeno jovem Maísa entrevistar Paulo Marinho, diretor-geral de conteúdo e canais Globosat, me fez entender que em conteúdos digitais o termo “concorrente” não existe. Maísa possui um programa semanal no SBT, mas também está no YouTube, assim como Marinho que disse saber que as marcas precisam fazer conteúdo para engajar os consumidores, e esse conteúdo pode ser na televisão e na internet.

A Globosat faz isso brilhantemente com o GNT, marca que possui um canal na TV fechada e um canal no YouTube que complementa a maioria dos seus programas. Marinho finalizou seu talk dizendo: “YouTube era plataforma, mas hoje cuida do conteúdo”.

Saúde mental e tecnologia

O assunto de saúde mental nunca ficou tão em evidência. A internet nos fez conectados e solitários ao mesmo tempo. Essa relação é extremamente ambígua. O YOUPIX me surpreendeu muito ao trazer uma Monja para fazer uma meditação coletiva com a plateia. Monja Coen tem mais de 798 mil seguidores no Instagram e leva às pessoas a importância de viver o agora.

A plateia parou por 15 minutos, sem telas, celulares, sem produção de conteúdo. Parou para respirar e esvaziar a mente. Durante a meditação, Coen trazia lições como: é preciso conhecer em profundidade a sua mente, o que somos, o que são pensamentos, quantos níveis de consciência existem, o que são emoções. Uma ótima maneira de mostrar como a espiritualidade é essencial nos dias de hoje.

Outro painel que permeou o assunto da saúde mental, “#cansei: menos like, mais verdade” trouxe Pedro Tourinho, publicitário e empresário, Lídia Zuim, mestre em Semiótica, Maíra Medeiros, creator, e Flávia Lippi, consultora em saúde mental para falar com Alana Rizzo, jornalista e criadora do projeto redes cordiais, para falar sobre como a tecnologia influencia a saúde mental.

O assunto principal discutido foi a maneira como as pessoas podem lidar com a sua imagem no digital e como os criadores de conteúdo podem utilizar sua voz para criar uma relação saudável e real com a sua audiência.

A nova era da voz

Phelipe Cruz, criador do papel pop mediou um painel sobre conteúdo sem tela, o futuro pela voz. Nele, Chico Felitti, jornalista e escritor, Fred Elboni, escritor e Madama Brona, creator debateram sobre o futuro do conteúdo em voz.

Podcasts, áudio livros, séries em áudio, os participantes do painel disseram que o aumento do consumo desse tipo de conteúdo se dá pela tentativa do resgate à imaginação. “Nós consumimos áudio há muito tempo. O rádio está aí antes da televisão para mostrar isso”, pontuou Madama. O que mudou foi o consumo. Agora, você pode ouvir diversos tipos de conteúdo no seu smartphone, a qualquer momento.

“Quando você sai da tela, sobra mais espaço para imaginação. A imersão é maior, chega em áreas do cérebro que você não está acostumado a utilizar” disse Felitti. E qual a diferença para eles entre engajar com áudio e vídeo? O conteúdo por voz é mais livre.

Quais são os valores do consumidor em rede?

Entre um conteúdo e outro, o evento também recebeu profissionais de empresas que executam pesquisas sobre o consumo na internet. Uma delas foi Laura Kroeff, VP da Box 1824, uma agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação.

A box 1824 trouxe dados sobre os novos valores do consumidor em rede e como as marcas podem acompanhar a transformação do mundo sem ficarem malucas e perderem a sua essência.

Laura começou sua fala dizendo que tivemos uma grande mudança na sociedade, que foi da sociedade de classes para a sociedade em rede. A estrutura em rede modifica a natureza das relações entre os indivíduos e entre indivíduos e instituições, diluindo e reorganizando o poder. E como isso se reflete na relação com empresas? Com uma insatisfação generalizada com ofertas massificadas.

Agora, a referência positiva passa a vir prioritariamente de plataformas digitais. Os valores fundamentais do consumidor em rede são:

  • Ego – hipercustomização
  • Tempo – velocidade
  • Vínculos – reputação
  • Espaço – mobilidade

Hoje, a qualidade de experiência que afere a expectativa do cliente com qualquer outro serviço vem do efeito GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple) e o pensamento é: “se eles conseguem, qualquer empresa consegue” me entregar um produto/serviço que entenda minhas dores e necessidades, o que gera a cultura da autonomia e da afetividade.

Crossmídia e a influência

No final do dia, acompanhei o painel “Da telona para o smartphone”, que trouxe a atriz e apresentadora Fernanda Souza para falar sobre a migração de mídias e como o conteúdo feito para cada uma delas pode influenciar a audiência.

“Eu fui uma das últimas pessoas que começou a usar redes sociais. Comecei a usar o Twitter para responder uma mensagem do Thiago de Dia dos Namorados”. Para a atriz o sucesso nas redes sociais é simples: contato direto com o público. “Antes, eu falava com as pessoas em programas de televisão, entrevistas para revistas e jornais, com as redes sociais as pessoas criaram uma afeição pelo meu dia a dia.”

Além de Fernanda, o painel contou com a presença de Gleici Damasceno, vencedora do Big Brother Brasil 18 e que foi de 800 seguidores no Instagram para mais de 3 milhões do dia para a noite: “Eu não sabia o que fazer com aquela audiência, quem são essas pessoas? O que eu vou falar com elas?”, pontuou Gleici.

O debate foi conduzido por Fátima Pissarra, diretora-geral da Mynd e Music2 e trouxe Manu Villela, head de Top Creators & Public Figures do YouTube, para dar a visão do outro lado da ferramenta. “O YouTube não está saturado, tem espaço para todo mundo, é preciso saber o que quer fazer e fazer com verdade”, apontou a executiva.

Depois de quase 12 horas de conteúdo Jout Jout, vlogueira, escritora e jornalista brasileira, e as creators Rosa Luz e Ana Paula Xongani convidaram a plateia para dividir seus BO’s com elas na chamada Combinha do amor. Rosa disparou: meu BO é que eu sou uma criadora de conteúdo que está cansada.

E eu me peguei pensando: estamos todos cansados e saturados de consumir e produzir conteúdo? Por isso estamos resgatando a era da voz do rádio? Estamos ficando todos doentes e precisamos falar sobre saúde mental? Acho que sim. No fim, assim como na tecnologia, está tudo interligado.

 

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